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Feliz Natal
Nestes tempos de palavras cor-de-rosa, custa, ainda, mais ver como os velhos ficaram desprotegidos com as novas leis neoliberais da habitação
Todos sabemos, como a habitação é um porto seguro, para todos, mas muito especial, para os velhos, que nos últimos dias de vida, esperam ter um abrigo, onde possam esperar pela morte
Com a crise da habitação são os jovens e os velhos os mais prejudicados, uns porque na idade de constituírem família, sem conseguirem uma habitação seja comprada ou arrendada, nem da casa dos país conseguem sair, os outros, no fim das suas vidas, são despejados, sem dó nem piedade
Com a filosofia dos liberais, que acham que somos todos iguais, que não devem haver exceções, que o mercado é que manda, que dizem que todos podemos escolher os melhores hospitais, colégios, mesmo que vivamos onde não há escolha, para eles o que conta é a competição, quem não tiver pernas, para acompanhar os melhores, pode ficar na berma ou ir para a sarjeta
É isso que estão a fazer com os velhos, que em tempos tinham a certeza que, por muitas voltas que a vida desse, tinham um lugar onde se agasalhar, até a morte os levar
Nas consecutivas crises deste século, foram as casas dos pais e dos avós que amorteceram o desespero dos que perderam o seu teto, porque com a subida dos juros do crédito à habitação, se viram privado das suas habitações, que tiveram de entregar aos Bancos, que têm lucrado muitos milhões (a Caixa Geral de Depósitos, até setembro teve um lucro de 1,4 mil milhões, o que daria mil milhões para o Estado, em dividendos
Muitos pais ou avós viram filhos ou netos voltarem ao ninho, acompanhados de netos ou bisnetos, as casas e as mesas tiveram de esticar, para todos acomodar, mas os rendimentos é que não conseguiram esticar
Alguns proprietários perderam as suas casas, que com tanto trabalho tinham comprado, porque foram fiadores de familiares, que não conseguiram honrar os seus compromissos, muitas vezes por causa do aumento dos juros, fazendo com que tenham ficado sem os lares.
Inquilinos idosos, com baixos rendimentos, que viram os filhos partir, por vários motivos, assumiram o papel dos pais, para com os netos, vivem com o credo na boca, sem saberem se na próxima renovação do contrato, para a rua irão. Não lhe chegava a dor da perda, ainda terão de viver na incerteza de não conseguirem assegurar um teto aos netos
Há quem implore por a última murada, quando dela for expulso, só resta a ossada, que em qualquer canto pode ser arrumada, viver na incerteza e na dolorosa miséria, é que não nada.
José Silva Costa
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