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Amor & Guerra (18)

por cheia, em 30.04.21

Amor & guerra (18)

A Bárbara e o Firmino decidiram vender e o estabelecimento e irem os três para Luanda

O desejo da Bárbara era que, depois, seguissem para a Metrópole, onde achava que estavam mais seguros

O Firmino tentava convencê-la a ficar em Lunda, onde ele tinha a família. Argumentando que o clima da Europa era muito diferente, as temperaturas têm grandes amplitudes térmicas, o sol não nasce, todos os dias, às 6 horas e não se põe, todos os dias, às 18 horas, como acontece em Angola, e além disso não poderia ter tantos criados, a não ser que tivesse uma grande fortuna

 

A Miquelina, no dia seguinte, quando foi visitar o Carlos, acompanhada do Miguel, tinha boas notícias, para o futuro deles. Achou-o muito melhor, mais alegre, entusiasmado, com uma grande vontade de viver, e disse-lhe que gostava muito de o ver assim!

Ele respondeu-lhe que desde que os tinha visto, tinha uma nova alma, que tudo faria para que fossem muito felizes, que ela não imaginava a força que lhe tinham dado, com a visita

Uma coisa era saber que tinha um filho, outra foi senti-lo no colo, apertá-lo nos seus braços, ver que ele, sem saber, lhe dava força para lutar por uma recuperação, que conseguisse arranjar um emprego, para ganhar o suficiente para o criar

E, que a presença dela não tinha sido menos importante, demonstrando todo o carinho que tinha por eles: uma extremosa mãe, uma bonita mulher, acabando por lhe perguntar, que mais um homem poderia querer?

Foi então, que lhe deu as boas notícias, dizendo-lhe que foram muito bem recebidos, pelos antigos patrões, que lhe deram os parabéns por terem um filho muito bonito, que lhe desejavam boas e rápidas melhoras, e quando tivesse alta lhe arranjariam um emprego

 

Mariana e João regressaram à sua terra, estavam exausto. A primeira viagem à capital tinha os deixado com pouca vontade de lá voltar

Foram descansar, porque no dia seguinte tinham de voltar para horta, de onde tiram o sustento, não têm direito a reforma, nem têm um pé-de-meia para quando não conseguirem trabalhar

Contavam com o filho, que foi o que aconteceu com eles, que tomaram conta dos seus pais até falecerem. O filho para além de estar doente, não voltaria a ter condições para trabalhar no campo, já o tinha abandonado antes de ir para a tropa

Tomara o Carlos ficar em condições de governar a vida dele. Assim, sabiam que estavam entregues à sua sorte e à caridade dos vizinhos

Os tempos estavam a mudar: os jovens não ficavam nas suas aldeias, procuravam trabalho nas grandes cidades ou no estrangeiro.

Muitos idosos acabam os seus dias, sem filhos, nem netos, por perto. É o que esperam

 a Mariana e o João.

Continua

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publicado às 07:59

Amor & guerra (16)

por cheia, em 26.04.21

Amor & guerra (16)

Quando chegaram a Santa Apolónia, em Lisboa, apanharam um táxi, e foram os quatro para o hospital, para, finalmente, verem como estava o Carlos

Assim que chegaram ao hospital, a Mequilina pediu ao plantão para falar com o enfermeiro

Disse-lhe que eram as visitas do soldado número 500, Carlos. Era a primeira visita, e que vinham acompanhados do filho, que ele ainda não conhecia, se poderia arranjar um sítio onde o pudessem ver, porque o menino não podia entrar na enfermaria

Foram encaminhados para uma salínha, onde esperaram pelo Carlos

Pouco depois trouxeram o Carlos, um maqueiro empurrava a cadeira de rodas

A mãe agarrou-se a ele, a chorar, a aperta-lo como se quisesse pegar-lhe ao colo

Ficaram minutos agarrados, sem dizerem palavra, até que ela lhe perguntou por que é que não andava, e ele respondeu-lhe que tinha sido ferido na perna esquerda

A seguir o pai abraçou-o e beijou-o, trocaram poucas palavras. Por último a Mequilina colocou-lhe o filho no colo, ficaram os três abraçados e a beijarem-se. O Carlos estava muito feliz por, finalmente, estar a abraçar o filho e a namorada. Aproveitou para lhe dizer, baixinho, que lhe tinham amputado, à perna esquerda, abaixo do joelho, e que os médicos lhe tinham garantido, que com uma prótese ficaria a andar bem

Carlos sugeriu-lhe que fosse mostrar o filho, aos antigos patrões dela, até podia ser que os deixassem lá dormir, para poder ir visita-lo, no dia seguinte, porque, ainda, tinham muito para conversar, e estariam mais à vontade, sem a presença dos pais dele

Terminada a visita, despediram-se e saíram. Cá fora, a Mequilina informou os futuros sogros, que não os acompanharia no regresso a Braga, porque ia visitar os seus antigos patrões

A Marina mostrou-se surpreendida, mas a Mequilina disse-lhe que tinha sido uma sugestão do Carlos, para poderem visita-lo no dia seguinte

Pela primeira vez despediram-se do neto, já estavam completamente embebecidos por terem um neto. Ao despedirem-se da Mequilina , prometeram verem-se em breve, queriam ver o neto crescer

Também chegou a hora da Bárbara ver o Firmino entrar-lhe pela porta dentro, com um bonito ramo de rosas, para lhe oferecer

Com os rostos banhados de felicidade, ficaram, tempo sem fim, a beijarem-se, com os corpos unidos, como se fosse só um

Antes que ela lhe perguntasse, ele apressou-se a explicar-lhe, quanto tinha sido difícil os pais aceitarem a sua decisão. Quanto à mobilidade, nem valia a pena falar, estradas esburacadas, minadas, troços só com escolta militar, dias e dias para fazer meia dúzia de quilómetros: um inferno!   

 

Continua

 

 

 

 

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publicado às 07:59

Amor & guerra (8)

por cheia, em 03.04.21

Amor & Guerra (8)

 

O Januário sentou-se ao lado do condutor do jeep, como se fosse buscar a mulher e a filha à maternidade

A freira não sabia do que se tratava, por isso perguntou-lhe o que desejava, vimos  buscar a Bárbara e a Sara

A Bárbara ficou admirada de ter sido ele o escalado para a ir buscar, uma vez que antes do parto se justificava a sua presença, caso houvesse necessidade de intervir, se acontecesse algum problema, mas agora não!

O Januário abriu a porta do jeep, pegou na Sara, enquanto a Bárbara entrou e se sentou, deu-

lhe os parabéns por ter uma filha muito bonita

Durante a viagem trocaram algumas palavras sobre o parto, poucas!

O Januário queria pedir-lhe namoro, dizer quanto gostava dela e afiançar-lhe que a ajudaria a criar a linda Sara, como se ela fosse filha dele

A Bárbara ficou muito agradada com os modos e as palavras do Januário, ficando com a pulga atrás da orelha, sobre o interesse nela

Também o seu coração vibrou, quando o Januário abriu a porta do jeep e pegou na Sara, como se fosse sua filha

Por todo o país, em todos os quartéis, eram formados soldados, sargentos e oficiais. O Governo queria ocupar a Colónias quanto antes, porque já se sabia, que mais tarde ou mais cedo a guerra começaria na Guiné e Moçambique

Em Janeiro de 1963 começou a guerra na Guiné, desde o início se viu que era muito mais agressiva que em Angola. Estavam bem armados, tinham o apoio da Guiné Conácri, para onde fugiam, após os combates

Nalguns postos fronteiriços, não permitiam que saíssemos dos abrigos subterrâneos, porque mal aparecíamos à superfície, choviam granadas de morteiro

Na Metrópole, as mulheres começavam a ocupar os empregos,  que antes só eram ocupados pelos homens. Com o constante embarque de homens, para as frentes de combate, a mão-de-obra começava a faltar, fazendo com que os patrões tivessem de recorrer ao trabalho feminino

A Bárbara foi registar a filha, teve de se fazer acompanhar de duas testemunhas, porque naquele tempo, para se registar um filho, eram precisas testemunhas, normalmente os padrinhos

Quando lhe perguntaram o nome do pai disse o que tinha acontecido, fazendo com que fosse registada como filha de pai incógnito

Aquele, pai incógnito, entristeceu a Bárbara, fazendo com que durante a viagem, entre o Registo Civil e a sua residência, tivesse pensado nos muitos filhos de pais incógnitos, que aquela guerra, faria.

 

Continua

 

 

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publicado às 08:20


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