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Outono!

por cheia, em 22.10.25

Outono

Nestes rudes tempos, indiferente à brutalidade, continuas a tua missão

Recolher as secas folhas, lavar as árvores, para receberem o inverno

Mas, as guerras, essas não param, continuam a alimentar o ódio

Os agiotas continuam a amontoar o dinheiro, vivem do seu cheiro

Tudo inútil, tudo sem futuro, tudo para criar fome, dor e morte

Nunca ouviram o puro choro do nascer de uma criança

A pedir, pão, paz, educação, habitação, futuro sem opressão

Mas, os donos do mundo não as ouvem

Só ouvem o telintar do ouro, como se isso fosse bom para o povo

Mais tarde ou mais cedo chega a chuva e o frio

Os migrantes dormem à porta da AIMA, no conforto do humanismo

Saboreando a nova política de acolhimento com dignidade

Dando um novo e bonito colorido à cidade

O Ministro bem os quer enganar, dizendo que podem utilizar o colo da Internet

Mas, eles o que querem é que lhes resolvam os problemas

Estão fartos de sistemas, da burocracia, da exigência de documentos, sem fim

Assim, preferem dormir nos braços da adorável AIMA, à espera de um milagre

Na confortável cama da discriminação da lei dos estrangeiros

Tão boa, para quem tem muito dinheiro, num país tão interesseiro.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

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publicado às 07:49

As Crianças

por cheia, em 20.11.23

Guerras

É pena que horrores rime com flores

E, também com dores, rancores

E, ainda com impostores, doutores

E, até com professores, nadadores

As guerras são grandes horrores

Que matam inocentes e tenras flores

Que são apanhadas entre rancores

Os monstros matam as bonitas flores

Os monstros não sabem o que são dores

Pelo menos, as que infligem aos opositores

As infelizes tenras flores não sobrevivem a tantos horrores

 

Nas guerras não há flores

Nas guerras há horrores

Nas guerras há muitas dores

Nas guerras não há regras

Nas guerras há só opositores

Nas guerras reina a loucura

A cegueira é mais que pura

O ódio cava a sepultura

Nas guerras não há humanidade

Nas guerras só há brutalidade

Nas guerras as balas não escolhem idade

Nas guerras não há solidariedade

Nas guerras só há mortandade

Nas guerras as crianças morrem antes da puberdade

Nas guerras ninguém diz a verdade

Nas guerras só há maldade

Todos se regem pela vaidade

Quem mata mais é herói

A dor do outro não dói

A dúvida é que mói.

                                          Os meus olhos não aguentam mais ver,

                                            nas guerras, as crianças a morrer.

            

José Silva Costa

 

 

  

 

 

 

 

 

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publicado às 07:47


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