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Arranjinhos!
Concurso especial de acesso ao Mestrado Integrado de Medicina da Universidade do Porto
Um Mestrado para licenciados, com regras da Faculdade de Medicina do Porto
Com nota mínima de 14 valores
Dos 37 admitidos ao concurso, só 7 conseguiram a nota mínima ou mais
Mas, não se sabe por que razão decidiram baixar a nota para 10 valores, para integrarem os 30, que não conseguiram os valores mínimos
Muito menos de quem foi a decisão, e o mais estranho é que ninguém tenha contestado, que se saiba, as regras a meio do jogo
Como não há duas sem três, quem é que assinou os documentos enviados aos reprovados, dizendo que estavam colocados?
Mais estranho, ainda, é que o Ministro da Educação estivesse pronto para a abertura de mais 30 vagas
Não fosse o Reitor ter dito que cumpria a lei, e a Inspeção Geral de Educação e Ciência, que concluiu que não existia base legal para a abertura dessas vagas, o arranjinho talvez se tivesse consumado
Para os que estão muito indignados por este assunto ter vindo a público, ainda bem que o país ficou a saber do que alguns são capazes de fazer para não cumprirem a lei
Ao contrário do que dizem, nunca é a transparência, que fragiliza as instituições. Mas, o compadrio, as ilegalidades, a opacidade.
José Silva Costa
Os negros anos da ditadura
Reedição
Coadjuvada por uma cega censura
Tendo como braço armado a sanguinária PIDE
Auxiliada pelos informadores e os Legionários
Abençoada pela Igreja Católica
Que ao longo dos séculos tem estado, sempre, ao lado dos ditadores
Encobrindo e colaborando nos seus horrores
Onde os veneráveis eram os senhores doutores
O povo na miséria, amordaçado, barbaramente explorado
Por um ditador insensível, obcecado pelo ouro
Em vez de desenvolver o país, para bem do povo
No fim da segunda guerra mundial, viu-se pressionado e envergonhado
Teve receio que, com o movimento para a recuperação da Europa, fosse apeado
Tentou implementar um programa de alfabetização, mas não tinha professores, nem escolas
Criou os postos escolares, entregues a professoras-regentes, apenas com a quarta classe
Que só podiam casar com autorização do Ministro da Educação
A instrução Primária terminava aos doze anos, fosse qual fosse o ano escolar, que se tivesse
Como as escolas levavam tempo a construir, pediram para as famílias cederem casas, para serem utilizadas como escolas
Foi no Monte do Lobato, extremo Sul do Distrito de Beja, em outubro de 1951, com seis anos, acabados de fazer, que as letras e os algarismos comecei a aprender
Numa casa, onde, também, vivia a professora, numa sala com duas mesas e oito cadeiras, dos donos da casa
Só no ano seguinte, em fevereiro ou março, já não sei bem, é que a Câmara Municipal de Mértola mandou a mobília para a escola, transportada numa carroça
Só a terceira professora nomeada, para iniciar aquele posto escolar, aceitou o lugar
Não conseguiu mais do que uma dúzia de alunos, mesmo que tenha ido connosco, pelos campos e montes, dizendo que era obrigatório mandarem os filhos para a escola
As respostas foram sempre as mesmas, de que os filhos tinham de ajudar os pais, nos trabalhos do campo
No ano seguinte, não sei por que motivo, a escola mudou para o Monte da Corcha, acerca de 2 KM, para uma casa, mesmo ao lado da minha, onde conclui a instrução primária
Mais tarde, já eu não morava no Monte, porque assim que fiz a quarta classe, saí de casa dos meus país, para ir trabalhar, construíram uma escola, funcionou poucos anos, porque com o despovoamento do interior, todo o ensino foi deslocado para as sedes dos Municípios.
José Silva Costa
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