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socieadeperfeita



Quarta-feira, 13.06.18

O que o berço dá, só a tumba o tira!

Carta do Infante D. Pedro a D. Duarte [1426]

Enviada de Bruges

Resumo feito por Robert Ricard e constante do seu estudo «L'Infant D. Pedro de Portugal et "O Livro da Virtuosa Bemfeitoria"», in Bulletin
des Études Portugais, do Institut Français au Portugal, Nova série, tomo XVII, 1953, pp. 10-11).

«O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas.

É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência.
É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspecção, atenta a estes aspectos, deveria na realidade fazer-se de
dois em dois anos. A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai,
porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada qual
aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal
está na lentidão da justiça. Quanto à temperança, devemos confiar sobretudo na acção do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a
impressão de que a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou. Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma  de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício.»

(Quase 600 anos depois, nada parece ter mudado...)


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por cheia às 21:29


2 comentários

De jabeiteslp a 14.06.2018 às 08:49

Reinava a Escravidão
agora sugam-nos até ao ultimo tostão...

E realmente pouco mudou...

Bom fim de Semana desde já
que Sábado temos as nossas Marchas Populares
cá na Covilhã.

De cheia a 14.06.2018 às 17:14

Escravidão, escuridão, corrupção, tudo a bem da nação!
Em vez de Governarem, governam-se!

Tenham umas boas Marchas Populares
Para darem as boas-vindas ao verão
que em breve deve chegar.

Bom fim de semana

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