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Chegaste!
O Mundo aguardava-te
As crianças sonham contigo
És o mês mais querido
Aquele que consegue reunir as famílias
Fazer as crianças acordarem, sorrirem, sonharem
É pena que não consigas amolecer o coração
Dos que se alimentam do ódio
Que não se importam de todos espezinhar
Por causa da vã glória de mandar
Que gostam de alguns mal tratar
Só os ditadores querem apoiar
Este mundo esta a agoniar
O poderoso ditador a todos está a ameaçar
Quem não lhe lamber as botas e o bajular
Está condenado, se não forem as taxas, serão os horrores
Pior que um é a sociedade de dois ditadores
Dispostos a moldarem o munda às suas ambições
A todos querem dar lições
Mas, por falta de chá, só sabem dar murros e empurrões
Fazem parte da quadrilha dos ladrões
Sonham com muitos milhões
Para os bandidos pedem perdões
Não querem ver os amigos nas prisões
Contestam os tribunais e as suas decisões
São contra a justiça e a ordem internacional
Querem o caos para poderem reinar.
José Silva Costa
Outono
Nestes rudes tempos, indiferente à brutalidade, continuas a tua missão
Recolher as secas folhas, lavar as árvores, para receberem o inverno
Mas, as guerras, essas não param, continuam a alimentar o ódio
Os agiotas continuam a amontoar o dinheiro, vivem do seu cheiro
Tudo inútil, tudo sem futuro, tudo para criar fome, dor e morte
Nunca ouviram o puro choro do nascer de uma criança
A pedir, pão, paz, educação, habitação, futuro sem opressão
Mas, os donos do mundo não as ouvem
Só ouvem o telintar do ouro, como se isso fosse bom para o povo
Mais tarde ou mais cedo chega a chuva e o frio
Os migrantes dormem à porta da AIMA, no conforto do humanismo
Saboreando a nova política de acolhimento com dignidade
Dando um novo e bonito colorido à cidade
O Ministro bem os quer enganar, dizendo que podem utilizar o colo da Internet
Mas, eles o que querem é que lhes resolvam os problemas
Estão fartos de sistemas, da burocracia, da exigência de documentos, sem fim
Assim, preferem dormir nos braços da adorável AIMA, à espera de um milagre
Na confortável cama da discriminação da lei dos estrangeiros
Tão boa, para quem tem muito dinheiro, num país tão interesseiro.
José Silva Costa
Gaza - 27/07/2025
Gaza, Gaza, Gaza, Gaza, Gaza
Que mundo é este, que nada o incomoda?
Quem o anestesiou, quem o insensibilizou?
Preso aos ecrãs deixou de distinguir entre o humano e a ilusão
Perdeu o cheiro, a sensibilidade, a capacidade de se indignar
De tanto habituado ao frio do imaterial, tornou-se indiferente
Que matem Gaza à fome, à sede, com canhões ou aviões, tanto faz, não reage
Que oiça crianças a gritarem de fome, mães a sofrer, por nada ter, nada consegue ver
Nem mesmo, a pele e o osso das crianças, que estão a matar, o faz acordar
Não seria mais humano matarem-nos a todos num minuto!
Do que estarem a fazê-los agonizar durante meses, dias, horas, minutos
Quem são, como conseguem ser tão brutos?
Como é que querem, algum dia viver em paz, depois de cometerem tantas atrocidades?
Quem semeia ódio, brutalidades, só maldades, colhe tempestades
Como é que conseguem dormir, enfrentar o mundo, os vossos familiares, com as mãos ensanguentadas de tantas barbaridades e mortes?
José Silva Costa
Contenção
Nas guerras ninguém ganha
Todos perdem
A Palestina está a morrer à fome e à sede
Mas, isso não incomoda ninguém
Nem sequer a democrática Europa
Que parece ter receio de perder a oportunidade de passar férias no resort, que o Trump quer construir, na Palestina
Assim, a única coisa que a civilizada Europa pede, a Israel, é que tenha contenção,
Que não mate os palestinianos de uma só vez
Que os vá matando aos poucos
Uns à fome, outros à sede e com balas, que causam menos sofrimento
A vingança não é solução
Só o Hamas pode decretar a sua dissolução
Por de trás desse pretexto pode estar o extermínio de um povo
A que o resto do mundo assiste impávido e sereno
Como se aquelas crianças, aquelas mulheres, aqueles homens não fossem de carne e osso
Por que razão têm tanto medo de Israel?
Que não consegue viver em paz com os seus vizinhos
Porque se julga superior a todos os outros povos
Assim, nunca viverão em paz
A paz não se constrói agredindo, constantemente, o vizinho
A amigável convivência, vale muito mais que a ganância.
José Silva Costa
8 de Março de 2025
Mulher! Tens tanto saber
É nos teus olhos que o podemos ler
O teu risonho embalar, todos o podemos ver
No bambolear do sol, das flores, em tudo ao teu redor
O brilho, que irradias, é tão forte e dourado, que faz rir os dias
Flor, amor, perfume, vida, futuro, dor, esperança: és completa
Capaz em todas as tarefas, séculos a enfrentar eras
Sempre relegada para segundo plano, como se não fosse um forte ser humano
Colocada em pedestal, nas palavras, mas encerrada em palácios e castelos
Presa por ser uma perfumada flor, no ignóbil negro ciúme, que mata o amor
Ao longo dos séculos, és tu que tens mantido o futuro
Trabalho doce, florido, tão gratificante, quanto duro
Num voo maduro, sobrevoas muitas dificuldades e aterras no século XXI
Que poderá ser o século da mulher, se os restantes três quartos forem no sentido do primeiro
Será degrau a degrau, com a continuação de muito esforço e perseverança, ainda, não será no mundo inteiro
Ainda há quem não queira que vás à Escola
Que te prende numa gaiola
Para algumas é dourada, mas nem por isso deixa de ser uma prisão
Sem falar dos que com as mesmas mãos que te acariciam, te estrangulam
Valendo-se da bruta força
Sem pensarem, por um momento, que não gostavam que fizessem isso às suas mães
Sem pensarem nos próprios filhos, toldados pelo ódio, matam-lhes as mães
Órfãos de mãe, pai na prisão, as crianças ficam numa triste situação
Os adultos, que dizem tanto amar os filhos, não querem saber disso
Nesses momentos só veem ódio, vingança, morte, posse
Quem comete um crime de violência doméstica não pode sair da prisão, antes de cumprir a pena máxima, os 25 anos, para ter tempo de compreender que não se mata, nem se abandonam os filhos menores.
José Silva Costa
O sonho americano!
O sonho americano de que qualquer um pode atingir a sua própria versão do sucesso numa sociedade onde a mobilidade é possível para todos
A estátua da Liberdade é um ícone da liberdade e dos Estados Unidos, também é um símbolo de boas-vindas aos imigrantes que chagam do exterior
Com Trump, o sonho americano tornou-se num pesadelo, muitos imigrantes não saem à rua com medo de serem deportados, esperam que a onda de atropelos à liberdade passe e continuem a governar as suas vidas, como têm feito há dezenas de anos
Quando elegemos ditadores não há Constituições que resistam, porque para eles não existem leis, só existe ódio e vontade de se vingarem.
“O chefe de Estado norte-americano assinou um memorando que determina a preparação de uma instalação de detenção para imigrantes na base naval na Baía de Guantánamo, para “deter os piores criminosos ilegais que ameaçam o povo americano”, como sublinhou.
“Alguns deles são tão ruins que nem confiamos nos países deles para os manterem, porque não queremos que voltem, então vamos mandá-los para Guantánamo”. (ZAP - 30/01/2025)
Barbárie
Aperta a mão ao teu irmão
Não mates o teu irmão
Tu e ele têm coração
As guerras são horrores em contramão
Nenhuma terá razão
Só matam, não dão pão
As vitórias são uma ilusão
Não sejas carne para canhão
Dá a mão ao teu irmão
Quem vos manda para a guerra não entra nela
O heroísmo é uma balela
O mundo morre por causa dela
A bala vai e vem
Mata o homem, a mulher e a criança, também
Tanta destruição de tanta habitação
Tanto suor em vão
O trabalho e o sonho de uma vida
Tanta canseira, num segundo destruída
Por seres mais forte, não espezinhes o teu vizinho
Porque podes ficar sozinho
Sem teres quem te dê a mão
Numa dura e triste ocasião
A vida é mais importante que toda a raiva arrefecida
E que todo o ódio acumulado, extravasado, pelo tempo adiado
Nada justifica a brutalidade das invasões
Nem retaliações, para matar as populações.
José Silva Costa
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