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Flores de outono

por cheia, em 06.11.23

Flores de Outono

 

Cores de outono, suaves e doces

Dos amarelos aos castanhos e aos roxos

As árvores ficam sem rostos

Despidas e nuas no frio inverno

Os seus braços esguios espantam o frio

Bonitas e límpidas águas correm no rio

As geadas congelam o vento, que não floriu

As manhãs brancas são perfume, que sorriu

Já ninguém lava a roupa no brilho das águas, que correm a fio

As aves fazem acrobacias nos ares aquecidos pelo sol

Há uma paleta de cores na sombra de um assobio

O outono tem um sol muito fugidio

Aparece, desaparece, volta a aparecer, vai se embora sem nada dizer

Quem o quiser apanhar tem de estar atento, mas não o consegue prender

A qualquer momento, foge, vai-se deitar com o vento

Cada vez deita-se mais cedo, gosta muito do sossego

Do escuro não tem medo, quer ficar no seu aconchego

Nestes dias de chuva, de vento e frio cinzento

Em que para enfrentar o mau tempo, é preciso muito talento

Soltar as amarras do vento, pôr as nuvens em movimento

Aparar com as duas mãos as suas prateadas lágrimas

Para, a todos dar de beber e o mundo ver viver

A Água é um tesouro, é ouro a cair do céu.

 

José Silva Costa

 

 

 

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publicado às 07:54

Chuva!

por cheia, em 15.08.21

Chuva de estrelas!

 

Do céu caíam lágrimas

Na noite estrelada

Os teus olhos eram rosas perfumadas

Na noite iluminada, tu eras a estrela

Nos teus rubros lábios rolavam cerejas

Atraentes, deliciosas, desejadas

Quanto mais as beijava

Mais crescia o desejo

Que encantadores beijos!

Na frescura da ardente boca

A saciarem o fogo da Lua-cheia

Mas, quanto mais te beijava

Com mais fome ficava

Nada conseguia apagar aquele calor

Nem a noite fria, nem a água que, no rio, corria

Foi a noite mais curta!

Quando o sol nasceu

Ainda da tua boca

Água doce corria

Por que razão é que não há

Chuva de estrelas, todos os dias?

Para dormirmos nos beijos um do outro

Até o sol nos acordar

Para começarmos, de novo, a namorar

E passar o dia no doce teu olhar

Até a lua nos voltar a abraçar.

José Silva Costa

 

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publicado às 07:46

"Morrer de sede"

por cheia, em 13.11.20

As mazelas da guerra

 

Continuação

 

 

“Morrer de sede”

Nas muitas operações em que participámos, numa, ao contrário do que nos tinha acontecido antes, passámos um dia sem encontrar um único rio, o que fez com que começássemos a ficar desidratados

Pelo rádio, pedimos para nos irem indicar onde a sede saciar, quando o helicóptero fez um círculo por cima de nós e seguiu em direção ao rio, que nem estava muito longe, nós é que não sabíamos, todos correram e atiraram-se ao rio, parecendo um rebanho de ovelhas, em agosto

Alguns nem utilizaram o copo do cantil, beberam diretamente do rio!

Noutra foi o contrário, passámos os dias a atravessar rios, a vau, e num deles, com o sol a  dizer-nos adeus, levámos com uma trovoada, que a água nos chegou aos ossos

Não tivemos tempo de procurar um sítio para pernoitar, mal atravessámos o rio, já às escuras, montámos as tendas, pouco depois, apercebemo-nos que tínhamos como vizinhas as hienas cujos olhos, de noite, metem medo, e o cheiro é insuportável

Alguns, ainda se desviaram das vizinhas indesejáveis, mas tiveram dificuldade em montar as tendas, acabando por passarem a noite, embrulhados na manta, encostados aos troncos das árvores

Na minha tenda, já não me lembro se eramos 3 ou 4, optámos por tirar a roupa, porque é muito desagradável tentar dormir todo molhado, pendurámo-la dentro da tenda, de manhã, quando a vestimos, estava hirta, parecia que tinha estado no congelador

Foi uma noite para esquecer, pouco conseguimos dormir, as nossas vizinhas, acho que também não gostaram da vizinhança, porque passaram a noite a fazer barulho

Como estávamos todos tão cansados, o Capitão propôs que, em vez dos dois dias que tínhamos para voltar, o fizéssemos num dia, o que fez com que chegássemos todos “rebentados”

Tantos sacrifícios, tantos mortos, tantos estropiados, para nada!

 

Continua

 

 

 

 

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publicado às 08:00


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