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Abandono!

por cheia, em 21.07.22

Abandono!

Chamas venenosas por todas as encostas

Aceleradas pelo vento, matam tudo por onde passam

As pessoas assistem, indefesas, ao roubo de bens e vidas

Rezam, mas as chamas não as ouvem e continuam com as suas investidas

As lágrimas sulcam-lhes as faces e inundam as rugas

Como se quisessem apagar as chamas

Arderam os animais, as plantas, as casas e as camas

O trabalho de muitas vidas, em pouco tempo, desaparecido

Nos choros sustidos, afogam-se os gritos, para não magoarem os sentidos

Corpos abandonados, às dores, vagueiam no fumo espesso dos horrores

Um silêncio aterrador inunda os campos ardidos

Todos os anos se repetem as tragédias dos incêndios

Abandonados e vergados pelos anos não conseguem retomar a vida

Se ninguém os ajudar, em breve vão definhar

Ninguém aguenta voltar a perder tudo quando se estava a reerguer

Os políticos papagueiam, como se soubessem tuto

Têm o seu sustento garantido, com o rendimento certo ao fim do mês

Saberão quão duro é arrancar, da pouca e pobre terra, o sustento?

Não é com palavreado, nem discurso estafado, muito bem preparado

Mas com muito trabalho, suado, à chuva, ao frio, ao sol

Sob o peso dos impostos

Para um dia perderem tudo

Que, para muitos, é nada!

Uns tarecos velhos, sem utilidade

Para os que vivem em palácios

Que conhecem o mundo

Que nunca precisaram de contar os cêntimos

Que não sabem nada

Do trabalho necessário, para produzir os seus alimentos.

José Silva Costa

 

 

 

 

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publicado às 07:56

Adeus Junho!

por cheia, em 30.06.22

Adeus junho, até para o ano!

 

Junho está a terminar

O mês dos Santos Populares está a acabar

Foi um mês de muita folia e alegria

Como que uma preparação para as férias

Estamos todos desejosos de recuperar o tempo perdido

Parece que não aprendemos, com a pandemia, o devido

Continuamos nas correrias, como se nada tivesse acontecido

Para além da pandemia, estamos a sofrer as consequências de uma guerra

Continuamos “ naquele ingano d´alma ledo e cego/ Que a fortuna não deixa durar muito…” (1)

Não podemos ser só cigarras, também temos de ser formigas

O verão passa num ápice

O outono e o inverno podem ser frios: um inferno!

Temos de nos preparar para os novos tempos

A falta de energia pode ser um grande contratempo

No verão, ainda, podemos dormir ao relento

Mas no inverno o melhor é termos um bom teto

O que todos os pobres ambicionam

Onde possam, as poucas horas de descanso, passar

Como é bom termos uma casa para nos acarinhar!

Todos os dias quando chegamos cansados do trabalho, do duro dia

Num mundo tão desigual muitos nunca, esse carinho, vão saborear

Nem sequer têm uma almofada onde o sono deitar.

José Silva Costa

 

  • Lusíadas, canto III, estrofe 120

 

 

 

 

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publicado às 07:59

Folhas caídas

por cheia, em 04.10.21

Folhas caídas

 

O vento a uivar pelas esquinas

As árvores a tiritarem de frio

Despidas, com o céu vazio

À espera do último arrepio

Sem folhas, mas aprumadas de brio

O vento com o seu assobio

A avisar, que o tempo é esguio

Que a água procura o rio

Com pressa de, ao mar, chegar

É aí que quer ficar

Até as nuvens a voltarem

A derramar, novamente, sobre a terra

Assim se completa mais um ciclo da água

Folhas caídas, árvores despidas

Alamedas atapetadas de folhas molhadas

 Que perderam o brilho, estão amarguradas

Destroçadas por serem espezinhadas

De um dia para o outro perderam a sua função

Tiram-lhes o coração

Agora, são lixo no chão

Choram, perderam a ilusão

De que eram úteis e eternas

Perderam as pernas, perderam tudo

Não voltam a vestir as árvores

Não voltam a ter a admiração do Mundo.

 

José Silva Costa

 

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publicado às 07:54

Branco

por cheia, em 11.01.19

Frio

Um frio seco cortante

Mais branco que diamante

Deixa-nos num incómodo constante

Gela-nos como morte galopante

Não creio que tenha amante

Porque ninguém gosta de uma companhia tão deselegante

Pronto a gelar tudo num instante

A mandar, para o hospital, um montante

Para matar alguma bicharada é importante

Funciona como um bom desinfetante

Para a planta do trigo é radiante

Faz com que a raiz seja pujante

Não gosta do elefante

Tem um poder muito refrescante

Para uns, dignificante

Para outros muito irritante.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 20:38

O vento

por cheia, em 29.10.18

O vento

Vento, não faças, das desgraças, o teu sustento

Fazendo com que os pobres durmam ao relento

Modera a velocidade do teu andamento

Quando beijares, as pessoas e os seus bens, não sejas tão violento

Não queiras ser o mau do tempo

Atirando a chuva e o frio contra o nosso corpo adentro

Aplica toda a tua força na produção da energia eólica

Uma energia limpa e perfumada

Um presente para o futuro

Vindo da natureza, cheio de ar puro.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

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publicado às 19:30


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