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O último helicóptero

por cheia, em 25.09.20

As mazelas da guerra

Continuação

 

A queda do último helicóptero

 

Todos os azares vinham ter connosco

O último helicóptero, daquela série, avariou

Ficou sem leme, tendo o piloto conseguido imobilizá-lo num morro

Felizmente, não houve feridos: oficiais e piloto saíram ilesos

Para guardar o helicóptero, fomos mobilizados

A seguir ao almoço, um pelotão foi guardá-lo

Ao fim do dia pediram-nos, pelo rádio, para lhes levarmos água

A minha secção foi mobilizada para, ao nascer do sol, sairmos com os garrafões de água que conseguíssemos carregar

Quando chegámos, andavam a lamber o capim

Também tinham utilizado os componentes acrílicos do helicóptero, para durante a noite, captarem alguma água

Ninguém sabia como o tirar dali 

O Alferes responsável pela proteção estava preocupado, com aquela operação, e com razão

Do Batalhão só lhe diziam que estavam a estudar o problema

Respondeu-lhes com um ultimato, se não encontrassem uma solução, dentro de um prazo de que não me lembro, o helicóptero seria desmantelado de maneira a ser levado, pelos trabalhadores da fazenda, para as viaturas, que o levariam para o Batalhão

Como não recebeu nenhuma resposta, mobilizou homens e ferramentas para a destruição, do mesmo

Mas, não conseguiram dividir o motor, que era muito pesado

Ordenou que arranjassem paus, para colocarem debaixo de cada bocado, para ver se o conseguiam levantar

Tudo testado, o mais difícil foi gerir aquela operação, pelo morro abaixo, em que alguns não queriam fazer força ou já não aguentavam mais

Estava ultrapassado mais um pesadelo

O Natal estava a chegar, seria a noite mais longa do ano.

 

 

Continua

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 06:56


2 comentários

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De Maroussia a 26.09.2020 às 13:03

Posso não me expressar aqui publicamente, mas
creia que tenho lido tudo com muita atenção. São
memórias de mazelas, de vivências, enfim relatos
de momentos vividos por si e... por nós, enquanto
famílias sofridas, pelos nossos entes queridos.
Está de parabéns, não só pela "lucidez" mas pelo
modo como escreve, que além de nos "prender" a
um monitor (tal qual fosse um livro),ficamos numa
expectativa de querer saber mais e que no final, a
ser escrito como está, pela 1ª. pessoa, felizmente
conseguiu superar a salvo tudo isso... traumático
sem dúvida, mas com vida, para poder transmitir
sentimentos sentidos e que ficam para sempre.
Obrigada pela partilha, peço desculpa (defeito de
comentar pouco) pela extensividade das palavras.
Um abraço amistoso.
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De cheia a 26.09.2020 às 17:47

Muito obrigado pelas suas amáveis palavras.

Bom resto de fim-de-semana!
Um abraço

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