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Poder & vaidade

por cheia, em 13.02.23

 

Terramotos e guerras

 

Tanta morte, tanta dor

Muitos milhares de mortos, um horror!

Tanta destruição, em mais de uma nação

Numas é a loucura dos homens, com a sua desmesurada ambição

Noutras são as leis da natureza ajustando as suas posições

Sem quererem saber dos prejuízos, dos aís e das aflições

Sem quererem saber se são homens, mulheres, crianças ou mães

Os que não morrem ficam em terríveis condições

Sem casa nem pão, ao frio, na escuridão, à espera do que lhes darão

Não nos chegavam as desgraças que não dependem da nossa mão?

Por que razão as armas conseguem exercer tanta sedução?

Porque têm o poder que todos queremos ter

Ser mais forte que o outro, poder mandar, poder ser admirado, respeitado

Não por o que sou, mas pelo poder que tenho, pelo medo que consigo transmitir

Pelo mal que posso provocar, e de que muitos se conseguem orgulhar

E não vale apena apelar a mudanças para que todos sejamos humanos

Porque tem sido assim ao longo dos séculos, sem grandes alterações

Quando já estávamos esperançados que a Europa tivesse aprendido alguma coisa com as Grandes guerras, voltou a loucura, a destruição, a dor, a morte…………

Com falsos pretextos de que se sentem intimidados, de que vão socorrer quem quer uma parcela de terreno, para poder ser Presidente, nem que para isso tenha de matar muita gente

Estamos sempre prontos para apoiar guerrilhas de independências, de separações, nem que sejam de Freguesias, não para melhorar a vida das pessoas, mas para alimentar as nossas vaidades

Quem é que não quer ser Presidente, seja do que for?

Como se o diálogo não servisse para nada, e muitas vezes não serve, porque quem tem o poder mantem a arrogância de não responder. É tão bom mandar!

Quando assim é, só o som das armas o consegue acordar

Depois, o difícil é calá-las!

 

José Silva Costa

 

  

 

 

  

 

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publicado às 07:50

Amor & guerra (32)

por cheia, em 11.06.21

Amor & guerra (32)

A Miquelina detetou um caroço numa mama, foi ao médico, fez análises, e os resultados não podiam ser piores: tinha um cancro maligno

Ela e o Carlos ficaram petrificados com a revelação dos exames. Não queriam que o Miguel soubesse. Mas o segredo não durou muito tempo, porque o semblante deles não conseguia disfarçar o que os atormentava. Ao fim de muito questionados, tiveram de dizer, ao Miguel, o que os preocupava

O Miguel tentou animar a mãe, dizendo-lhe que já havia cura para o cancro. Mas nada a animava, aquela notícia era como se a tivessem condenado à morte

Logo agora, é que tinha de lhe aparece aquilo, a um ano do filho ir para a Universidade, tanto que queria ver o filho chegar a engenheiro

São daquelas notícias que mexem com toda a família, ninguém consegue ficar indiferente ao diagnóstico de que tem um cancro.

A Sara estava com receio que, quando chegasse a resposta do Ministério do Exército, a mãe descobrisse que andava a procurar o pai, mas como chegava a casa, antes da mãe, tinha a possibilidade de ir ver o correio e receber a resposta, sem que mãe soubesse

Todas as tardes, quando chegava a casa, ia ver a caixa do correio, até que chegou a resposta do Ministério do Exército, que dizia não a poderem ajudar, que tentasse obter mais informações, para poderem procurar o que pretendia

Nada a demovia, ia continuar a procurar encontrar o pai, o próximo passo seria conseguir obter a lista dos militares, que viajaram no primeiro barco, que chegou a Luanda, depois do massacre, que deu início à guerra, em 1961

Muitas vezes interrogava-se sobre a quantidade de filhas e de filhos que os militares deixavam, por onde passavam, sem se preocuparem com o seu futuro. Às mães cabe carrega-los no seu ventre nove meses, pari-los, criá-los e encaminhá-los, tudo fazendo para que sejam felizes    

Passados alguns dias de aulas, a Sara perguntou, a uma colega, quem era a rececionista Miquelina, dirigiu-se à receção e apresentou-se, dizendo que era a Sara, a filha da Bárbara, que tinha estado a falar com ela. A Miquelina disse-lhe que tinha muito prazer em conhecê-la, chamou o filho e apresentou-lho

Quando chegou a casa, disse à mãe, que tinha ido falar com a Senhora Miquelina, e que ela lhe tinha apresentado o filho, que era muito bonito e simpático, e que se  chamava Miguel

A Sara e o Miguel tornaram-se muito amigos. Para ela foi muito bom, porque foi mais fácil a sua integração, passando a integrar o grupo de amigos do Miguel, deixando de andar sozinha, como aconteceu nos primeiros dias, enquanto não foi falar com a Miquelina

Estava encantada com a nova escola. Os amigos, assim que souberam que tinha vindo de Angola, não paravam de lhe fazerem perguntas sobre a antiga colónia e sobre a guerra, tornando-se a mascote do grupo

O Miguel, quando soube da doença da mãe, passou a andar muito triste, quando não estava na sua presença, junto dela, tentava manter-se  alegre e confiante na cura do cancro.

Continua

 

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publicado às 07:52

Horror!

por cheia, em 24.10.19

A quem morreu por sonhar

 

A vida, pelo sonho

 

O sonho comanda a vida

Sonham com a liberdade

Respirar em liberdade

Trabalhar em liberdade

Escolher em liberdade

Viver em liberdade

Dormir em liberdade

Estudar em liberdade

Fugir da arbitrariedade

Ter personalidade

Fugir da pena de morte

Fugir da prisão perpétua

Deixar de ser, só, mais um

Poder sonhar voar

Poder decidir

Poder ir à lua

Poder dormir, livremente, na rua

Para tudo isto fazer

Só uma coisa pode acontecer

Fugir!

E, há sempre, alguém que queira ajudar

Que nos proponha, num camião, viajar

A melhor maneira de, num país livre, entrar

Quando não temos autorização, para lá estar

Mas, esqueceram-se de, o frigorífico, desligar

Todos os sonhos ficaram por realizar

Quantos sonhos acabaram por matar!

Mas, os sonhos nunca vão acabar.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 22:26

As imagens!

por cheia, em 01.07.18

As imagens

 

As imagens da televisão

Bem avisaram que não eram

Para que tem coração

Infelizmente, todos os dias morrem bebés!

Mas, não os mostram na televisão

As imagens destes três, vão-me atormentar

Durante muito tempo, a toda a hora, a todo momento

Olhos que não veem, coração que não sente

Como é que há gente?

Que se recusa a enfrentar este problema, de frente

O maior cemitério de sempre!

Não consegue incomodar, quem vive comodamente

Preso no egoísmo do seu ambiente

Cercado de uma realidade que não mente

Vai-se empanturrando de ódio, na mente

Tentando convencer-se que é feito de matéria diferente.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

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publicado às 17:12


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