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Amor & guerra (10)

por cheia, em 08.04.21

Amor & guerra (10)

 

Com as bonitas palavras do Carlos, a Miquelina ficou muito feliz.  Já só sonhava com o dia em que o Carlos saísse da tropa e fossem viver os três

Contava os meses, já não faltavam muitos. Em breve abraçaria o Carlos, e ele conheceria o filho

A Bárbara tinha posto ponto final aquela expetativa de namoro. Não queria voltar a precipitar-se, já bastava o que tinha acontecido com o Carlos, porque estava fragilizada com o desaparecimento dos pais

Mas, ao mesmo tempo estava tão feliz por ter uma filha, linda, único familiar, que esperava fosse uma grande companheira pela vida fora, sangue do seu sangue

Que pena não conseguir contatar com o Carlos, apresentar-lhe aquela linda filha, não saber se estava vivo ou morto, a incerteza moei mais que a morte, quem é que inventou a guerra?!

Tantos jovens, arrancados às suas famílias e terras, treinados à pressa, sem noção nem consciência do que iam fazer, alguns levados pela fé, de que iam defender a sua Pátria, sujeitos a grandes lavagens ao cérebro, ao ponto de os obrigarem a gritar que se fosse preciso matariam os próprios pais

Chegados ao terreno, entregavam-lhes uma arma, balas, granadas

Perdidos, num labirinto, sem um forte código de conduta, respondiam às atrocidades com atrocidades, ainda, maiores

O Carlos escreveu à namorada, dizendo que ia participar noutra grande operação, que poderia durar mais de um mês, que não se preocupasse, que assim que pudesse lhe voltaria a escrever

Mas ela ficou muito preocupada, sempre em operações, era preciso ter muita sorte, para sair, sempre, ileso

“ Tantas vezes o cântaro vai à fonte, até que um dia lá fica”

A Companhia do Januário deixou a Vila, com grande pena da população, que gostava muito do comandante, porque dava muita atenção aos seus problemas. Todos estavam de acordo de que ele fez tudo o que podia para melhorar as suas vidas.

A Bárbara estava esperançada que na nova Companhia viesse um militar, que se encantasse nela e ela nele. Era tão importante encontrar um companheiro, que partilhasse dos seus sonhos, do seu espirito de aventura, que gostasse da sua filha. Por fim dizia: “ Não estarei a pedir demais!”

Queria planear o futuro: vender a loja, ir para Luanda, Lisboa, ou Coimbra. Mas seria mais seguro se tivesse com quem partilhar essa aventura, quem a aconselhasse, quem a aprovasse

Queria tudo do melhor para a Sara: o melhor colégio, a melhor universidade, que para ela era a de Coimbra

Tinha um bom pé-de-meia, em escudos, num Banco, na Metrópole, que herdara dos pais

A Companhia, do Carlos, foi emboscada, com a picada minada e os guerrilheiros escondidos nas bermas da picada

Tiveram mais de uma dezena de mortos e muitos feridos. O Carlos ficou gravemente ferido, tendo sido evacuado de helicóptero para Luanda. 

Continua 

 

 

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publicado às 08:00

Vidas! (19)

por cheia, em 12.03.21

Vidas!

Continuação (19)

O anterior regime tentou esconder as tragédias, que aconteceram, principalmente nos anos sessenta do século XX. Uma grande tragédia foi o desabamento de uma das Coberturas da Gare da Estação Ferroviária do Cais do Sodré, na linha férrea de Cascais, que aconteceu a 28 de Maio de 1963, no dia do trigésimo sétimo aniversário do golpe de Estado de 1926, que deu origem ao regime do Estado Novo. O Governo negou ter sido um atentado, tendo retirado, ao construtor, o alvará de obras Públicas, por defeito na construção, fazendo com que a firma tenha falido cinco dias depois. Mas, ficou a dúvida, se não teria sido um atentado. Decorria o funeral do Escritor Aquilino Ribeiro. Esta tragédia causou 49 mortos e 61 feridos

No ano letivo seguinte, o José continuou a estudar na Escola Académica. Voltou a inscrever-se, para fazer exame como aluno externo, no mesmo Liceu, mas foi transferido para o Liceu Camões, que era considerado um dos mais exigentes. Ficou aprovado, já podia ir para o curso de Sargentos Milicianos

Assim que soube do resultado, mal saiu do Liceu, entrou na cabine telefónica, existente na via pública, para dar a novidade à namorada. Já tinham o casamento marcado para Setembro, autorizado pelos respetivos pais, por só terem vinte anos

Alugaram um quarto na Rua da Imprensa à Estrela, situada por detrás do Palácio de São Bento, por uma renda de quatrocentos escudos mensais, por mobiliar. O patrão, do José, ofereceu-lhe a cama e as mesas-de-cabeceira. Compraram uma pequena mesa retangular, com uma gaveta para os talheres e espaço para guardar os pratos e os tachos, e dois bancos, um rádio e a máquina de escrever completavam a mobília

  Naquela casa já viviam a dona da casa, com uma filha e um filho, maiores de idade, e outro casal com um bebé. Por cima, no primeiro andar, vivia o saudoso maestro José Atalaya, que nos deixou recentemente. Todas as noites adormeciam ao som dos seus ensaios   

Voltou a matricular-se na Escola Académica, para fazer o segundo ciclo liceal. Teve a sorte de ter três professores excecionais: o de português, um camoniano, que andava a elaborar um dicionário de “ Os Lusíadas”, O professor de ciências, que tinha o programa gravado na memória, obrigando-os a escreverem o que ele ditava, a grande velocidade, alegando que, como não tinham tempo para estudar, aquela era a melhor maneira de aprenderem qualquer coisa. Mas, havia uns indisciplinados, que o interrompiam, para fazerem perguntas, que poderiam ficar para o fim da aula, obrigando-o a ter de rebobinar ate chegar ao que estava a ditar. Depois do 25 de Abril, foi à televisão explicar como se distinguia o bacalhau do pixilim. O de matemática, que conseguia fazer com que as enormes expressões algébricas deixassem de ser um bicho-de-sete cabeças. Defendia a utilização da Televisão, para reduzir a enorme taxa de analfabetos. Aquando da apresentação disse que estava disponível, aos sábados à tarde e nas manhãs de domingo, para tirar todas as dúvidas, aos que quisessem e pudessem aproveitar

Nesse ano não fez nenhuma disciplina. Mas, ficou o fermento para quando saísse da tropa, para onde foi, pouco depois do ano escolar acabar. A mulher voltou para a casa dos pais. Aos vinte sete meses de casados nasceu a primeira filha

O ter conseguido subir um degrau no ascensor social, fez com que conseguisse cumprir o Serviço Militar, na classe de Sargento, que para além do estatuto, contribui-o para que, a parte do vencimento que podia ser recebida na Metrópole, cerca de 90 mil escudos durante a comissão, desse para remodelar a velhinha casa, que o sogro tinha feito, sem casa de banho, sem água canalizada, nem eletricidade. Havia, apenas, uma torneira no quintal. Mas, mesmo assim, o dinheiro não deu para ligar a eletricidade do poste exterior para dentro de casa: 7.500 escudos, pagos com os últimos ordenados da tropa. A esposa teve de fazer de servente, muito tendo trabalhado, para ter uma casa com comodidades e dar ao marido, ainda mais alegria à sua chegada. Quando lhe perguntou do que é que ele tinha gostado mais, a resposta foi: “a casa de banho”

Aqueles que nascem, onde já há todas as condições, não sabem dar valor ao que é subir a vida a pulso.

Ainda há pessoas que se questionam se vale a pena estudar! Sem dúvida, que vale a pena estudar, mesmo que não contribua para uma melhoria material, o ganho pessoal, não há dinheiro que o pague. Assim, devemos investir tudo o que podermos na educação dos filhos ou netos, porque é um investimento que não podem vender nem hipotecar, só o podem usar

Quando regressou da guerra, o José continuou a estudar. A mulher atou-o ao mar, e ele não se quer libertar. Ainda trabalhou, perto de casa, ano e meio, mas arranjou trabalho em Lisboa, a ganhar quase o dobro, o que fez com que se tenha sacrificado a perder quatro horas, por dia, em transportes, por mais quase trinta anos

Viver nove anos em Lisboa, foi um grande privilégio, porque tinha tudo à mão: cinemas, teatros, museus, jardins ……………

Quem estiver interessado em saber mais, sobre a vida militar dele, pode fazê-lo em: https://socieadeperfeita.blogs.sapo.pt -  Mazelas

    

José Silva Costa

 

 

 

     

 

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publicado às 07:59

À espera de embarque

por cheia, em 27.11.20

As mazelas da guerra

Continuação

 

À espera de embarque

Na última semana que estivemos no Umpulo, a PIDE inundou as mesas do nosso refeitório com panfletos a aliciarem-nos para ingressarmos nos seus quadros, com o fim de darmos instrução aos flechas, mas ninguém aceitou tão tentadora oferta

Só reparei no vencimento: 8.000,00 angolares, podendo metade ficar na Metrópole, em escudos. Por dinheiro nenhum ficaria na PIDE, quando regressei tive de aceitar um emprego a ganhar 2.000 escudos

Desde que fui trabalhar para o lugar de frutas e hortaliças, que fiquei a saber o que a PIED fazia Todas as manhãs, alguns dos operários, da Imprensa Nacional, iam ao estabelecimento “ matar o bicho”, e nas noites em que eram visitados, de manhã, diziam-nos quantos é que tinham ido presos

Chegou o tão esperado dia de deixarmos o palco das operações e irmos para um local seguro, onde aguardaríamos o embarque, para regressarmos à Metrópole

Dissemos adeus ao Umpulo, com a alegria estampada nos rostos de quem ia para o paraíso

Voltámos para Nova Lisboa, mas a ansiedade voltou, porque nunca mais chegava a ordem para irmos para Luanda, para embarcarmos, para voltarmos para as nossas casas

Cada um matava os dias como podia, ou fazendo o que mais gostava, como sempre, o futebol tinha muitos adeptos, fazendo com que muitos fossem, todas as noites, jogar futebol de cinco, no Pavilhão Desportivo da Cidade

Uma manhã, quando cheguei ao quartel, informaram-me do horrível acidente, da noite anterior, em que um condutor enfiou um jeep debaixo de um Unimog, também da nossa Companhia, que estava estacionado fora da faixa de rodagem, avariado

O condutor, felizmente, mais uma vez, saiu ileso, já tinha acionado uma mina, tendo sido projetado a 10 ou 15 metros, sem qualquer beliscadura. Mas, naquela noite, o Torres e o Ramos morreram de imediato

O Torres, como era conhecido, por ser da região de Torres Vedras, o nosso melhor futebolista e o Furriel Ramos não resistiram ao embate. Mais 2 mortes num acidente!

Ainda que de noite, mas numa reta, como é que o condutor foi enfiar o jeep na outra viatura, parada, na berma?

Estaria o condutor alcoolizado! Mal dito álcool, que tanto foi usado, para nos anestesiarem.

Do Torres, pouco sei, mas do Ramos, sei que era filho de emigrantes, em França, era funcionário da Câmara Municipal de Lisboa, estava tão contente, por ter um emprego à sua espera, enquanto muitos de nós tínhamos à nossa espera os nossos familiares

Finalmente chegou o tão esperado dia, saímos de Nova Lisboa para Luanda, onde nos esperava o barco Vera Cruz, foi uma alegria imensa!

Foi ao final do dia, mal o barco se fez ao mar, a Companhia reuniu para o Furriel Enfermeiro nos informar que depois do jantar, nos iria dar vários comprimidos, que nos atordoariam durante 24 horas, mas que era indispensável que os tomássemos, para prevenir futuras doenças, foram 24 horas de agonia, mas deu resultado, durante alguns anos nem um constipado

Dias depois, o barco atracou no Funchal, Ilha da Madeira, foi a primeira saída de passageiros

Os camaradas madeirenses prometeram levar-nos a comer filetes de peixe-espada preto, uma delícia! Depois cada um foi para seu lado, aproveitei para ir ver um pequeno aquário, não muito longe do cais, tive receio de ir para longe, porque tínhamos poucas horas para estar em terra

Mal acabaram de descarregar as bagagens, seguimos viagem, chegámos ao Tejo, numa madrugada, ficámos ao largo. Não consegui dormir, quando amanheceu, começámos a ver a cidade: estava linda, nunca a vira assim!

Assim que o barco atracou, saímos, abraçámos os familiares. E pouco depois fomos transportados para o quartel.

Já não me lembro o que fui lá fazer, os soldados, acho que foram entregar a farda, a minha, como a tinha pago, fiquei com ela, a minha filha mais velha é que acabou com ela, gostava de vestir o blusão e colocar a boina.

Não sei se foi nessa ocasião que nos entregaram a Caderneta Militar. Lembro-me de nos terem dado uma morada para, no caso de adoecermos durante um determinado tempo, nos dirigirmos.

Foi um dia de muitas emoções, tão desejado, despedimo-nos cheios de alegria e felicidade.

 

 

Continua

 

 

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publicado às 08:03

Velocidade!

por cheia, em 29.10.19

A viúva negra

A viúva negra, como, pelo Bandarra, foi batizada

Está por todo o lado, onde passam os carros

Autoestrada, estrada, e até na rua, cansada

Sempre à espreita de quem, o código, não respeita

Não escolhe entre géneros nem idades!

Mas não gosta de ser desafiada

Aplica uma pena pesada

E, há muito quem goste de a desafiar

Jovens irreverentes, pouco prudentes, irresponsáveis

Mas, também, pessoas de todas as idades

Que gostam de beber, de acelerar, comunicar

Como conduzir não exige atenção e concentração!

Aproveitam para, as mensagens, enviar

Falar ao telefone e ver o facebook

Como a viúva negra é insaciável

Pagam caro o deslumbramento

Com a própria vida, ou ficam com ela, presa por um fio

Como se as estradas não se tivessem transformado em granadas

Os carros não atingissem velocidades escusadas

E, as pessoas não gostassem de sair disparadas.

 

Hoje, comemora-se o quinquagésimo ano do email

Por favor, nunca envie nem leia emails, enquanto conduz.

 

José Silva Costa

 

 

 

   

 

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publicado às 19:02

Há 50 anos

por cheia, em 14.07.19

Há 50 anos

 

A Lua não nasceu

A manhã não amanheceu

O Sol desapareceu

O país não dormiu

Desaguou no Cais da Rocha do Conde de Óbidos

O monstro estava atracado

Preso com grossas correntes

Com receio que fosse ao fundo

Com a ira daquela gente

Toda vestida de preto

Exceto os que iam embarcar

Os jovens não se queriam apartar

As mães apertavam os filhos, ao peito

Como se quisessem, de novo, esconde-los, no ventre!

Vinte anos a criá-los, para os perderem, para sempre

O monstro rugiu

O cais estremeceu

O Tejo encolheu

O Atlântico embraveceu

As mulheres olharam, para o céu

Desfaziam-se em lágrimas e gritos

Os seus filhos, maridos, irmãos, cunhados, sobrinhos, afilhados; afastaram-se

Os militares ocuparam os seus lugares

Para começarem a entrar, naquele que, para a morte, os ia levar

Não foram suficientes para o abarrotar

No dia seguinte aportou ao Funchal, na Ilha da Madeira

Também o Arquipélago da Madeira ficava sem a sua maior preciosidade

Os seus filhos!

Dali em diante, O Vera Cruz, estava em competição com a Apollo 11

Para ver quem chegava primeiro

Se ela à Lua, se ele a Luanda

Ela ganhou, por um dia.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 17:45

Massacres!

por cheia, em 22.02.18

Ghouta Oriental (Síria)

 

Mais um massacre

Feito por quem pelos outros não tem respeito

Tantos homens, mulheres, crianças mortas, ficando sem peito

Os tiranos não sabem o que é o direito!

Aqueles que os elegem não sabem o que vai ser feito

Não se importam de fazer dos mortos o seu leito

Nenhuma guerra, massacre, genocídio, tem jeito

Amar, ajudar, falar e tentar compreender o outro é que é perfeito

As guerras, por muitas convenções que existam, não têm preceito

Cada um comete as maiores atrocidades que pode, não se importando com as regras a que está sujeito

Por que razão a Rússia e os Estados Unidos mandam no mundo inteiro?

No caso da Síria, para além dos dois mencionados, ainda há muito parceiro

Que continua a querer matar um país inteiro (Turquia, Irão …)

Dividam o mundo como quiserem

As pessoas não querem, às vossas mãos, morrerem

Fechem as fábricas que alimentam as guerras

Utilizem os recursos que gastavam nas guerras para alimentar os pobres

Deixem-se de massacres, genocídios, limpezas étnicas

Antes de mandarem canhões e aviões disparar

Interroguem-se se gostariam que fossem os vossos filhos e netos os alvos

As guerras nunca serão solução

O que os povos querem é compreensão, amor e pão.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 19:55


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