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A minha rua
Em cada rua, cada casa tem dentro corações atentos
Na palpitação de quererem aproveitar os melhores momentos
Cada qual nutre-se dos melhores e encantadores sustentos
Lá fora ninguém sabe o que se passa nos apartamentos
Nem todos os dias são longos, com discussões e cinzentos
Há dias em que brilha o vento, há beijos e abraços, há movimentos
Se as paredes falassem, poderiam contar como são celebrados esses eventos
A ternura, a delicadeza, a beleza para eternizar, do coração, todos os batimentos
As mãos entrelaçadas nos beijos das bocas queimadas pelos pensamentos
Os corpos diluídos, no calor de um grito contido, na explosão de todos os ventos
Não há tempo para rodopiar por todos os cantos e assentos
O amor é tão forte que consegue sobreviver até nos conventos
Por muito que o queiram prender, ninguém consegue conter os seus empolgamentos
A minha rua é dona da lua, nas noites quentes, frias e nos dias sonolentos
Cada um tem uma rua, a que chama sua, mesmo em dias de aborrecimentos
Enquanto a rua dorme não há beijos, nem abraços, nem cumprimentos
É como se todos tivessem assinado um acordo de paz e bons entendimentos
Para que a madrugada acorde alegre, contente, eufórica, para novos envolvimentos.
José Silva Costa
27/02/2004
A despedida
Novas moradas:
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Fico, no cais, atracada a minha dor
De olhos fechados pelo amor
De braços presos no horror
De te perder na guerra.
Morro aqui à tua espera
Com os teus últimos beijos
Presos nos sentidos.
Abro os olhos
E, à memória, só me veem maus pensamentos
O coração não aguenta
Tão grande separação.
Beijo os cabelos
Perfumados pelos teus dedos
Sinto-os entrelaçados nas recordações
Que embalaram o meu corpo
Agora, condenado a definhar
Com a tua ausência.
Sem o teu carinho e amor
Meus olhos fecho, para sempre,
Meu amor.
José Silva Costa
Inverno!
Chegaste carregado de frio para todos
Mas prendas só para alguns
É a triste distribuição em todos os tempos
Em que uns têm tudo, outros pouco ou nada
Uns com desmedida abundância, outros com o luar da rua
Que nestes dias de rigor, o frio lhe congela a dor
Nesta quadra de muito amor, é mais dura a solidão, que o duro chão
Com a casa cheia, o calor do lar tem mais cor, alegria e brilho
É pena que seja só a chegada do inverno a trazer esta confraternização
Que bom seria se ela durasse todo o ano
Mas, seria pedir muito do imperfeito ser humano
Que é capaz do melhor e do pior
Esquecendo-se que não foi para isso que lhe deram a razão
A todos devemos apertar a mão
Porque todos somos irmãos
Mesmo que alguns pensem que não
Por que querem aproveitar a ocasião
Para fomentarem a divisão
Impedindo que vivamos em comunhão
Aproveitemos esta oportunidade, para abraçar todos, sem exceção.
Feliz Natal!
José Silva Costa
Setembro
Setembro, o mês mais suave e doce
De dias de amor, beleza e uva doce
Um mês florido de amizade
Ótimo para toda a idade
Nem quente nem frio, um mês macio
Tão acolhedor, para namorar no braço do rio
Sem fome nem fastio a ouvir os conselhos do mulherio
Que muito podem ajudar a um namoro menos frio
Mulheres e homens querem mostrar o seu brio
Para tentarem acabar com tantas desigualdades
Entre mulheres e homens, que se querem mais iguais
Sejam ou não pais, porque o amor quer muito mais
O que não quer é que a violência doméstica continue
No amor ou fora dele a violência não tem lugar
Só a pratica quem é cobarde
A qualquer momento qualquer um pode dizer não
Mas com educação, sem remoques nem agressão
Quem tem filhos tem de ter ainda mais atenção
Não lhes dizer mal do outro progenitor
Porque isso causa-lhes muito sofrimento e dor
Os filhos gostam dos progenitores
Mesmos que alguns não sejam uma bonita flor.
José Silva Costa
Natal
Neste dia, para todos, saúde paz e alegria
Chegou o mais radioso e longo dia
Para todas as crianças do Mundo, um dia de magia
Com ou sem Pai Natal, ninguém é indiferente a este dia
Não há coração que não sinta alegria, quando faz uma boa ação
Vamos dar as mãos e fazer um grande cordão, para celebrar esta ocasião
Cada dia tem de ter uma celebração: olhar para o próximo, como irmão
Todos os dias houve o teu coração
Não descanses enquanto vires pessoas a dormirem na rua, no chão
A pobreza não tem razão de ser
Todos necessitamos de pão
O Natal é um dia de amor
Mas não te esqueças de quem não tem um lar
Para dividir com o seu amor
Porque o Mundo está um horror
Há uma grande desumanização
Já ninguém fala, nem pelo telefone
Era tão bom ouvir as vozes
Agora, só se envia e recebe mensagens
Para lermos, no frio e mudo telemóvel
Para muitos a única companhia.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo!
José Silva Costa
A guerra
Voltaram os canhões
A paz não passou de ilusões
Porque há povos que se julgam campeões
Não conseguem viver em paz com as outras nações
Têm outras pretensões
Sonham com as suas antigas possessões
Não compreendem os que sonham com, livres, nações
Sem ditaduras, nem pressões
Como é que gostam tanto de ditadores?
Se nos seus governos não há liberdade, nem flores
As ditaduras alimentam-se de horrores
Enquanto as democracias se alimentam de valores
Como é que pessoas avisadas e educadas se deixam enganar
Por políticos cheios de rancores?
Quando deviam lutar por governos sufragados pelos eleitores
Mas, infelizmente, há povos que não têm liberdade
Para os seus representantes eleger
Assim, todas as decisões ficam nas mãos dos ditadores
É tão bom saborear a Liberdade e a Paz!
Sem elas, a vida não tem a alegria do amor.
José Silva Costa
Lisboa!
Ruas estreitinhas
Fados antigos
Colinas com postigos
Bairros contíguos
Muitas colinas despidas
Elevadores estendidos
Estrangeiros aos montes
Já não há fontes
Tudo muito sofisticado
Tudo embalado
Já não há azeite, arroz, açúcar, avulso
Já ninguém sobe a pulso
Os presos sonham com um indulto
Decretaram três dias de luto
Há quem ache que é um insulto
Está tudo tão mudado!
Já não há burros, nem palha
Nada falha
No bairro alto vendia-se amor
Agora, o barulho é um horror
O futebol era uma festa
Hoje, é um campo de batalha
Os adeptos têm de estar em campos opostos
As famílias, cujos membros não sejam todos do mesmo clube
Não podem ver os jogos juntos!
Cada um tem de ir para o seu campo de luta
Ao ponto a que chegou o futebol!
Minha Lisboa, minha princesa, ninguém tem tanta beleza
Como tu, eterna noiva do Tejo.
José Silva Costa
Olhos encantadores!
Formosos olhos, que encantaram os meus
Que toldaram os céus e o sol
O momento em que te vi, nunca mais o esqueci
Todos os dias corro atrás de ti
Queria-te dizer quanto te amo
Mas, tu não ouves os meus lamentos
Passam por ti como os ventos
São terríveis os momentos
Em que tento captar a tua atenção
Mas todas as tentativas têm sido em vão
As mulheres são como o pão
Para o conseguir, mil voltas se dão
Um dia finjo que perdi a visão
Vou contra ti, como quem perdeu o pé
Flutua ao sabor das ondas e da maré
Esperando que me salves e me dês fé
Que me ressuscites para a vida
Que compreendas que sou a outra metade de ti
Que não poderemos viver um sem o outro
Que o amor é mais forte que o sol-posto
Que é tão lindo o teu rosto!
Capaz de ensombrar o luar de Agosto
Que nunca mais ficaremos longe um do outro
Que só a morte nos separará a contra gosto.
José Silva Costa
Os céus!
Os céus estão revoltosos, de cor de fogo
Este inverno parece um inferno
Os elementos revoltaram-se contra os tristes eventos
Não há rosas, nem suaves momentos
Só tempestades e ventos!
Não há brilho, nem sol que nos aqueça
Que despedida mais avessa!
De quem passou, quase todo o tempo, com uma promessa
De que seria um inverno vestido de Primavera
Mas, o homem rasgou a razão e avançou com o canhão
E, os tempos não ficaram indiferentes
Foram ao mal buscar as sementes
Para castigarem todas as gentes
Que colaboraram com mentes doentes
A esperança é que chegue depressa a Primavera
Que traga perfume e amor, e leve a guerra
Que os céus voltem a brilhar, sem poeiras, nem bombas
E se encham de pombas brancas
Que vença a paz!
Já que o homem não é capaz
De olhar para o outro como irmão
Tanto ódio, tanta violência, tanta destruição
Em vez de um abraço e um aperto de mão!
José Silva Costa
Mulher
Mulher! Enigma difícil de ler
Deusa do meu saber
O teu ventre me fez nascer
Magia do teu poder
Como te agradecer!
Tu és fogo, terra, água
Sol a amanhecer
Rio a correr
Colo de saber
A amamentar a vida
Perfume que me inebria os sentidos
Lume que me queima as entranhas
Companheira
Flor dos nossos frutos
Porto de abrigo
Onde ancoramos o tempo
Tu és o brilho do sol
Suave e doce
Como a Primavera em flor
Para todas as mulheres
Todas as rosas.
José Silva Costa
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