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Há 50 anos

por cheia, em 14.07.19

Há 50 anos

 

A Lua não nasceu

A manhã não amanheceu

O Sol desapareceu

O país não dormiu

Desaguou no Cais da Rocha do Conde de Óbidos

O monstro estava atracado

Preso com grossas correntes

Com receio que fosse ao fundo

Com a ira daquela gente

Toda vestida de preto

Exceto os que iam embarcar

Os jovens não se queriam apartar

As mães apertavam os filhos, ao peito

Como se quisessem, de novo, esconde-los, no ventre!

Vinte anos a criá-los, para os perderem, para sempre

O monstro rugiu

O cais estremeceu

O Tejo encolheu

O Atlântico embraveceu

As mulheres olharam, para o céu

Desfaziam-se em lágrimas e gritos

Os seus filhos, maridos, irmãos, cunhados, sobrinhos, afilhados; afastaram-se

Os militares ocuparam os seus lugares

Para começarem a entrar, naquele que, para a morte, os ia levar

Não foram suficientes para o abarrotar

No dia seguinte aportou ao Funchal, na Ilha da Madeira

Também o Arquipélago da Madeira ficava sem a sua maior preciosidade

Os seus filhos!

Dali em diante, O Vera Cruz, estava em competição com a Apollo 11

Para ver quem chegava primeiro

Se ela à Lua, se ele a Luanda

Ela ganhou, por um dia.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 17:45

9 de Março

por cheia, em 09.03.19

9 de Março

 

Este ano, o 8 de Março teve mais visibilidade

Porque estamos em ano de eleições

Os políticos sabem muito bem aproveitar as ocasiões

Não sei de quem foi a ideia das casas de abrigo!

Até podem ter sido úteis

Mas, hoje, não fazem sentido

Por que razão, terão de ser as mulheres, com os filhos nos braços,

a fugirem do lar, para casas de abrigo!

Sujeitando-se a um duplo castigo

Deixando para trás tudo: as escolas dos filhos, os amigos, o doce lar

Tendo de andar escondidas e explicar aos filhos, por que não podem, para casa, voltar

Para que os agressores possam, no lar, ficar a, novas agressões, preparar

Se existem dispositivos para se saber quando eles se aproximam delas

Não se compreende por que terão, as mulheres e as crianças, de abandonar o lar!

E não venham dizer que eles, as pulseiras, têm de autorizar, a colocar

Por que, ainda assim, poderiam escolher, entre a pulseira ou a prisão preventiva, na hora

Como acontece com outros crimes, que nem sequer põem em risco, a vida!

É tudo uma questão de leis, que protejam as agredidas e as crianças, e não os agressores!

Muitos juízes determinam que os pais podem ver os filhos, com o que concordo, mas ficam a saber onde fica o esconderijo

Portanto, há muito para fazer, para além da coordenação das diversas entidades e do dia de Luto Nacional.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 18:46


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