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Olhos encantadores!

por cheia, em 12.09.22

Olhos encantadores!

Formosos olhos, que encantaram os meus

Que toldaram os céus e o sol

O momento em que te vi, nunca mais o esqueci

Todos os dias corro atrás de ti

Queria-te dizer quanto te amo

Mas, tu não ouves os meus lamentos

Passam por ti como os ventos

São terríveis os momentos

Em que tento captar a tua atenção

Mas todas as tentativas têm sido em vão

As mulheres são como o pão

Para o conseguir, mil voltas se dão

Um dia finjo que perdi a visão

Vou contra ti, como quem perdeu o pé

Flutua ao sabor das ondas e da maré

Esperando que me salves e me dês fé

Que me ressuscites para a vida

Que compreendas que sou a outra metade de ti

Que não poderemos viver um sem o outro

Que o amor é mais forte que o sol-posto

Que é tão lindo o teu rosto!

Capaz de ensombrar o luar de Agosto

Que nunca mais ficaremos longe um do outro

Que só a morte nos separará a contra gosto.

 

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

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publicado às 07:56

Tudo gratuito!

por cheia, em 08.09.22

Tudo gratuito!

Tudo o que é gratuito tem tendência a fazer com que haja desperdícios

Em rigor não há nada gratuito!

Tudo gratuito, para todos, sejam ricos ou pobres!

São as novas promoções, dos partidos políticos, para a nova temporada de Outono/Inverno!

Uns oferecem creches gratuitas para todos e serviços de saúde gratuitos, para alguns

Outros oferecem transportes públicos gratuitos para determinadas faixas etárias

Há quem não possa oferecer nada, mas promete a possibilidade de escolha na educação, na saúde, etc.

Quando lemos as letras pequeninas dos folhetos da propaganda, ficamos a saber que as creches gratuitas para todos, afinal são só para os que nasceram a partir de 2022, cujos pais consigam vagas nos serviços públicos ou instituições particulares de solidariedade social, para os que tenham de ir para as creches privadas, só será a partir de Janeiro

As Câmaras mais ricas propagandearam transportes públicos gratuitos para determinadas faixas etárias, não sei se as outras as conseguirão acompanhar, ou se continuaremos com o habitual: “ Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”

Para os reformados pode ser uma ajuda para passarem umas horas, de um lado para o outro, sem pensarem como enfrentar a inflação

Também temos os que nos querem enganar, dizendo que podemos escolher os hospitais, os estabelecimentos de ensino …….!

O que querem é que todos paguem, para que os seus filhos estudem nos colégios das elites, pagos, também, por quem nunca verá lá os filhos

Se querem serviços diferenciados, de saúde, de educação, seja do que for, paguem-nos!

Não nos queiram enganar com opções de escolha, que não temos

Não estou a ver as pessoas, das aldeias e montes do interior do país, com possibilidades de escolherem o Hospital da Luz, da Cuf ………….

Nem para os filhos escolherem o Charles Pierre, a Escola Alemã, o Cambridge school……

Numa altura em que os serviços públicos de saúde não conseguem dar resposta a algumas especialidades, vinha mesmo a calhar, a possibilidade de todos sermos ricos, de podermos escolher onde queremos ser tratados. Mas, infelizmente, as escolhas são poucas, e mesmo para os que as podem fazer, alguns, quando já não interessam aos privados, são enviados para o Serviço Nacional de Saúde, que é onde todos são atendidos   

Acontece, que muitos cheques-dentista não são utilizados, não sei se por desleixo, por pouca adesão por parte dos médicos dentistas, ou porque os pais não têm tempo para irem com os filhos ao dentista

Há quem tenha de trabalhar, todos os dias, para que não falte, pelo menos, o pão na mesa!

José Silva Costa

 

 

  

 

 

 

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publicado às 07:56

O trigo!

por cheia, em 28.07.22

O trigo!

Um cereal muito antigo

Originário do Egito

Cuja farinha, para além do pão, dá para fazer muita coisa gostosa

Não há ninguém que não goste de pão

Para muitos, a base da alimentação

Os políticos deitam-lhe a mão

Como arma de manipulação

Os pobres comem o pão que o diabo amassou

Mas nem esse, hoje, têm!

A guerra quer matar todos à fome

Exceto os que estiverem à distância das balas

Esses morrem mais depressa

Tudo destruído e morto, é o que interessa

Antes que a loucura arrefeça

E o homem não consiga cumprir a promessa

De acabar com a Ucrânia

Onde os campos de espigas douradas lhe fazem confusão

Não fosse o mundo livre levantar-se contra a sua ambição

E, o mundo já estaria na sua mão

Fruto da sua operação especial de libertação

É por isso que não percebe tanta ingratidão

Em vez de lhe agradecerem por tão boa ação

Decretaram proibições e sanções

Com essas ações estão a atrasar a libertação

Como é possível não gostarem de viver sob a sua dura ditadura!

Preferem viver em liberdade!

Alimentando a solidariedade para com a Ucrânia

Quando poderiam ser tão felizes sob a bota da Rússia.

José Silva Costa

 

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publicado às 07:58

Maio

por cheia, em 27.05.22

Maio

Maio maduro maio

Sol quente raiado

Flores por todo o lado

Um perfume empoeirado

Sardinheiras no beirado do telhado

As abelhas no seu bailado

O sol chega à noite cansado

São muitas horas a aquecer o relvado

As manhãs acordam de peito inchado

A temperatura sobe ao sobrado

E o trânsito ficou bloqueado

Todos querem, nas praias, um bocado

O calor está muito torrado

Excedeu-se no bronzeado

O vento continua calado

Alguém tem de dar conta do recado!

O Orçamento será hoje aprovado

Com a maioria absoluta está tudo controlado

Está bastante atrasado

O do ano que vem já deveria estar a ser gizado

Mas, com tanta inflação não há antevisão

Não vale a pena fazer a previsão

Melhor seria fazer o Orçamento, para o próprio ano, depois do verão

Quando aquece o coração

E os aumentos dos ordenados e das pensões subirão acima de um tostão

Para fazer face ao aumento do pão

Para acabar com a contestação

Mas as greves continuarão!

José Silva Costa

 

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publicado às 08:00

Inverno!

por cheia, em 15.02.22

Um inverno diferente

Sem chuva, para um vão contentamento

De muita gente, que não o entende

Este inverno que mente

Que em vez de chuva, nos dá sol

Que nos quer conquistar pelo brilho do anzol

Que nos quer matar à sede

E que quer, que lhe agradecemos, por nos dar sol

E há tanta gente a morder o anzol

A agradecer o bonito e belo sol

Como se não precisássemos de comer e beber

Mas, é tão agradável o teu sol

Sol de inverno!

Que este ano nos levará ao inferno

Sem água! Pessoas, animais e plantas não resistirão

Com trigo sem grão, não haverá pão!

Haver fome, ou não!

Está na tua mão, meu inverno mandrião

Não te deixes envaidecer

Por aqueles que acham que podes ser só sol e amor

Tu tens de fazer chover, nevar, e a todos enregelar

Não és Estação para flores, perfumes, coisas fofinhas, sem dores

Deixa isso, para a tua amante: a Primavera

De ti esperamos rigor, noites quentes à lareira

O cheiro da flor de laranjeira

Não puder passar a ribeira

Ficar no outro lado a ver a água baixar

À espera de poder, a namorada, abraçar

Mesmo que ela fique no escuro da lua.

José Silva Costa

  

 

 

 

 

 

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publicado às 08:00

A recompensa

por cheia, em 16.10.20

Mazelas da guerra

 

Continuação

A recompensa

 

Passados 9 meses, estávamos, de novo, em Luanda

Quando chegámos, acompanhei o Capitão ao Quartel-General, onde nos aguardava um Brigadeiro

O Capitão fez-lhe continência e manteve-se em continência, enquanto ele falava, perguntava o que tinha sucedido ………..

O Capitão manteve-se quedo e mudo, até o Brigadeiro corresponder à continência

Como uma parte da tempestade já tinha passado, o Capitão justificou por que razão foi impossível controlar os condutores civis, tudo acabou em bem

Passámos alguns dias em Luanda, antes de seguirmos para os nossos novos destinos

Acabados os dias de férias em Luanda, saímos em direção ao novo paraíso, numa extensa coluna militar, desta vez, em direção ao Sul

Fomos distribuídos por quatro povoações. Ao meu pelotão coube a bonita Vila do Andulo, terra natal de Jonas Savimbi, líder da UNITA – União Nacional para a Independência Total de Angola

Não podíamos ter sido melhor recebidos, ainda não tínhamos autorização para sairmos das viaturas, já estas estavam rodeadas de civis, o inverso do que tinha acontecido no Norte

Ficámos instalados numa casa civil, nunca apagámos as luzes, porque a produção da barragem era superior ao consumo

Havia uma coabitação harmoniosa entre civis e militares. Eramos convidados para os bailaricos, aos sábados à tarde, na Sociedade Recreativa

O nosso mais famoso futebolista, que não pertencia ao meu pelotão, foi logo cobiçado por o clube de futebol, local. Mas havia um pequeno detalhe, não tinha concluído a quarta classe, tudo se resolveu com a conclusão e a sua inscrição na Federação

Fazíamos patrulhas ao nível de secção, numa das patrulhas vimos uma escola em funcionamento, construída em tijolo, muito arejada, não tinha janelas nem porta, a Professora foi muito amável para connosco, esforçou-se para que os alunos falassem em português, mas poucas palavras disseram

Numa outra patrulha encontrámos um comerciante, cuja camioneta estava atascada, e havia já umas boas horas que esperava que alguém passasse e o ajudasse. Com a ajuda de uma árvore, onde prendemos o guincho da nossa viatura, conseguimos que a camioneta voltasse a andar

Camaradas nossos, também em patrulha, foi-lhes pedido que transportassem uma grávida, cujo parto estava complicado, para uma Missão

Na povoação mais distante do nosso raio de ação, vivia um casal de madeirenses, que tinham um comércio, eram os únicos europeus da povoação. Gostavam muito das nossas visitas, pernoitávamos na casa deles, só nos pediam que lhes levássemos pão.

Um dia, quase ao fechar da loja, entrou uma senhora com um açafate cheio de grãos de café, pedindo que o pesassem.

Fiquei sem saber o verdadeiro objetivo, mas penso que quereria saber, quando trouxesse todo o café, os quilos que tinha a receber

Aquele casal comprava-lhes o que produziam ou pescavam e vendia-lhes o quisessem comprar, ainda lhes arranjavam alguns medicamentos. A povoação ficava perto do rio Quanza

Foram estes poucos e pequenos gestos de humanidade que, quanto a mim, deram alguma recompensação aos nossos sacrifícios

Tantas vidas perdidas, tantos recursos mal gastos, que ainda hoje estamos a sofrer as suas consequências

Aproximavam-se as férias, o mês de agosto na Metrópole, na companhia da filha e da mulher, depois de mais um ano sem as ver, o tempo parecia não passar

 Converter angulares em escudos era muito difícil, muitos queriam ter um pé-de-meia na Metrópole, podia-se converter 7.000,00 angulares em escudos, por cada viagem à Metrópole. Assim, abri a minha primeira conta bancária, no único Banco do Andulo, Banco Pinto & Sotto Mayor, que quando foi inaugurado, alguém conseguiu ler: “ branco, tinto e copo maior”, depositei 7.000 angulares e recebi 7.000,00 escudos, em Lisboa

À boleia do Andulo para Luanda, para apanhar o avião, para Lisboa.

Continua

 

 

 

 

 

 

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publicado às 07:37

Verão cinzento

por cheia, em 11.08.19

Verão cinzento

 

Há nuvens negras, neste agosto cinzento

Há quem tenha de trabalhar

Todos os dias, de sol a sol, para angariar o sustento

Há quem viva à conta do Orçamento

Que busque, lá fora, o que não tem cá dentro:

Espetadores, porque as praias têm estado entregues ao tempo

Que tenha forçado um evento

Para uma exibição contra o momento

Que exemplo!

A política deveria ser um exercício exemplar

Mas, tornou-se num espetáculo nojento

Muito pouco compatível com este tempo

Em que, muitos povos, correm de um lado para o outro

À procura de segurança, pão, casa, paz

À procura de um coração que os abrace

À procura de um sítio onde nasça a esperança.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

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publicado às 17:26

Luar ao Sul

por cheia, em 30.07.18

Luar ao Sul

                        

Ceifeiras: papoilas ao vento a esvoaçar

Trigueiras, a perfumarem a planície

Cantam, para espantarem as dores

De corpo e faces tapadas, para enfrentarem o calor

Sob um sol escaldante, de foices em riste

Para desafiarem o vento levante

Quantas canseiras, para ver o pão nas eiras!

Mulheres determinadas, que cortam o sol com o regaço

Que sabem todo o circuito do pão:

Alqueivar, gradar, semear, mondar, ceifar, debulhar, limpar, moer, peneirar, amassar, tender,

O forno aquecer, para o pão cozer

Se soubessem, as voltas que a mão dá, até fazer do grão de trigo pão!

Não o estragariam, dando-lhe muita mais atenção

Há multidões de esfomeados, que nunca, o pão, verão

Acabada a ceifa, chega a adiafa, para suavizar o cansaço

Um dos trabalhos mais duros, que mulheres e homens

Enfrentaram, nos campos do Alentejo

Sob um sol ardente, de cortar a respiração!

 

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 21:34


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