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Férias!

por cheia, em 11.08.22

Férias!

Sol sal areia água mar

Uma onda para refrescar

Dois dedos de conversa na esplanada

As férias a esgueirarem-se por entre os dedos

Passam a correr, sem se ver!

Um terço do mês desapareceu num ápice

Os castelos de areia a desfazerem-se nas mãos

A sexta dormida na barriga da tarde

O resto da tarde a comtemplar o mar

A noite a evaporar-se como se fosse álcool

Os planos a saírem furados

Mais de metade dos projetos ficaram por executar

A ida aos museus ficou para melhores dias

Foram muitas e boas as horas passadas com as tias

Por muito que tivesse esticado os dias não consegui melhorias

Os minutos as horas os dias os meses os anos já estão completamente esticados

Cada vez somos mais solicitados

É a televisão é o cinema o teatro a praia o campo o sol a lua o diabo o vento

Cada um rouba um bocado do nosso tempo, e aquele aquém não dermos atenção fica zangado

Este é o triste fado de quem tem um mês de férias e não fica o resto do ano desocupado

Há tanto que fazer por todo o lado!

Nem que seja passar umas boas horas a meditar deitado

Com o cansaço das correrias do progresso já nem dão um abraço

Não há tempo não há amor nem amizade nem espaço

Para muitas pessoas perder um segundo é um embaraço

Como se não tivessem todo o tempo para descansarem do cansaço

Quando finalmente se preparam para saborear o tempo, este já acabou ou é escaço

O nosso tempo é medido por um baraço

Que vai encolhendo até acabar

É por isso que não o devemos desperdiçar

Mestria é saber gastá-lo.

José Silva Costa

 

 

 

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publicado às 08:04

Saiam de casa!

por cheia, em 22.05.20

A escolha

 

Abril não floriu

O cravo não riu

Está tudo vazio

Estamos em casa, confinados

Por causa do contágio

Que nos pode levar ao frio

Neste ano sombrio

Em que o Mundo está parado

Como que o sistema que o faz rodar

Se tivesse avariado

Há quem esteja desesperado

É duro estar enclausurado

Mais duro é estar internado

Mais duro, ainda, é ficar parado

Num local inesperado

Sem retorno, nem bailado

É fácil falar!

Mas quem tem, no dia-a-dia

De angariar dinheiro, para ir ao supermercado

Só pode estar angustiado

Não pode ouvir o meu recado:

Não se precipitem

Porque a procissão ainda vai no adro

Mas este conselho só serve para quem está instalado

Quem nada tem!

Tem de escolher entre sair ou ficar em casa

Uma escolha difícil

Porque o estômago não pode esperar

Assim, têm de arriscar a vida

Porque promessas não enchem barriga

Temos de manter a distância social

Menos nos aviões!

Onde podemos viajar uns ao colo dos outros

Os políticos um dia dizem para ficarmos em casa

No dia seguinte dizem para sairmos

Para gastarmos, porque a economia não pode parar

Em quem podemos acreditar!

 

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 08:24


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