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A praia!

por cheia, em 16.06.22

A Praia

No dourado do sol salgado, vejo o mar ondulado

Em cada onda vai o vento penteado

As gaivotas andam de lado em lado

Incomodadas pela invasão do seu chão sagrado

Quando os banhistas ocupam cada quadrado

O areal em pouco tempo ficou todo ocupado

Não há grão de areia destapado

As toalhas compõem o atoalhado

Namorados bebem o sol molhado

Como quem quer fugir a ser espiado

A areia tem um aspeto asseado

Já ninguém deixa lixo, na areia, enterrado

Todos têm cinzeiros para colocarem o cigarro, apagado

Como é bom termos um mundo educado!

Onde ninguém é mal tratado

Já todos sabem, das bandeiras, o significado

Até o nadador salvador é escutado e respeitado!

Com o mar devemos ter todo o cuidado

Ninguém pode, com ele, estar descansado

De um momento para o outro pode mostrar-se revoltado

Talvez não goste do que lhe fazem, fica zangado

Já me pregou um grande susto, ao ponto de pensar que ficava lá sepultado

Fui, por ele, com muita força, para o fundo, arrastado

Depois, expulsou-me com tanta violência, que fiquei magoado

Nunca mais me esqueci do recado

Nunca larguei o meu filho que, quando lhe deitei a mão ficou, nos meus braços, bem apertado

Tivemos a sorte do nosso lado!

Para podermos contar o que se tinha passado.

José Silva Costa

 

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publicado às 08:00

Os céus

por cheia, em 17.03.22

Os céus!

 

Os céus estão revoltosos, de cor de fogo

Este inverno parece um inferno

Os elementos revoltaram-se contra os tristes eventos

Não há rosas, nem suaves momentos

Só tempestades e ventos!

Não há brilho, nem sol que nos aqueça

Que despedida mais avessa!

De quem passou, quase todo o tempo, com uma promessa

De que seria um inverno vestido de Primavera

Mas, o homem rasgou a razão e avançou com o canhão

E, os tempos não ficaram indiferentes

Foram ao mal buscar as sementes

Para castigarem todas as gentes

Que colaboraram com mentes doentes

A esperança é que chegue depressa a Primavera

Que traga perfume e amor, e leve a guerra

Que os céus voltem a brilhar, sem poeiras, nem bombas

E se encham de pombas brancas

Que vença a paz!

Já que o homem não é capaz

De olhar para o outro como irmão

Tanto ódio, tanta violência, tanta destruição

Em vez de um abraço e um aperto de mão!

 

 

José Silva Costa

 

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publicado às 08:00

O último helicóptero

por cheia, em 25.09.20

As mazelas da guerra

Continuação

 

A queda do último helicóptero

 

Todos os azares vinham ter connosco

O último helicóptero, daquela série, avariou

Ficou sem leme, tendo o piloto conseguido imobilizá-lo num morro

Felizmente, não houve feridos: oficiais e piloto saíram ilesos

Para guardar o helicóptero, fomos mobilizados

A seguir ao almoço, um pelotão foi guardá-lo

Ao fim do dia pediram-nos, pelo rádio, para lhes levarmos água

A minha secção foi mobilizada para, ao nascer do sol, sairmos com os garrafões de água que conseguíssemos carregar

Quando chegámos, andavam a lamber o capim

Também tinham utilizado os componentes acrílicos do helicóptero, para durante a noite, captarem alguma água

Ninguém sabia como o tirar dali 

O Alferes responsável pela proteção estava preocupado, com aquela operação, e com razão

Do Batalhão só lhe diziam que estavam a estudar o problema

Respondeu-lhes com um ultimato, se não encontrassem uma solução, dentro de um prazo de que não me lembro, o helicóptero seria desmantelado de maneira a ser levado, pelos trabalhadores da fazenda, para as viaturas, que o levariam para o Batalhão

Como não recebeu nenhuma resposta, mobilizou homens e ferramentas para a destruição, do mesmo

Mas, não conseguiram dividir o motor, que era muito pesado

Ordenou que arranjassem paus, para colocarem debaixo de cada bocado, para ver se o conseguiam levantar

Tudo testado, o mais difícil foi gerir aquela operação, pelo morro abaixo, em que alguns não queriam fazer força ou já não aguentavam mais

Estava ultrapassado mais um pesadelo

O Natal estava a chegar, seria a noite mais longa do ano.

 

 

Continua

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 06:56


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