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A autoestrada

por cheia, em 17.04.23

A linha

Minha primavera perfumada

O teu perfume, os meus olhos encanta

Na lonjura da grande estrada

Toda a beleza que a ladeia está cansada

De ver tanta gente tão apressada

Sem que tenha tempo para parar um segundo

Sentada na sua máquina voadora de prego a fundo

Conspurcando com gases e fumo toda a sua beleza

Sem cheirar nem olhar para a bonita Natureza

Nem na noite escura consegue esquecer tanta tristeza

Rasgaram-lhe as entranhas para construírem a autoestrada

Com a promessa de que os automobilistas lhe dedicariam uma grande paixão

Que diriam muito bem do seu perfumado chão

Que dava tão boas espigas douradas para fazer o saboroso pão

Agora, não consegue respirar, está coberta de alcatrão

Saem dos grandes centros populacionais para só pararem nas areias quentes

Como se o mar tivesse mais beleza que uma planície florida

Não têm tempo para apreciarem as melhores coisas da vida

Quem é que já apreciou um mar de espigas douradas, a ondularem ao vento e ao sol?

Como se fosse um grande mar de areia fina, onde o vento dorme e a perdiz aninha

Onde os filhotes ensina, como debulhar a dourada espiga, para uma vida digna

Com casa, pão, liberdade, sem stresse, nem pressa de chegar ao fim da linha

Soubéssemos nós, humanos, aprender com os pequenos seres, a viver

Sem ódios nem receios, que nos roubem o nosso quinhão, que nos comam o nosso pão

Seríamos muito mais felizes, viveríamos mais tranquilos, seríamos mais solidários

Não levamos nada, tudo deixaremos, nem mesmo a ilusão de que somos poderosos nos acompanhará.

 

José Silva Costa

 

 

              

 

 

 

 

 

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publicado às 07:59

Ventos do Sul

por cheia, em 16.01.23

Ventos do Sul

 

Ventos do Sul, pássaros azuis

O brilho do sol nascente

És trigo, és fogo, és gente

Na planície bem quente

Papoilas lançadas ao vento

São sangue, são semente

São beijos de um sonho contente

Rubros lábios gretados do vento suão

Mãos calejadas das foices

Faces rosadas e perfumadas como flores

Trigueira ceifeira de olhos castanhos

Cabelos pretos tapados com o lenço

Corpo dorido e cansado

Sonhando com o dia da adiafa

Espigas douradas reluzentes ao sol ardente

Que embalam os grãos que vão alimentar tanta gente

És perfume, és esperança, és pão

Festas de mastros pelo São João

Onde se canta e dança, para esquecer os duros trabalhos do campo

Planície dourada, bonita namorada da madrugada

Que dorme a sexta na sala de entrada

Quando a calma é demasiada.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

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publicado às 07:58


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