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Amor & guerra (23)

por cheia, em 14.05.21

Amor & Guerra (23)

A Bárbara e a Sara continuavam a descobrir a bonita cidade de Lunda, tendo como guia o Firmino, que estava admirado da Bárbara não ficar grávida

Não sabia como abordar o assunto, uma vez que ela já tinha tido a Sara, talvez o problema não fosse dela. Quando, ainda, não provaram que são reprodutivas, o que se pensa é que o problema é da mulher, o que não era o caso da Bárbara, que já tinha dado à luz uma linda menina

Mas, como desejava muito ter uma filha ou um filho dela, teve de se encher de coragem e dizer-lhe que estranhava ela não ficar grávida

Ela disse-lhe que, também, estava admirada. Mas, como já tinha tido a Sara, não lhe tinha dito nada, porque o problema poderia não ser dela

Perguntou-lhe se se lembrava de ter tido papeira. Respondeu-lhe que tinha tido e que estivera muito mal

Aconselhou a ir ao médico, para ver o que dizia, e se lhe mandava fazer exames, porque quando a papeira atinge os testículos, pode provocar a infertilidade

Quando pensou que o problema poderia não ser dela, não sentiu a tristeza, que se abateu sobre ele, quando ela lhe disse que a papeira provocava  infertilidade, coisa que não sabia

Decidiu marcar uma consulta, queria ter a certeza, se podia ou não ser pai, o que tanto desejava

Foi ao médico, que lhe prescreveu as análises. Feitas as análises, estava ansioso que chegasse o dia de saber os resultados. A Bárbara tudo fazia para o animar. Mas, nada o animava, desde que soubera, que a papeira lhe poderia ter provocado a infertilidade, que não era o mesmo homem

Ao receber os resultados, o pior cenário concretizou-se, não poderia ser pai. A Bárbara tentou suavizar-lhe a dor, dizendo que já tinham uma linda filha, e que ela nem conhecia outro pai

O Firmino concordou, a partir daquele momento, a Sara seria a única filha deles, e tudo faria para ser um pai exemplar

Daí em diante, a alegria voltou a reinar, era preciso aproveitar todos os momentos com a sua rainha e a princesa, tinha de lhes proporcionar dias felizes

Só não podiam passear mais tempo juntos, porque a Sara não podai faltar às aulas, como aluna exemplar e muito inteligente, tinha um lugar guardado numa das melhores Universidades

Na cabeça da Bárbara e do Firmino já se construíam grandes cenários, para o futuro brilhante da Sara, enquanto ela ainda estava completamente descansada sobre o assunto, não sabendo, ainda, o que escolher para o seu futuro

Muitos pais não deixam os filhos ser crianças, sobrecarregam-nos, com tantas atividades, extra curriculares não permitindo que brinquem em liberdade, não tendo oportunidade de saborear o ar livre, da rua

Hoje, os bebés nascem, já, com um horário a cumprir, têm de se levantar cedo, para irem para o berçário, não os deixam dormir até o sono sorrir.

Continua.

 

 

 

  

 

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publicado às 07:58

Fado

por cheia, em 02.01.21

Carlos do Carmo deixou-nos

 

O País está de luto

Lisboa ficou viúva

Perdeu o seu cantor

É tão grande a sua dor!

Ela era a sua flor

Aquele que mais a cantou

Que a todos encantou

Cada esquina o escutou

Lisboa, com ele, dançou!

Ruas e vielas, com ele, ficaram mais belas

Hoje, ninguém saiu à rua!

A cidade ficou nua

Lavada em lágrimas, chorou em casa

Não se conforma com a perda da sua voz

Nos jardins, todas as rosas choram lágrimas perfumadas

Nos seus perfumes, as suas canções, ficarão eternizadas

Nas ruas, praças, colinas e elevadores serão lembradas

Por todos continuarão a ser cantadas

Pelas gaivotas, para o mundo, serão levadas

Para sempre, ficarão gravadas, nas calçadas!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 08:04

Rosas!

por cheia, em 11.02.20

Rosas de Maio

 

Rosas de Maio

Tanto amar

Ventos do sul

Tanta dor

 

Tanto perfume

No chão, derramado

Por rosas de fogo

No Alentejo, queimado

 

Rosas de Maio, por que chorais?

Se todos os anos voltais

Com novos perfumes, mais …..

Só, as humanas não voltam mais!

 

Rosas de ventre inchado

Trarão ao mundo

Tanto bebé inacabado

Que, com leite e ternura, será criado

 

Rosas, por que me deixais?

Triste, sozinho, abandonado

À espera do dia prometido

O dia perfumado

 

Rosas, rosas de Maio

O mês mais perfumado

Por que não vindes, todos os meses?

Trazer-me novas e perfumes do meu amor.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 08:22

Horror!

por cheia, em 24.10.19

A quem morreu por sonhar

 

A vida, pelo sonho

 

O sonho comanda a vida

Sonham com a liberdade

Respirar em liberdade

Trabalhar em liberdade

Escolher em liberdade

Viver em liberdade

Dormir em liberdade

Estudar em liberdade

Fugir da arbitrariedade

Ter personalidade

Fugir da pena de morte

Fugir da prisão perpétua

Deixar de ser, só, mais um

Poder sonhar voar

Poder decidir

Poder ir à lua

Poder dormir, livremente, na rua

Para tudo isto fazer

Só uma coisa pode acontecer

Fugir!

E, há sempre, alguém que queira ajudar

Que nos proponha, num camião, viajar

A melhor maneira de, num país livre, entrar

Quando não temos autorização, para lá estar

Mas, esqueceram-se de, o frigorífico, desligar

Todos os sonhos ficaram por realizar

Quantos sonhos acabaram por matar!

Mas, os sonhos nunca vão acabar.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 22:26

17 e 15

por cheia, em 17.06.18

Os incêndios

 

O dia dezassete de Junho e quinze de Outubro de 2017, não deviam ter existido

A Natureza, passado um ano, vai dando sinais de recuperar

Os rouxinóis voltaram a ouvir-se cantar

O verde, aqui e além vai rompendo, querendo o negro tapar

Mas, os humanos não conseguem recuperar

Há muito desanimo, muita tristeza, por apagar

Como recuperar a perda de um filho? Diz um pai

Para muitos sobreviventes, já nada conta

Tudo acabou com as labaredas, que tudo comeram

Nada, depois de tantas perdas, faz sentido

Apenas esperam que o tempo faça o seu trabalho

Em todos aqueles rostos há demasiada dor

As imagens mostram-nos o horror

Por mais,que todos as queiram esquecer

Elas teimam em permanecer.

 

José Silva Costa 

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publicado às 20:31


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