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Lisboa!

por cheia, em 22.09.22

Lisboa!

Ruas estreitinhas

Fados antigos

Colinas com postigos

Bairros contíguos

Muitas colinas despidas

Elevadores estendidos

Estrangeiros aos montes

Já não há fontes

Tudo muito sofisticado

Tudo embalado

Já não há azeite, arroz, açúcar, avulso

Já ninguém sobe a pulso

Os presos sonham com um indulto

Decretaram três dias de luto

Há quem ache que é um insulto

Está tudo tão mudado!

Já não há burros, nem palha

Nada falha

No bairro alto vendia-se amor

Agora, o barulho é um horror

O futebol era uma festa

Hoje, é um campo de batalha

Os adeptos têm de estar em campos opostos

As famílias, cujos membros não sejam todos do mesmo clube

Não podem ver os jogos juntos!

Cada um tem de ir para o seu campo de luta

Ao ponto a que chegou o futebol!

Minha Lisboa, minha princesa, ninguém tem tanta beleza

Como tu, eterna noiva do Tejo.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

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publicado às 07:58

A maior porta de entrda e saída!

por cheia, em 07.02.18

O Tejo

O Tejo é o príncipe encantado de Lisboa

O seu amor, perfeito!

Banhando-lhe os pés o ano inteiro

Num lisonjeiro e amoroso namoro

Tejo, eras o espelho do país, quando eras feliz!

Mas a ganância, a incompetência, a insensibilidade mataram-te

Não te mataram só a ti, mataram também o país!

Cobriram-no de eucaliptos e puxaram-lhes fogo

Matando plantas, animais e pessoas

Envenenaram-te com o pretexto de criarem riqueza

Mas, ao contrário, provocaram tragédias e miséria!

Morto, fizeram-te o funeral, cobrindo-te com um manto branco!

Tejo, tu és a maior porta de entrada e saída do país!

Quantas fragatas te subiram e desceram carregadas de vida e sonhos?

Tu serás sempre a grande referência para quem sai e entra, pela tua porta

O país já chorou a teus pés, ao longo dos séculos, a partida de marinheiros, militares, aventureiros, pedindo que todos regressassem

Mas, infelizmente, há sempre quem te perca para sempre

Só quem de ti se despediu, carregando a incerteza de não saber, se te voltaria a ver

Pode testemunhar a alegria, que sente, por voltar aos teus braços

Os teus cais estão pejados de lágrimas de despedidas, e de sorrisos de regressos

 

 

 

José Silva Costa

 

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publicado às 20:10

Lavar a corrente!

por cheia, em 01.02.18

Fevereiro

 

Fevereiro leva a velha e o cordeiro

Fevereiro quente traz o diabo no ventre

Peço-te que mandes água para a gente

Mas, o suficiente para lavar a corrente

Levar para longe do nosso olhar

Todo o lixo que encaminhamos para os rios

Que desaguam no mar

Que tudo consegue abarcar

Mas, que um dia também pode avariar

Começar, o veneno, a vomitar

Para tudo matar

O Tejo já está a agonizar

Passa os dias e as noites a vomitar

Espuma branca, que mandaram aspirar

Temos de optar!

Não podemos querer, ao mesmo tempo

Sol na eira e chuva no nabal

Alguma coisa está mal!

Quando substituímos o plástico por o papel

Não será melhor apostar no virtual?

Deixando de estar enterrado em papéis

Muito ao nosso gosto e hábito!

Reduzir, reutilizar e reciclar

Se não quisermos, com o Mundo acabar.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

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publicado às 20:57

Lava-lhe os joelhos

por cheia, em 24.09.16

Lisboa

 

Lisboa está, cada vez, mais encantadora

Do búnquer do século passado

Para a mulher sofisticada à procura de namorado

Não deixava o Tejo ver-lhe os artelhos

Agora lava-lhe os joelhos

O Marquês é que não tem sorte

Por mais túneis que construam

Não se livra do fumo dos escapes dos automóveis

Oito e oitenta: um mar de gente

Lisboa internacionalizou-se de tal maneira

Que o difícil e ouvir falar português

Quem, nela aterre desprevenido

Pode pensar que o avião foi desviado

Que Portugal foi comprado!

O que não é errado

Já vendeu tudo

E continua, cada vez, mais endividado

Habituámo-nos ao fiado

Todos os dias vamos ao mercado

Pedir dinheiro emprestado.

 

José Silva Costa

 

 

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publicado às 22:36


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