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" O testamento"

por cheia, em 20.11.20

As  mazelas da guerra

Continuação

 

O testamento

Como já estávamos habituados a dar proteção na abertura de picadas, lembraram-se de nós, para desta vez, darmos proteção à Engenharia Militar, na abertura de uma estrada

Todos os dias levavam as três máquinas utilizadas na obra, e nós mobilizávamos um pelotão para fazer a proteção

A obra foi interrompida por uns 15 dias, o que fez com que ficássemos preocupados com o recomeço dos trabalhos, porque estávamos com receio, que durante aquele interregno colocassem minas

Coube me, na ausência do Alferes, comandar o pelotão, no dia do recomeço da obra

Combinei com o condutor da Berliet, que iriamos os dois, à frente, seguindo as outras viaturas atrás para, na eventualidade da estrada estar armadilhada, reduzirmos as suas consequências

Assim, decidimos retirar, da carroçaria da viatura, tudo o que não fosse essencial, cobrimo-la com sacos de areia, na tentativa de evitar levar com estilhaços, caso acionássemos alguma mina, felizmente não tinham colocado minas

Quando entrei para a viatura, perguntei ao condutor se já tinha feito o testamento, já tínhamos brincado com o assunto, enquanto estávamos a preparar a viatura para aquela missão, foi uma maneira de tentar desanuviar o ambiente, embora estivéssemos preparados para tudo, não conseguíamos fugir ao nervoso miudinho do medo

Poucos meses depois, a nossa comissão acabou. Depois, da comissão acabar, era muito difícil mantermo-nos motivados para continuar a ir para o mato, todos sentíamos que já tínhamos cumprido a nossa obrigação, só queríamos ir para um lugar seguro, como se houvessem lugares seguros! O queríamos era embarcar para a Metrópole

Os últimos meses tinham sido muito difíceis porque, nós, os graduados, tínhamos tido um aumento do vencimento, mas esqueceram-se de aumentar o vencimento dos soldados, o que causou alguma revolta, e com razão, fazendo com que ouvíssemos: que fossemos sozinhos para o mato.

 

Continua

 

 

 

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publicado às 07:59

Ilusão!

por cheia, em 31.01.20

Tanta loucura

Para uma noite dura

Para uma calamidade sem idade

Num golpe de vento

Que leva o tempo

Ninguém te ajuda

Porque não há levedura

Tudo foi gasto em embelezamento

Para enganar o coração

No calor de meia dúzia de minutos de engano

Colocaste toda a esperança de um ano

Agora, fechas as portas e os portões

Das escolas em degradação

Choras, nos corredores dos hospitais

A sua lotação

Esbracejas contra o Tribunal de Contas

Por não autorizar a compra de medicamentos

Porque os Hospitais estão endividados

As famílias e o Estado, também

Vamos, lá continuar a atirar os euros ao ar

São tão fáceis de gastar!

E, os Governos gostam tanto de nos agradar

Desde de não seja preciso pensar

Nem fazer coisas que sejam para durar

As infraestruturas podem muito bem esperar.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

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publicado às 16:18

Granadas!

por cheia, em 20.06.19

Civismo

Somos um povo um pouco indisciplinado

Nem sempre cumprimos as regras

Poderíamos ser mais educados

Há, até, quem faça chacota dos que tentam cumprir!

Gostamos de desafiar as proibições

Não respeitamos as recomendações

Mesmo que haja passadeiras para peões

Atravessamos em qualquer lado, sem precauções

Quando acompanhados de crianças

Deveríamos dar, sempre, o exemplo

Infringimos as regras com o maior descaramento

Ultrapassamos os limites de velocidade

Seja na autoestrada, seja na cidade

Sempre ao telemóvel

Lemos as notícias e escrevemos mensagens ao volante

Vemos as fotografias no face-book, em andamento

Como se não estivéssemos a conduzir uma armam mortífera!

As estradas transformaram-se em granadas

Prontas a rebentarem a qualquer momento

Não temos tempo para nada, estamos sempre atrasados

Acelerados, arriscamos numa ultrapassagem, mal medida

Chocamos de frente, perdemos a vida, ou tiramo-la a outro

Ficamos numa cadeira de rodas, acabam-se todas as pressas!

Se não formos rigorosos, se não dermos o exemplo

Não contribuiremos, para um melhor comportamento

As estradas não podem continuar a ser um campo de batalha

Onde tudo é permitido e tudo falha.

José Silva Costa

 

 

 

 

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publicado às 17:07


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