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Terça-feira, 04.09.18

Cabecinha pensadora

Cabecinha pensadora

 

Num tempo em que todos morrem de amores pelo Interior

Quando todos dizem querer ajudá-lo a sair do inferior

Aparece um autarca a exigir que os passes dos transportes públicos baixem

O que é uma coisa boa!

Mas, pediu esta medida, só, para a sua Câmara e arredores

Custeada pelo Orçamento Geral do Estado

Corroborando a ideia, que se esperava apagada, de que Portugal é Lisboa, o resto é paisagem

Portanto, o Interior pode continuar a contar com o apoio de todos, mas só com beijinhos e abraços

No Interior, em muitas localidades, nem transportes públicos existem, quanto mais passes!

Na capital há escolhas, no Interior, muitas vezes, a única escolha é o carro de aluguer

Por causa das cabecinhas pensadoras é que o Interior está abandonado

E, as grandes cidades estão a rebentar pelas costuras.

 

José Silva Costa

 

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por cheia às 21:51

Terça-feira, 24.07.18

Asas

Asas – A 380

 

O gigante dos ares aterrou, pela primeira vez, em 23/07/2018, no aeroporto de Beja, o único em território nacional, com capacidade para o acolher

Beja está a ganhar notoriedade, num país pequeno, onde muitos não conseguem ver para além da sua rua

Se temos uma infraestrutura, que faz a diferença, qual a razão para não aproveitá-la?

A mesma de sempre: está localizada no interior!

Senhores políticos deixem-se de provincianismos bacocos e complexos de inferioridade

Lisboa será sempre a capital, mas o resto não será só paisagem, se não continuarem a desfazer o que está bem, só para alimentarem as vossas vaidades

Não conseguiram encontrar melhor maneira de compensar o Porto, por não ter conseguido que a Agencia do Medicamento viesse para a Cidade Invicta, do que dar cabo do Infarmed?

Honrem a morte de mais de uma centena de pessoas, desenvolvendo todo o país, pensando no bem das pessoas, e não no vosso umbigo

Passam o tempo a cantar êxitos, mas continuamos na cauda da Europa!

Para além de sermos um pequeno, pobre, país, os políticos estragam o pouco que temos

Fazem, desfazem, ficam sempre com a maior parte

Para quando as mil vezes anunciadas leis, para dificultar a corrupção?

 

 

José Silva Costa

 

 

 

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por cheia às 22:12

Domingo, 16.10.16

Pregões

Lisboa, quanto mais velha, mais rapariga

Nos meados do século passado

Atrasada, sem brilho, nem fachada

Fechada no orgulhosamente só

Eras uma capital sem atração fatal

Nada de genial: carroças, olarias, tabernas e pregões:

Ferro velho -“Quem tem trapos, garrafas ou jornais para vender”? (comprava de tudo)

Vendedora de figos -“Quem quer figos, quem quer almoçar”?

Aguadeiros de Caneças -“Água fresca, água de Caneças” ( percorriam as zonas nobres da cidade, com camionetas carregadas de bilhas de barro, com água de Caneças )

Varina- vendia peixe -“Oh freguesa, venha cá abaixo ver isto!

É sardinha vivinha da costa” (transportava o peixe, numa canastra, sobre uma rodilha, à cabeça

Ardina, vendia jornais -“Século, Diário da Manhã, República, Diário de Lisboa e Diário de Notícias”

Por causa do pregão dos jornais, conta-se a seguinte anedota

Um compadre alentejano, depois de vender a cortiça, resolveu ir a Lisboa, depositar o dinheiro

Apanhou o comboio, quando se apeou no Barreiro, mal saiu, logo ouviu: cerca o da cortiça, ….

Pensando que o queriam roubar, voltou para o comboio. Quando chegou a casa, contou o que lhe tinha acontecido.

As lavadeiras de Caneças com as trouxas à cabeça, todas as semanas entregavam a rouba lavada e recebiam a suja, para irem lavar

“Um lençol, um corpete, uma camisa, que a freguesa deu ao rol”

Com o aparecimento da máquina de lavar roupa, lá se foi a profissão

As lavadeiras ficaram sem o ganha-pão

As senhoras da fidalguia não trabalhavam, salvo raras exceções

Tinham criadas: uma, duas ou mais

Que viviam nas casas dos patrões

De quinze em quinze dias, ao domingo à tarde, tinham umas horas de folga, para poderem namorar

Como ninguém imaginava como seriam os futuros supermercados

Tudo lhes era levado a casa, pelos marçanos, carvoeiros, leiteiros, padeiros, ardinas, lavadeiras

Que rica vida, comparada com a de hoje, a da fidalguia!

Surgiu a televisão, a esferográfica, o metropolitano, o self servisse e muitas outras novidades

A esferográfica e a sua utilização: um advogado entrou num estabelecimento e gritou, “ com esta esferográfica já se podem assinar cheques e escrituras, foi publicado, hoje, no diário do governo. A caneta de tinta permanente, morreu”

A guerra levou todos os jovens para o ultramar

Os que voltaram não quiseram às suas terras voltar

Carris, PSP, GNR, comércio e indústria, nada de agricultura

Com as fronteiras fechadas, foram a salto para França, Suíça, Alemanha

Com as sus poupanças engordaram a Banca

Não faltavam anúncios, nas montras dos Bancos, anunciando a galinha dos ovos de oiro: as ações

Naqueles tempos, já o suplemento o Diário de Lisboa: a Mosca, lhes chamava, por palavras codificadas, os donos disto tudo

Neste jardim à beira mar plantado, tudo tinha de ser codificado, para que, pela PIDE, não fosse, apanhado   (PIDE: polícia Internacional de defesa do Estado)

Da liberdade, só nos tinha ficado, a da avenida” ( Avenida da Liberdade)

Liberdade, liberdade, quanto sangue e lágrimas nos, fizeste, derramar?!

 

 

 

 

 

 

 

 

      

 

 

 

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por cheia às 16:07

Sábado, 24.09.16

Lava-lhe os joelhos

Lisboa

 

Lisboa está, cada vez, mais encantadora

Do búnquer do século passado

Para a mulher sofisticada à procura de namorado

Não deixava o Tejo ver-lhe os artelhos

Agora lava-lhe os joelhos

O Marquês é que não tem sorte

Por mais túneis que construam

Não se livra do fumo dos escapes dos automóveis

Oito e oitenta: um mar de gente

Lisboa internacionalizou-se de tal maneira

Que o difícil e ouvir falar português

Quem, nela aterre desprevenido

Pode pensar que o avião foi desviado

Que Portugal foi comprado!

O que não é errado

Já vendeu tudo

E continua, cada vez, mais endividado

Habituámo-nos ao fiado

Todos os dias vamos ao mercado

Pedir dinheiro emprestado.

 

José Silva Costa

 

 

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por cheia às 22:36


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