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Abril

por cheia, em 17.04.20

A Chuva

 

São correntes de ouro a caírem do céu

Neste Abril chuvoso

Tão limpas como o amoroso

Quando as vimos contra os raios solares

São vida para plantas e animais

A Natureza está agradecida

Por tanta quantidade de água

Não posso ir ver se o rio vai alteroso

Mas, bem a vejo

Da minha janela

Quando a chuva passa

A espreguiçar-se, a sorrir, a esfregar os olhos

A beijar o vento de tanto contentamento

Abraçada ao sol, como se estivessem a combinar

Tudo fazerem germinar

Para todos alimentar

É na Primavera

Que os cereais costumam namorar

E, esta chuva, agora mais limpa, a todos vem abençoar

Num tempo em que só à janela podemos assomar

Devemos estar gratos por podermos continuar a ver

A chuva, o vento, o sol, a lua, todos juntos, na rua.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

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publicado às 08:28

Amor eterno!

por cheia, em 24.11.19

No tempo da outra senhora (2)

 

Francisco já tinha feito o serviço militar

Estivera na fronteira do Alentejo

Na zona de Évora

Aquando da guerra civil Espanhola

Num exercício de artilharia

As coordenadas estavam erradas, racharam uma, centenária,

oliveira

Tinha estado em São Miguel do Pinheiro (Mértola)

Para aprender o ofício de ferreiro

Estava quase com trinta anos, procurava companheira

Encantou-se com a Alice, que era muito bonita

Pudera, tinha dezassete anos, menos doze que ele!

Quem não queria, uma tão linda flor!

Francisco ia, quase todos os dias, montado no macho

Namorar a Alice, não tinha tempo a perder

A Alice era a segunda de cinco raparigas e três rapazes

Ainda viria a ter mais um irmão, aquando de seu segundo filho

Mãe e filha grávidas, apenas, com um mês de diferença

Francisco convenceu a Alice a juntarem-se, pelo Santo Amaro

Era o habitual, não havia dinheiro para casamentos

Levou-a para o seu monte

Alugou uma parte da casa onde, também, funcionava a Escola Primária

Do lado direito vivia o novo casalinho, no esquerdo, por detrás da sala de aulas, a Dª. Olenca

Uma Algarvia, que viria a tirar a primeira fotografia ao futuro rebento

Estávamos em plena segunda guerra mundial, que a todos castigava

Senhas de racionamento, fome, miséria, sofrimento e morte

O futuro rebento recusou-se a nascer antes, da guerra acabar

Nasceu quatro meses depois, da mãe fazer dezoito anos

Alice esteve à morte, teve hemorragias.

Um curioso receitou-lhe uma sangria!

Médicos e hospitais, não havia!

Só lá em Lisboa!

Recorriam aos curandeiros locais

O pai de Alice, receando perder a segunda filha e o primeiro neto

Levou-os para a casa da família, onde a mãe e as irmãs os trataram.

 

José Silva Costa

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:13


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