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No reino maravilhoso do futebol

por cheia, em 03.02.19

No maravilhoso reino do futebol

No princípio do século XXI

Depois do susto do mundo acabar

Os Governantes, tal como hoje, só queriam era festejar

Encheram o Estádio do Jamor de pessoas, a gritar

Deslumbrados com a conquista de, o euro 2004, realizar

Mandaram, todas as bandeiras, desfraldar

Os mais famosos arquitetos foram mandados, os estádios, desenhar

Nada de orçamentos, apontamentos ou outros constrangimentos

Era preciso mostrar ao Mundo, onde é o reino do futebol

Dez estádios novos foram mandados fazer

Sem quaisquer critérios de localização, acolhedores em dias de nevão, onde houvesse população, qual os custos de manutenção

Os doentes da bola ficaram todos contentes

De norte a sul todos foram contemplados

Alguns, com poucos jogos realizados, parecem ter os dias contados

Quase vinte anos depois, continuamos a pagá-los

Algumas Câmaras têm-se visto em palpos de aranha

A Câmara Municipal de Braga viu penhoradas as suas contas bancárias

Porque ainda deve 3,8 milhões à construtora do estádio

Que rico investimento!

Assim fosse, o que fizemos com os comboios usados, que andam a perder os motores!

Pior que ser pobre, é desperdiçar o que temos.

José Silva Costa  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 18:38

Chips!

por cheia, em 14.08.18

Chips!

 

Para onde quer que nos viremos lá estamos, todos, com os chips na mão

Hoje, todos andamos de chip em riste, numa onda de navegação

Com um aparelho do tamanho de uma caixa de fósforos, temos toda a informação

Nos jardins, nos cafés, nos restaurantes, nos comboios, por todo o lado, um silêncio ensurdecedor

Acabaram-se as conversas, as discussões, a troca de opiniões, os dedos substituíram essas funções

Outrora, nos comboios da linha de Sintra, havia grupos de amigos, que viajavam sempre na mesma carruagem

Uns jogavam às cartas, outros discutiam os resultados dos jogos de futebol, falando, também, das agruras da vida

Faziam-se amizades, combinavam-se piqueniques, excursões, emprestavam-se livros

Naqueles bancos corridos, cabia sempre mais um, viajávamos como sardinha em lata

Durante as obras de duplicação da linha assistimos a muitas peripécias

Uma mãe arrancava o filho, da cama, às seis horas, apanhava o comboio em Sintra, para ser entregue à avó, na estação do Cacém

Como não se conseguia chegar à porta, porque os comboios circulavam de portas abertas, a abarrotar, a criança era entregue à avó, pela janela, por quem estivesse junto à janela

Numa viagem, no sentido de Sintra para o Rossio, na estação da Amadora, uma jovem, vendo que não conseguia chegar à porta, baixou a janela e saiu, o contato com o cascalho, foi um pouco violento, porque ela estava no lado contrário ao da plataforma

Também arrisquei um dia, na estação do Rossio, iniciar a viagem, no estribo da porta, apenas agarrado com uma mão, quando na plataforma começaram a procurar melhores posições, quase que me atiravam para a linha, já dentro do túnel

Nunca mais arrisquei, porque poderia ter perdido a vida, para ganhar uns minutos, ainda que me custasse esperar pelo comboio seguinte, pois, eram quatro horas perdidas, nos transportes.

 

José Silva Costa

 

 

 

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publicado às 21:55


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