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socieadeperfeita


Terça-feira, 13.09.16

Mimosas de carne aérea

Sete Motivos Do Corpo

V

Mocinhas gráceis, fungíveis

Mimosas de carne aérea

Que pela erecção dos centauros

Trepais como doida hera!

Por ardentes urdiduras

De Afrodite que abonais

Passais como queimaduras

E tudo em fogo deixais.

 

Ofegar de onda retida

Na ocupação epidérmica

De serdes a exactidão

Florida da primavera,

Todas de luz invadidas,

Sois, porém, as irreais

Bonecas de sol sumidas

No fulgor com que alumbrais.

 

Lá do fundo dos desejos

Chegais macias e quentes

Com violas nos cabelos

Nas ancas, quartos crescentes;

Nas pernas, esguios confeitos

Na frescura, o vermelhão

De uma alvorada que rompe

Em seios de requeijão.

 

Enleais, mas se enleadas,

Ó volúveis, ó felinas!

Saltais fazendo tinir

Risadas de turmalinas;

E com as asas do segredo

Que vos faz misteriosas

- Pois sendo divinas, sois

Do breve povo das rosas -,

Adejais de beijo em beijo

Já que para gerar assombros

Vicejam as folhas verdes

Que vos farfalham nos ombros.

 

Ó doçaria que em línguas

Acres sois torrões de mel,

Quando idoneamente ninfas

Vos vestis da vossa pele!

Se a olhares venéreos furtar-vos

Em roupas não vale a pena,

Pois mesmo vestidas estais

Nuinhas de graça plena,

De esbelta nudez plantai

Róseos calcanhares nos dias

Fugazes, não vá Vulcano

Levar-vos para sombras frias;

Não sequem os anos corpinhos

De aragem que os deuses sopram,

Que os anos são os malignos

Sinos que pela morte dobram.

 

Mocinhas fúteis que sois

Da vida as espumas altas

Leves de não vos pesar

O peso de terdes almas;

Que essa força de encantar,

Ó belas! cria, não pensa.

Ser perdidamente corpo

É a vossa transcendência.

 

( Natália Correia)

 

 

 

 

 

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por cheia às 21:44

Domingo, 11.09.16

Natália Correia

Sete Motivos Do Corpo

I

Não te importe, ó mortal, depois de morto

Desaparecer na curva do caminho.

Aqui és corpo; e injuriar o corpo

É pisar a sombra do divino.

Lúcida a carne, num fugaz milagre,

É de eternos assuntos a medida:

De ar, água, terra e fogo sumidade,

Lugar de amor onde se ganha a vida.

 

Se concorrerem na alma embuste e danos,

O corpo em qualquer língua é verdadeiro.

P`ra que ao além não fie a Parca enganos,

Retrata-nos a morte em corpo inteiro.

Vem das estrelas o sangue que nos guia

E em amorosa perfeição na carne

Está toda a eternidade resumida.

Corpo! Sombra de deus. Simples verdade.

 

(Natália Correia)

 

 

 

 

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por cheia às 21:41


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