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Amor & guerra (16)

por cheia, em 26.04.21

Amor & guerra (16)

Quando chegaram a Santa Apolónia, em Lisboa, apanharam um táxi, e foram os quatro para o hospital, para, finalmente, verem como estava o Carlos

Assim que chegaram ao hospital, a Mequilina pediu ao plantão para falar com o enfermeiro

Disse-lhe que eram as visitas do soldado número 500, Carlos. Era a primeira visita, e que vinham acompanhados do filho, que ele ainda não conhecia, se poderia arranjar um sítio onde o pudessem ver, porque o menino não podia entrar na enfermaria

Foram encaminhados para uma salínha, onde esperaram pelo Carlos

Pouco depois trouxeram o Carlos, um maqueiro empurrava a cadeira de rodas

A mãe agarrou-se a ele, a chorar, a aperta-lo como se quisesse pegar-lhe ao colo

Ficaram minutos agarrados, sem dizerem palavra, até que ela lhe perguntou por que é que não andava, e ele respondeu-lhe que tinha sido ferido na perna esquerda

A seguir o pai abraçou-o e beijou-o, trocaram poucas palavras. Por último a Mequilina colocou-lhe o filho no colo, ficaram os três abraçados e a beijarem-se. O Carlos estava muito feliz por, finalmente, estar a abraçar o filho e a namorada. Aproveitou para lhe dizer, baixinho, que lhe tinham amputado, à perna esquerda, abaixo do joelho, e que os médicos lhe tinham garantido, que com uma prótese ficaria a andar bem

Carlos sugeriu-lhe que fosse mostrar o filho, aos antigos patrões dela, até podia ser que os deixassem lá dormir, para poder ir visita-lo, no dia seguinte, porque, ainda, tinham muito para conversar, e estariam mais à vontade, sem a presença dos pais dele

Terminada a visita, despediram-se e saíram. Cá fora, a Mequilina informou os futuros sogros, que não os acompanharia no regresso a Braga, porque ia visitar os seus antigos patrões

A Marina mostrou-se surpreendida, mas a Mequilina disse-lhe que tinha sido uma sugestão do Carlos, para poderem visita-lo no dia seguinte

Pela primeira vez despediram-se do neto, já estavam completamente embebecidos por terem um neto. Ao despedirem-se da Mequilina , prometeram verem-se em breve, queriam ver o neto crescer

Também chegou a hora da Bárbara ver o Firmino entrar-lhe pela porta dentro, com um bonito ramo de rosas, para lhe oferecer

Com os rostos banhados de felicidade, ficaram, tempo sem fim, a beijarem-se, com os corpos unidos, como se fosse só um

Antes que ela lhe perguntasse, ele apressou-se a explicar-lhe, quanto tinha sido difícil os pais aceitarem a sua decisão. Quanto à mobilidade, nem valia a pena falar, estradas esburacadas, minadas, troços só com escolta militar, dias e dias para fazer meia dúzia de quilómetros: um inferno!   

 

Continua

 

 

 

 

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publicado às 07:59

Amor & guerra (15)

por cheia, em 22.04.21

Amor & guerra (15)

A Bárbara estava desesperada, já receava que tivesse acontecido com o Firmino, o mesmo que aconteceu com o Carlos, que não voltasse a vê-lo!

Seria preciso tanto tempo para ir, a Luanda, dizer aos pais, que tinha encontrado a mulher com quem sempre sonhara e queria viver!

Por momentos esqueceu as nuvens negras que a afligiam, pegou na sua linda Sara e beijou-a

como se fosse a primeira vez que a via, como se nunca tivesse reparado que era linda!

 

Aproximava-se o dia de poderem visitar o Carlos, pais, namorada e filho tiveram de apanhar o comboio, de véspera

Os pais apanharam a camioneta para Braga, onde entraram no comboio, para Santa Apolónia, em Lisboa

A namorada e o filho também entraram em Braga, e foram para a mesma carruagem, onde já estavam os pais do Carlos

Mal o comboio iniciou a marcha começaram as conversas entre os quatro. O Miguel, muito falador, nada envergonhado, começou a falar com a avó, sem que nenhum soubesse que se tratava de familiares

Depois foi a vez, da mãe entrar na conversa, a mãe do Carlos perguntou-lhe pra onde iam

Miquelina respondeu-lhe que iam para Lisboa, ver o namorado, que tinha vindo ferido, de Angola

A mãe do Carlos disse que também iam ver o filho, o Carlos, que também foi ferido em Angola

A Miquelina achou muita coincidência e disse que o namorado também se chamava Carlos, e que era de Vieira do Minho. Abriu a carteira e mostrou a fotografia, e a futura sogra disse que aquele era o filho dela. O marido disse: “o nosso filho!”

Miquelina disse: “ muito prazer em conhecê-los, o Miguel é vosso neto”

Mariana disse que o filho nunca lhe tinha falado em namoradas, quanto mais em netos

João disse que ele era tal e qual o Carlos, quando era da idade dele

Mariana não queria admitir que a Miquelina fosse namorada do filho, nem que o Miguel fosse seu neto, e perguntou à Miquelina, como é que o Miguel era seu neto, se o filho já tinha ido para Angola, há tanto tempo?´

Miquelina disse-lhe que tinha sido no último dia, antes de embarcar

Mariana disse que eram umas desavergonhadas, por fazerem isso, sem serem casadas, e que só acreditava, quando ouvisse da boca do filho

João tentou acalmá-la, dizendo se não via que ele era muito parecido com o pai!

Mas, Mariana não queria saber disso, não admitia que o filho tivesse tido relações com aquela rapariga, antes do casamento, e perguntou-lhe onde é se tinham conhecido

Miquelina disse-lhe que se tinham conhecido em Lisboa, quando era criada de servir e ele trabalhava nas obras, e que já namoravam há muitos anos

Mariana disse que o ela tinha feito era “prendê-lo” antes de ele embarcar. Mas, lá na terra havia raparigas que estavam interessadas nele, raparigas que sabiam trabalhar no campo, muito diferentes das da cidade, que não sabiam fazer nada

Miquelina tentou defender-se, dizendo que a culpa não tinha sido dela, que tudo fez para que não tivessem relações sexuais, antes do casamento. Mas, no último momento, tanto a pressionou, e como estava tão desesperado por ir para a guerra, que ela acabou por ceder

A conversa fez com que nem dessem pela passagem do tempo. Depois, acabaram por cada um adormecer para seu lado. Miquelina apertou o filho contra o peito, estava com medo que alguém lhe fizesse mal, mesmo a dormir ninguém lho conseguia tirar dos braços

Quando chegaram a Lisboa, parecia que a Mariana já estava mais conformada com a escolha do filho, mas não perdoava àquela rapariga, o facto de lhe ter tirado o seu filhinho. Ainda tinha de lhe perguntar, como é que ele se tinha deixado enganar, por aquela rapariga!   

 

Continua

 

 

 

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publicado às 07:57

Amor & guerra (14)

por cheia, em 21.04.21

Amor & Guerra (14)

A Bárbara desesperava, porque o Firmino nunca mais voltava, nem dava notícias. Estava habituada às dificuldades das comunicações e da mobilidade. Mas já tinha passado mais de um mês!

O irmão do Firmino não quis ficar com o trabalho do irmão. A família ficou surpreendida, nunca tinham visto uma coisa assim. Como é que ele trocava um negócio centenário, que já vinha dos seus bisavós, para se juntar a uma rapariga, que já tinha uma filha!

Até a mãe o interpelou, perguntando o que é que tinha acontecido, para estar assim apaixonado, uma vez que já tinha tido tantas namoradas e nunca se tinha apaixonado

Disse à mãe, que desta vez tinha encontrado a sua alma gémea, tinham nascido um para o outro, que a Bárbara era uma mulher muito bonita, inteligente, muito à frente do seu tempo

O pai, vendo que não conseguia convencer o filho a continuar com o negócio da família, teve de arranjar um empregado, que assumisse as funções do filho

Finalmente, o Carlos ia ter visitas. Quando a Miquelina telefonou para saber se já tinha visitas, informaram-na da data e do horário das visitas

Correu a consultar o horário dos comboios, ver a que horas é que saía de Braga, cidade onde residia, e se chegava a horas da vista. Caso não se atrasasse chegaria meia hora antes de começarem as visitas

Quase um dia de comboio!

Estava desejosa de saber o estado do Carlos, mas ao mesmo tempo muito preocupada com aquele secretismo, que poderia querer dizer que ele não estava nada bem

Estava determinada a levar o Miguel, mesmo contra a vontade dos pais, que achavam a viagem muito longa para uma criança daquela idade. Mas ela não queria voltar a ver o Carlos, sem lhe apresentar o lindo fruto do seu grande amor. Agora eram três, e não dois!  

Os pais do Carlos tinham sido informados, das visitas e horário, pelos serviços do hospital. Era o mínimo que o Estado podia fazer a quem criava filhos, para darem a vida pela Pátria

O Carlos é natural de Vieira do Minho, onde os seus pais residem

Eles acham que deviam ter enviado o filho para, um hospital, mais perto

Queixando-se de que está tudo localizado em Lisboa, e o resto do país tem de ir lá

Para irem ver o filho, tinham de andar horas e horas de comboio, sem quaisquer condições

Mas, o que é que não fazem os pais, pelos filhos!

Era preciso arranjar um bom farnel, porque não sabiam quando é que voltariam a casa

Nem quando o filho embarcou tinham ido a Lisboa. Mas, agora estava na cama dum hospital, e já não o viam há quase três anos

Não sabiam como é que estava, porque não lhe quiseram dizer, aquando do telefonema a informarem o horário das visitas, nem no telegrama a informar que tinha sido ferido em combate. Apenas diziam que estava livre de perigo!

 

Continua

 

 

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publicado às 08:54

No reino maravilhoso do futebol

por cheia, em 03.02.19

No maravilhoso reino do futebol

No princípio do século XXI

Depois do susto do mundo acabar

Os Governantes, tal como hoje, só queriam era festejar

Encheram o Estádio do Jamor de pessoas, a gritar

Deslumbrados com a conquista de, o euro 2004, realizar

Mandaram, todas as bandeiras, desfraldar

Os mais famosos arquitetos foram mandados, os estádios, desenhar

Nada de orçamentos, apontamentos ou outros constrangimentos

Era preciso mostrar ao Mundo, onde é o reino do futebol

Dez estádios novos foram mandados fazer

Sem quaisquer critérios de localização, acolhedores em dias de nevão, onde houvesse população, qual os custos de manutenção

Os doentes da bola ficaram todos contentes

De norte a sul todos foram contemplados

Alguns, com poucos jogos realizados, parecem ter os dias contados

Quase vinte anos depois, continuamos a pagá-los

Algumas Câmaras têm-se visto em palpos de aranha

A Câmara Municipal de Braga viu penhoradas as suas contas bancárias

Porque ainda deve 3,8 milhões à construtora do estádio

Que rico investimento!

Assim fosse, o que fizemos com os comboios usados, que andam a perder os motores!

Pior que ser pobre, é desperdiçar o que temos.

José Silva Costa  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 18:38


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