urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeitasocieadeperfeitasocieadeperfeitaLiveJournal / SAPO Blogssocieadeperfeita2020-09-25T07:00:04Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:104006cheia2020-09-25T06:56:00O último helicóptero2020-09-25T07:00:04Z2020-09-25T07:00:04Z<p>As mazelas da guerra</p>
<p>Continuação</p>
<p> </p>
<p>A queda do último helicóptero</p>
<p> </p>
<p>Todos os azares vinham ter connosco</p>
<p>O último helicóptero, daquela série, avariou</p>
<p>Ficou sem leme, tendo o piloto conseguido imobilizá-lo num morro</p>
<p>Felizmente, não houve feridos: oficiais e piloto saíram ilesos</p>
<p>Para guardar o helicóptero, fomos mobilizados</p>
<p>A seguir ao almoço, um pelotão foi guardá-lo</p>
<p>Ao fim do dia pediram-nos, pelo rádio, para lhes levarmos água</p>
<p>A minha secção foi mobilizada para, ao nascer do sol, sairmos com os garrafões de água que conseguíssemos carregar</p>
<p>Quando chegámos, andavam a lamber o capim</p>
<p>Também tinham utilizado os componentes acrílicos do helicóptero, para durante a noite, captarem alguma água</p>
<p>Ninguém sabia como o tirar dali </p>
<p>O Alferes responsável pela proteção estava preocupado, com aquela operação, e com razão</p>
<p>Do Batalhão só lhe diziam que estavam a estudar o problema</p>
<p>Respondeu-lhes com um ultimato, se não encontrassem uma solução, dentro de um prazo de que não me lembro, o helicóptero seria desmantelado de maneira a ser levado, pelos trabalhadores da fazenda, para as viaturas, que o levariam para o Batalhão</p>
<p>Como não recebeu nenhuma resposta, mobilizou homens e ferramentas para a destruição, do mesmo</p>
<p>Mas, não conseguiram dividir o motor, que era muito pesado</p>
<p>Ordenou que arranjassem paus, para colocarem debaixo de cada bocado, para ver se o conseguiam levantar</p>
<p>Tudo testado, o mais difícil foi gerir aquela operação, pelo morro abaixo, em que alguns não queriam fazer força ou já não aguentavam mais</p>
<p>Estava ultrapassado mais um pesadelo</p>
<p>O Natal estava a chegar, seria a noite mais longa do ano.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Continua</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:103654cheia2020-09-24T21:36:00Santa Cruz dos Dembos2020-09-24T20:42:21Z2020-09-24T20:42:21Z<p>Mazelas da guerra</p>
<p>Continuação</p>
<p>Fazenda Santa<span style="font-size: 14pt;">Cruz dos Dembos</span></p>
<p> </p>
<p>Um procedimento, que me chamou à atenção, foi o de que, quando caminhavam, nas picadas, e avistavam as nossas viaturas, as pessoas afastavam-se das bermas uns 10 a 20 metros</p>
<p> Não consegui saber a razão, mas suponho que deve ter a ver com procedimentos menos corretos, no início da guerra</p>
<p>Para quem não saiba, quando a guerra começou, em 1961, no Norte de Angola, houve muita violência de parte a parte</p>
<p>Por isso, talvez, ainda, se lembrassem dos tempos negros do início da guerra</p>
<p>Durante os 9 meses que estivemos no Norte de Angola, acho que nenhum militar da minha companhia teve relações sexuais com as mulheres das povoações, ao contrário do que aconteceu, quando fomos para a zona de Nova Lisboa</p>
<p>Dizia-se que o avião que levava o pré, para Maquela do Zombo, também transportava as prostitutas</p>
<p>Durante os 9 meses que estivemos naquele acampamento, nunca lá vi nenhum civil, evitavam a nossa companhia</p>
<p>Mesmo assim tínhamos, todos os dias de içar e arriar a Bandeira Nacional, às 6 e 18 horas, para que aprendessem as suas cores, coisa que não fomos capazes de fazer em cinco séculos, tal como não lhes conseguimos ensinar a nossa língua</p>
<p> </p>
<p>Antes do Natal de 1969, ainda estivemos 2 meses destacados na Fazenda Santa Cruz dos Dembos, uma fazenda de café, cuja variedade de cafeeiros tinha de ter sombra</p>
<p>Uma mata tão densa, que quase não se via o sol, desbastavam-na, deixando algumas árvores muito altas, para fazerem sombra aos cafeeiros</p>
<p>Na fazenda trabalhavam cerca de 70 trabalhadores vindos do centro de Angola, porque os do Norte só se dedicavam à construção de armadilhas para caça e pesca</p>
<p>Estes homens estavam a abrir uma picada, cortando arvores, que 2 homens não conseguiam abraçar, só com machados</p>
<p>Quem os comandava, um Cabo-verdiano, estava constantemente a dizer que queria ouvir a sinfonia dos machados</p>
<p>Nós tínhamos como missão dar-lhes proteção, como estavam destacados 2 pelotões, dia-sim-dia-não, lá íamos</p>
<p>Num dos dias em que ficámos de descanso, o outro pelotão sofreu uma emboscada, uma rajada atingiu 2 soldados, que tiveram de ser evacuados, para Lisboa, felizmente ficaram bem</p>
<p>A Companhia tinha um Furriel Miliciano com a especialidade de enfermeiro, coadjuvado por três ou quatro maqueiros, que sabiam dar injeções e fazer pensos</p>
<p>O maqueiro que estava connosco era louco por borboletas, passava o tempo todo a injeta-las, para as embalsamar</p>
<p>Um dia teve de dar uma injeção, ao Alferes do meu pelotão, a qual lhe causou uma grande infeção, teve de ser internado, porque a seringa não estava devidamente desinfetada</p>
<p>Já não me lembro se os trabalhos passaram a ser dia-sim-dia-não, o que me lembro é um dia estava com o outro Alferes, e depois do almoço, perguntou-me se era voluntário para ir com ele, porque queria saber para onde ia a picada, respondi-lhe que na tropa não era voluntário para nada</p>
<p>Ordenou-me que fosse com ele, mais dois soldados e um guia munido de catana, para abrir o caminho, para que pudéssemos penetrar naquele labirinto.</p>
<p>As horas foram-se passando, já não sabíamos como sair dali, começámos por marcar as árvores, não adiantou, a seguir foi por votação, quando três diziam para onde era, lá íamos, mas também não resultou</p>
<p> Disse-lhe que o melhor era fazermos fogo para o ar, na esperança de que os nossos camaradas, que tinham ficado a dar proteção aos trabalhadores, nos respondessem</p>
<p>Felizmente resultou, conseguimos, antes de o sol se pôr, sair do labirinto</p>
<p>Caso estivesse por ali perto, algum inimigo, tinha-nos apanhado à mão, porque a nossa desorientação era total</p>
<p>Monangambé, que significa contratado, é um poema de António Jacinto, musicado em 1960, às escondidas, por Rui Mingas</p>
<p>Letra de Monangambé</p>
<p>Naquela roça grande</p>
<p>não tem chuva</p>
<p>é o suor do meu rosto</p>
<p>que rega as plantações;</p>
<p>Naquela roça grande</p>
<p>tem café maduro</p>
<p>e aquele vermelho-cereja</p>
<p>são gotas do meu sangue</p>
<p>feitas seiva</p>
<p>o café vai ser torrado</p>
<p>pisado,</p>
<p>torturado,</p>
<p>negro da cor do contratado</p>
<p> </p>
<p>Negro da cor do contratado!</p>
<p> </p>
<p>Perguntem às aves que cantam,</p>
<p>aos regatos de alegre serpentear</p>
<p>e ao vento forte do sertão:</p>
<p>Quem se levanta cedo?</p>
<p>quem vai à tonga?</p>
<p>quem traz pela estrada longa</p>
<p>a tipóia ou o cacho de dendém? </p>
<p>Quem capina</p>
<p>e em troca recebe desdém</p>
<p>fuba podre,</p>
<p>peixe podre,</p>
<p>panos ruins,</p>
<p>cinquenta angolares</p>
<p> porrada se refilares”?</p>
<p>Quem?</p>
<p>Quem faz o milho crescer</p>
<p>E os laranjais florescer?</p>
<p>- Quem?</p>
<p>Quem dá dinheiro para o patrão comprar</p>
<p>máquinas,</p>
<p>carros,</p>
<p>senhoras</p>
<p>e cabeças de pretos para os motores?</p>
<p>Quem faz o branco prosperar</p>
<p>ter barriga grande</p>
<p>ter dinheiro?</p>
<p>_ Quem ?</p>
<p>e as aves que cantam</p>
<p>os regatos de alegre serpentear</p>
<p>e o vento forte do sertão</p>
<p>responderão:</p>
<p>- “ Monangambééé…..”</p>
<p>Ah! Deixem-me ao menos</p>
<p>subir às palmeiras</p>
<p>Deixem-me beber maruvo ( seiva de palmeira, retirada junto às folhas, como se faz para retirar a resina)</p>
<p>E esquecer</p>
<p>diluído nas minhas bebedeiras</p>
<p>Já tinha ouvido a canção dos contratados, mas nunca me tinha cruzado com eles</p>
<p>Quis o destino que primeiro visse o que faziam e como eram tratados, e menos de um ano depois, sem contar, assistisse ao seu recrutamento</p>
<p>Estava nos arredores de Nova Lisboa, quase pôr-do-sol, quando vi um grande alvoroço, numa das povoações dos arredores da cidade</p>
<p>Fui até lá, fiquei à distância a observar. Estavam todos reunidos, mulheres e homens, as mulheres agarravam-se aos seus homens, gritavam e choravam, o Soba ia correndo olhar por todos, de repente apontava para um, que imediatamente entrava no autocarro, que os iria levar, sem qualquer contestação</p>
<p>Assim que o autocarro ficou cheio, fecharam as portas. Disseram-me que partiriam na madrugada do dia seguinte</p>
<p>Diziam que aqueles homens, quando regressassem, os que o fizessem, pouco ou nada trariam, porque tinham de pagar a alimentação, o alojamento, etc.</p>
<p> </p>
<p>Continua</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:102930cheia2020-09-11T07:18:00O medo2020-09-11T07:00:31Z2020-09-11T07:00:31Z<p>As mazelas da guerra</p>
<p>Continuação</p>
<p>O medo</p>
<p> </p>
<p>Na primeira noite que dormimos no mato, o medo era de cortar à faca</p>
<p>No silêncio da noite, o mais pequeno ruído parece um furacão</p>
<p>Também tinha medo, mas estava mais à vontade por já ter dormido algumas vezes nas eiras</p>
<p>Um condutor preferiu dormir dentro da viatura, em vez da tenda</p>
<p>Noite dentro, contatou-me, dizendo que tinha uma cobra dentro da viatura</p>
<p>Lá fui, para ver a cobra, chegados à viatura, vi o limpa-para-brisas a trabalhar</p>
<p>Pedi-lhe para desligar o limpa-para-brisas, que a cobra se ia embora, e nós íamos dormir</p>
<p>Como o limpa-para-brisas era acionado manualmente, o que deve ter acontecido, é tê-lo ligado, ao mexer-se, possivelmente com o joelho</p>
<p>No dia seguinte voltámos ao acampamento, tendo tudo corrido bem</p>
<p>A primeira etapa estava concluída. A partir dali, os relatórios quinzenais seriam emitidos sem sairmos de casa, até porque, em breve, ficaríamos desfalcados, com dois pelotões destacados, para a zona do Quitexe</p>
<p>Antes de ir para o Quitexe, a minha seção e outra foram mobilizadas para darem proteção a uma coluna de camiões civis, entre Maquela do Zombo e São Salvador do Congo</p>
<p>Lá fomos, eu e o meu amigo Ramos, camarada de curso, que, infelizmente, viria a morrer, já depois de termos acabado a comissão, com as nossas seções montadas em duas viaturas equipadas com duas metralhadoras pesadas Breda, instaladas num dispositivo, em que as podíamos rodar trezentos e sessenta graus</p>
<p>No regresso vimos um elefante, que atravessou a picada à nossa frente, escondendo-se, imediatamente, na densa mata </p>
<p>Foi a prenda que tive no dia dos meus 24 anos, uma prenda diferente e única, vimos um elefante, em liberdade, no seu habitat</p>
<p>Depois do reconhecimento da nossa zona de ação, fomos visitar uma povoação, onde nos receberam muito bem, e nós oferecemos-lhes alguns produtos das rações de combate de que não gostávamos</p>
<p>Tive oportunidade de falar com um homem, que tinha 20 mulheres, disse-me que todas se davam muito e que obedeciam, todas, à mais velha, eram elas que trabalhavam nas terras, a ele cabia-lhe fazer e colocar armadilhas para caça e pesca</p>
<p>Que os homens quanto mais mulheres tivessem, mais ricos eram, e que quando ficavam grávidas deixavam de ter relações sexuais até terem os bebés</p>
<p>As mulheres faziam as sementeiras, e no caso dos amendoins tinham de as guardar, para que os macacos não os comessem</p>
<p>Outra tarefa a que as mulheres se dedicavam era, com sachos, apanhar ratos, que eram muito apreciados.</p>
<p>Aproveitei para pegar num bebé, tiram-me uma fotografia, enviei-a para a minha mulher que, apesar dos poucos meses da chegada a Angola, não a apreciou, o que seria se já tivessem passado mais de nove meses!</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Continua</p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:102462cheia2020-09-04T07:49:00A primeira baixa2020-09-04T06:59:25Z2020-09-04T06:59:25Z<p>Mazelas da guerra</p>
<p>Continuação</p>
<p>A primeira baixa</p>
<p> </p>
<p>Um soldado, ao não cumprir com o que lhe tinha sido ensinado: que nunca se desencravavam armas sem ser ao ar livre e com o cano para cima, disparou, sem querer, contra um camarada que estava sentado na cama, a escrever para a família</p>
<p>A bala acertou num porta-moedas, que estava no bolso da camisa, fazendo com que os danos tenham sido fatais</p>
<p>Na sede da Companhia, na Fazenda Costa, o tempo era queimado a fazer partidas uns aos outros</p>
<p>O Furriel de Transmissões, que tinha acabado de chegar à Companhia, foi convencido a ficar, num buraco, por duas horas, com um saco à espera dos gambuzinos</p>
<p>Também fiz parte de uma equipa formada, a pedido de uns soldados que nunca tinha visto ananases, para irmos aos ananases</p>
<p>Munidos de um carrinho de mão e uma enorme escada, partimos de manhã, para uma mata fechada, depois de duas horas e devido à dificuldade de manobrar as ferramentas, um dos soldados sugeriu que ficasse para outro dia, por estar muito cansado, a apanha dos ananases, com o que concordei</p>
<p>Uns dias depois, o meu pelotão foi destacado para a zona do Quitexe, numa patrulha atravessámos uma plantação de abacaxi, aproveitei para lhes mostrar a planta e fruto, a que muita gente chama ananás</p>
<p>Foi aí, que eles se sentiram, ainda, mais cansados por terem andado aos ananases com um carrinho de mão e uma enorme escada</p>
<p>No início, do Pelotão que estava destacado na fronteira, vieram à sede da companhia, quatro ou cinco, num jeep, penso que para levarem o correio entre outras coisas</p>
<p>Uns que se aperceberam do sucedido, aproveitaram para angariar uns trocos para a cerveja, dizendo-lhes que me tinham comprado uma bicicleta, mostrando-lhes uma bicicleta velha, que existia no acampamento, para lhe ir levar o correio, mas que tinham de contribuir. Ainda conseguiram arranjar cem angulares</p>
<p>Logo eu que, infelizmente, nunca tive tempo para aprender a andar de bicicleta.</p>
<p>Mas, não passámos todo o tempo a pregar partidas uns aos outros.</p>
<p>Tivemos de fazer uma operação, para sabermos como fazer os relatórios quinzenais</p>
<p>A primeira operação foi planeada com todo o cuidado, tudo era desconhecido, não sabíamos o que íamos encontrar</p>
<p>Levámos viaturas a gasolina, muito atentos à picada, por causa das minas anticarro, o que fez com que levantássemos uma enorme mina anticarro, já desativada, o que pressupõe que já teria muitos anos de enterrada.</p>
<p>Ganhámos o dia, já tínhamos um trofeu.</p>
<p> </p>
<p>Continua</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:102002cheia2020-08-28T07:50:00socieadeperfeita @ 2020-08-28T07:50:002020-08-28T06:59:28Z2020-08-28T06:59:28Z<p>Mazelas da guerra</p>
<p>Continuação</p>
<p>A falta de Oficiais Subalternos</p>
<p> </p>
<p>O Capitão já tinha mais de trinta anos, e cumprido o Serviço Militar, como Alferes. Foi outra vez chamado, graduado no posto de Capitão, para comandar a Companhia</p>
<p>Com quase dez anos de guerra, o país estava exaurido, tanto de recursos financeiros, como humanos</p>
<p>A falta de Alferes era de tal maneira que, no fim da minha recruta, nos pediram, por votação secreta, que indicássemos três nomes de camaradas, que considerássemos aptos para transitarem para o curso de Oficiais Milicianos</p>
<p>Para completar a Companhia faltavam dez ou doze elementos, um deles o Furriel de Transmissões, porque o que era para ir connosco teve, poucos dias antes de partirmos, um acidente de carro.</p>
<p>Num belo dia, o nosso Capitão recebeu uma mensagem, dizendo que os elementos em falta tinham chegado ao Batalhão, para os irem buscar</p>
<p>Ficou tão contente, que começou a pensar na receção, que lhes iria proporcionar</p>
<p>Decidiu que se iria apresentar como condutor velhinho, por, infelizmente, haver muitos condutores, devido aos acidentes, em que se viam envolvidos, terem de ficar anos e anos retidos na colónia onde já tinham acabado a comissão, até verem os processos resolvidos</p>
<p>Assim, ordenou que tirassem os galões e as divisas, para uma receção espetacular</p>
<p>Com uma cajadada matámos dois coelhos: fomos no sábado, para aproveitar a cessão de cinema e trazer os nossos novos camaradas</p>
<p>Uma receção ao domingo, num país tão católico, nada melhor que uma missa, no refeitório</p>
<p>Como o Furriel Vagomestre, tinha andado no Seminário, faria de Padre, diria poucas palavas, como se estivesse a iniciar a missa, e de seguida com o autotanque, com que íamos buscar água ao rio, fariam o batismo</p>
<p>Mas, como o que sobrava em imaginação, faltava em responsabilidade, decidiram confessar e gravar as confissões dos colegas, coisa que não caiu bem a alguns</p>
<p>Mas, com o batismo, as boas-vindas e o almoço regado com vinho, parecia tudo ter corrido muito bem</p>
<p>Um dos pelotões esteve, durante os nove meses, destacado na fronteira entre Angola e o Congo</p>
<p>Um dia em que fizeram uma patrulha, um soldado deixou a arma cair num rio, o que fez com que ficasse encravada</p>
<p>O soldado, depois do almoço, contra tudo o que lhes tínhamos dito, centenas de vezes, no que diz respeito ao meu pelotão, desencravou a arma na caserna e sem que se tenha preocupado em manter o cano para cima. Sempre dissemos que as armas só se desencravavam ao ar livre e com o cano para cima, porque a qualquer momento a bala poderia ser percutida. </p>
<p>Continua</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:101794cheia2020-08-21T07:47:00A chegada2020-08-21T06:56:25Z2020-08-21T06:56:25Z<p>Mazelas da guerra</p>
<p> </p>
<p>Continuação</p>
<p> </p>
<p>A chegada</p>
<p> </p>
<p>Chegados ao porto de Lunada, entrámos num comboio que nos levou para o Grafanil, onde se localizava o quartel que nos acolheu até seguirmos para a nossa base</p>
<p>Depressa percebemos porque nos tinham dado uma rede mosquiteiro, os insetos pareciam enxames à nossa volta</p>
<p>No dia seguinte fui aos Correios, para me inteirar de como funcionava o Serviço Postal Militar (SPM) , que consistia na atribuição de um número, no nosso caso, à nossa Companhia, por se tratar duma Companhia independente, o que quer dizer que não fazíamos parte de nenhum Batalhão.</p>
<p>Bastava aos Correios saberem para que localidade tinham de enviar o SPM da Unidade com o número que lhe tinha sido atribuído</p>
<p>O Correio era muito importante para o moral das tropas, sem correio ficávamos nervosos, preocupados, desmoralizados</p>
<p>Tão importante que criaram o aerograma militar, um impresso carta, grátis, tanto o impresso como os portes</p>
<p>Ao fim de poucos dias seguimos para o nosso destino: Norte de Angola, junto à fronteira, perto de Maquela do Zombo</p>
<p>Foi um passeio de dois dias, dormimos no primeiro dia, na Base Aérea do Negage</p>
<p>No dia seguinte fomos recebidos com euforia, pelos camaradas que há muito nos esperavam, para quanto antes chegarem às suas terras e abraçarem os familiares.</p>
<p>No aquartelamento da Fazenda Costa, um acampamento construído, a seguir ao início da guerra, com madeira e chapas de zinco, sem qualquer povoação, por perto</p>
<p>E, a receção foi muito original, nas portas, entre abertas, tinham colocado alguidares de plástico, cheios de água, assim que empurrávamos as portas, ficávamos com o alguidar enfiado na cabeça e muito fresquinhos</p>
<p>Esta receção foi o ponto de partida, para que dali em diante, cada um refinasse as partidas a pregar</p>
<p>A imaginação atingiu tamanha proporção, que o Capitão teve de ordenar que o primeiro-cabo, que estava incumbido de desligar o gerador que iluminava o acampamento, dormisse numa camarata só para ele, porque todos os dias levava uma grande banhada, dormindo todo molhado, sem querer dar o braço a torcer, jurando que não estava molhado</p>
<p>Aos sábados, por escala, íamos a Maquela do Zombo, ao cinema. Quando chegou a minha vez, já sabia que a cama mudaria de lugar, e não me enganei, lá estava nas alturas, atada ao teto</p>
<p>Era uma Companhia de Cavalaria, formada no Regimento de Cavalaria nº7, em Lisboa. Eramos todos milicianos, com exceção de dois Sargentos, cujas mulheres, mais tarde, também se lhes juntaram, passando a viver no acampamento.</p>
<p>Continua</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:101623cheia2020-08-14T07:59:00Mazelas2020-08-14T07:04:59Z2020-08-14T07:04:59Z<p>As mazelas da guerra</p>
<p>Fui desafiado, pela amiga Alice Alfazema, para partilhar, o que chamo de mazelas da guerra</p>
<p>Ainda que seja muito penoso, mesmo depois de meio século, das mazelas da guerra falar! Vou tentar, convosco partilhar, as peripécias, de que, ainda, me consiga recordar.</p>
<p>As mazelas da guerra será uma rubrica, que vou tentar publicar à sexta-feira</p>
<p> </p>
<p> A Partida</p>
<p> </p>
<p>Portugal desaguou em Lisboa, no cais da Rocha de Conde de Óbidos, o sol não raiou, a lua perdeu o brilho e a beleza, tudo estava coberto de tristeza</p>
<p>O monstro dormiu no cais, ao contrário dos de mais, que não dormiram em nenhum lado, tudo ficou acordado, à espera da partida, do último abraço, do último beijo, do último ai</p>
<p>Pais, mães, esposas, irmãs, namoradas, tias, tios, amigas, amigos, unidos no último adeus, para alguns, com a certeza e na incerteza de quem eram os que, nunca mais, voltariam aos cais</p>
<p>As mães apertavam os filhos, como que querendo escondê-los, novamente, no seu ventre</p>
<p>O monstro urrou, a avisar, para que desatassem as amarras e os militares entrassem para o seu interior, a maré subiu devido às lágrimas derramadas</p>
<p>As mães assustaram-se, abriram os braços, e os seus filhos correram para o barco</p>
<p>Desatadas todas as amarraras: as humanas e as materiais fizemo-nos ao mar</p>
<p>Perdemos o Tejo, deixámos para trás a formosa, bela e fresca Sintra</p>
<p>Entrámos no Oceano Atlântico</p>
<p>Passadas vinte e quatro horas entrávamos no porto do Funchal, para, também, da Pérola do Atlântico, os seus filhos, levar</p>
<p>Só permitiram que nos ausentasse-mos por quatro horas, enquanto acabavam de saciar o monstro</p>
<p>Só deu para pouco apreciar, daquele lindo jardim, no meio do mar, plantado</p>
<p>Depois de muito lotado, os soldados bem se queixavam, os que tinham as camas colocadas junto às chaminés, onde era impossível dormir, devido ao calor, voltámos ao mar</p>
<p>O paquete Vera Cruz tinha sido adaptado para que, a maior quantidade de carne para canhão, pudesse levar</p>
<p>De novo no mar, foi só acelerar, numa feroz competição com a NASA, para ver quem chegaria primeiro, se nós a Lunda, se os astronautas à lua para aterrar</p>
<p>Infelizmente, mais uma vez, perdemos.</p>
<p>José Silva Costa</p>
<p> continua</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:101354cheia2020-08-11T07:51:00Perfume de verão2020-08-11T06:53:43Z2020-08-11T06:53:43Z<p> As flores</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>Como uma rosa perfumada</p>
<p>É a minha namorada</p>
<p>Os cabelos são uma brisa arejada</p>
<p>No meu corpo derramada</p>
<p>Os olhos são dois botões de rosa encantada</p>
<p>A boca, uma romã escarchada</p>
<p>Onde a minha fica atracada</p>
<p>As suas mãos são como uma guitarra</p>
<p>Que, quando dedilhada</p>
<p>Produz uma melodia</p>
<p>Que me incendeia todo o dia.</p>
<p> </p>
<p>José Silva Costa</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:100982cheia2020-08-07T07:42:00As Mulheres2020-08-07T06:55:10Z2020-08-07T06:55:10Z<p>As Mulheres!</p>
<p>As mulheres estão a assumir cargos muito importantes, o que é natural, por estarem em maioria, e nalguns países serem mais qualificadas</p>
<p>Três mulheres ocupam, atualmente, cargos importantes, que podem ajudar o Mundo, nos difíceis tempos que nos esperam</p>
<p> Kristalina Gueorguieva, Presidente do Fundo Mundial Internacional, Christine Lagarde, Presidente do Banco Central Europeu e Ursula Von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia. Parecem estar de acordo quanto às políticas a seguir, para que o Mundo tente evitar uma catástrofe, quase certa</p>
<p>Defendem uma mudança no setor da energia, substituindo a energia de origem fóssil e nuclear por energia renovável</p>
<p>Também querem um forte reforço no digital, o que pode vir a ser muito útil, em tempo de pandemia, para que a sociedade não pare e se possa cumprir o afastamento físico</p>
<p>Acho que já ninguém dúvida que as alterações climáticas vieram para ficar, causando grandes catástrofes em muitos pontos do globo</p>
<p>O que fará com que tenhamos de modificar quase tudo: indústria, comércio, consumo, horários, transportes, etc.</p>
<p>Todas as mudanças se confrontam com a inércia, ou ainda pior, com a recusa em mudar</p>
<p>Parece que todos estão de acordo que esta pandemia só se vence com solidariedade</p>
<p>Mas, quando vemos o que se passa com a reabertura das fronteiras, na União Europeia, mais parece uma desunião</p>
<p>Não estão a dar mostras dessa solidariedade, que dizem ser tão necessária, ainda, por cima, os critérios, para a discriminação deste ou daquele, são baseados em resultados fraudulentos.</p>
<p>Se fazem isto para tentarem ficar com os poucos ossos, que restaram</p>
<p>do turismo, o que farão para ficarem com a futura carne!</p>
<p>Estamos endividados até ao último cabelo, temos o país parado, quando regressarem de férias, no privado, ficará quase tudo desempregado, como vamos dar conta do recado!</p>
<p>Ansiamos pela vinda do dinheiro da Europa, para ver se o barco não vai ao fundo</p>
<p>Mas, quem tem a chave do cofre, não o quer entregar, sem forte controlo</p>
<p>E, têm toda a razão, porque tem de ser aplicado naquilo, que julgam ser a nossa salvação</p>
<p>Para além de que se pode perder nos bolsos da corrupção, como todos sabemos, e para os que já se tinham esquecido, saiu um relatório, lembrando que nos últimos dez anos, as fraudes em subsídios europeus atingiu 2,3 mil milhões de euros, o dobro do que vamos enterrar na TAP</p>
<p>Minhas Senhoras! Deem, aos que sempre Governaram o mundo, uma grande lição, mostrando que nunca fizeram nada de jeito</p>
<p>Quem conseguir levar o vírus de vencido e equilibrar o mundo, merece todo nosso respeito</p>
<p>Estamos consciente do que aí vêm, mas estou certo de que as mulheres lhe conseguirão dar um jeito</p>
<p>Só elas sabem como nos criaram, com o seu peito</p>
<p>Todos temos o dever de colocar todo o nosso saber na construção de um mundo melhor, para todos!</p>
<p>Se há coisa que este vírus nos ensinou, é que somos todos vulneráveis, mesmo que tenhamos redomas de ouro</p>
<p>E que ninguém cá fica, nem, nenhum tesouro, leva</p>
<p>O melhor tesouro será ver um Mundo Melhor.</p>
<p> </p>
<p>José Silva Costa</p>
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<p> </p>
<p>Este ano ficaste sem rosto</p>
<p>Ninguém te veio visitar</p>
<p>Não levantam os aviões</p>
<p>Nem os barcos podem navegar</p>
<p>Que mal-estar!</p>
<p>Cada um fechado no seu lugar</p>
<p>Sem ter contatos</p>
<p>Nem querer contatar</p>
<p>Não vá a peste, o contaminar</p>
<p>Não há abraços, nem beijos</p>
<p>Nem sorrisos, nem desejos</p>
<p>Está tudo parado e triste</p>
<p>Sem festejos, nem romarias</p>
<p>Que estranhos dias!</p>
<p>Mesmo com todos os condicionamentos</p>
<p>Não deixas de ser o preferido</p>
<p>Mais que não seja</p>
<p>Pelo descanso, o sol, o mar e a areia</p>
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<p>José Silva Costa</p>
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<p> </p>
<p style="text-align: center;">Todos os anos, o martírio!</p>
<p style="text-align: center;">O mesmo sufoco sem dormir</p>
<p style="text-align: center;">As sirenes dos Bombeiros a ferirem-me os ouvidos</p>
<p style="text-align: center;">As chamas a progredirem nos ecrãs das televisões</p>
<p style="text-align: center;">As populações afogueadas, com receio de perderem as casas</p>
<p style="text-align: center;">Sem pensarem nas suas vidas</p>
<p style="text-align: center;">Ninguém quer perder a casa, antes de perder a vida</p>
<p style="text-align: center;">Mãos assassinas a acenderem fósforos</p>
<p style="text-align: center;">Mulheres e homens, apertados nas suas fardas, a correrem para o perigo</p>
<p style="text-align: center;">Sem hesitarem, sem pensarem nas suas vidas</p>
<p style="text-align: center;">Todos os anos, tantas vidas perdidas</p>
<p style="text-align: center;">Tantas árvores ardidas</p>
<p style="text-align: center;">O trabalho de uma vida queimado, num fósforo!</p>
<p style="text-align: center;">Como é que vamos acabar com este triste fado!</p>
<p style="text-align: center;">Todos os anos o mesmo estado</p>
<p style="text-align: center;">Tanto quilómetro queimado</p>
<p style="text-align: center;">Tanto avião fretado</p>
<p style="text-align: center;">E muito fogo ateado</p>
<p style="text-align: center;">O país mobilizado!</p>
<p style="text-align: center;">Mas basta um churrasco mal pensado</p>
<p style="text-align: center;">Ou um frango mal assado</p>
<p style="text-align: center;">Para queimar vidas e três Concelhos</p>
<p style="text-align: center;">Temos de ser mais cautelosos</p>
<p style="text-align: center;">O melhor é mesmo acabar com os fósforos</p>
<p style="text-align: center;">Ou metê-los num cofre</p>
<p style="text-align: center;">No cofre da nossa cabeça</p>
<p style="text-align: center;">Com um cadeado a dizer: não acender</p>
<p style="text-align: center;">Porque este país já não tem mais nada para arder</p>
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<p>José Silva Costa</p>
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<p> </p>
<p>Greta Thunberg venceu a primeira edição do prémio Gulbenkian para a Humanidade</p>
<p>Muitos parabéns admiro-te por conseguires arrastares multidões, para uma causa muito importante</p>
<p>Muitos criticam-te, dizendo que estás ao serviço destes, daqueles, dos outros</p>
<p>Não me interessa, espero que continues a sensibilizar, principalmente os mais jovens, para os problemas ambientais</p>
<p>Esta pandemia já nos fez prescindir de muitas coisas, obrigando-nos a seguir por outros caminhos</p>
<p>Portanto, não há inevitáveis, tudo depende do que formos capazes de fazer com inteligência, determinação, responsabilidade</p>
<p>Christine Lagarde terá dito, como presidente do Banco Central Europeu, que disponibilizaria dinheiro para a inovação, porque não queria que os lindos olhos dos seus netos a questionassem sobre o que fez para preservar o seu futuro</p>
<p>Também eu, que muito cedo fui alertado para os problemas ambientais, quando almoçava na Sociedade Portuguesa de Naturologia , em Lisboa, e mais tarde na Unimave., uma cooperativa macrobiótica, queria fazer qualquer coisa para melhorar o ambiente</p>
<p>Assim que pude, e aproveitando os incentivos do Governo, em 2008, instalei um sistema de aquecimento de água com painéis solares</p>
<p>Mas a minha ambição era, também, instalar um sistema de micro produção de energia fotovoltaica.</p>
<p>No início de 2011, estava muito descansado, em casa, à espera de conseguir juntar dinheiro para comprar os painéis fotovoltaicos, quando o telefone tocou, e do outro lado me perguntaram se queria ser micro produtor de energia fotovoltaica, ao que respondi que isso era um sonho</p>
<p>Disse que não tinha dinheiro ao que me responderam que me arranjavam financiador e me vendiam os painéis</p>
<p>Foi assim que me endividei em 22 mil euros, fora os juros, para pagar em 10 anos, 18 painéis fotovoltaicos</p>
<p>Durante 8 anos a EDP pagou-me por cada kWh 0,3800 €, caríssima! Mas foi a maneira de seduzirem os micro produtores</p>
<p>Desde o início deste ano pagam-na a 0,2200 €</p>
<p>Prefiro pagar a energia cara, a não ter ar para respirar, como aconteceu aos chineses, que aprendera a lição, tornando-se em grandes defensores das energias renováveis</p>
<p>Hoje, estou orgulhoso do investimento. Só me entristece não o ter feito a pensar nos lindos olhos das minhas netas e neto. </p>
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<p>José Silva Costa</p>
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<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:99869cheia2020-07-13T07:47:00Números!2020-07-13T07:00:07Z2020-07-13T07:00:07Z<p>O Sol</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">Chegou o calor, para aquecer os corações</p>
<p style="text-align: center;">Vamos aproveitar este Verão</p>
<p style="text-align: center;">Que, por ser diferente, não é menos atraente</p>
<p style="text-align: center;">Vamos aproveitar as férias e viver o presente</p>
<p style="text-align: center;">Não podemos abraçar toda a gente!</p>
<p style="text-align: center;">Vamos manter o distanciamento</p>
<p style="text-align: center;">Para ajudar quem não pode ir de férias</p>
<p style="text-align: center;">Por estar na linha da frente</p>
<p style="text-align: center;">A combater o vírus ou os incêndios</p>
<p style="text-align: center;">Merece todo o nosso reconhecimento</p>
<p style="text-align: center;">Pelo, desumano, esforço</p>
<p style="text-align: center;">Que será menos penoso</p>
<p style="text-align: center;">Se todos colaborarmos</p>
<p style="text-align: center;">Fazendo com que o Verão seja menos trabalhoso</p>
<p style="text-align: center;">Esta dolorosa situação</p>
<p style="text-align: center;">Tem de ser combatida com solidariedade</p>
<p style="text-align: center;">Quer estejamos no campo ou na cidade</p>
<p style="text-align: center;">Sejamos jovens ou de mais idade</p>
<p style="text-align: center;">Para que todos sintam que contam</p>
<p style="text-align: center;">Não para um número!</p>
<p style="text-align: center;">Mas para uma família</p>
<p style="text-align: center;">A Família Portuguesa.</p>
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<p>José Silva Costa</p>
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<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:99774cheia2020-07-10T08:14:00Em tempo de pandemia!2020-07-10T07:24:26Z2020-07-10T07:24:26Z<p>Julho 2020</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">Um Verão quente no Interior, mas fresco no Litoral Ocidental</p>
<p style="text-align: center;">Com a pandemia, sempre, a ameaçar</p>
<p style="text-align: center;">Embebecidos, contemplamos a Lua</p>
<p style="text-align: center;">Neste Verão não há barulho, na rua</p>
<p style="text-align: center;">Há um doce silêncio, que nem parece Verão</p>
<p style="text-align: center;">Antes de adormecer, nas ondas dos teus cabelos, deito o meu olhar</p>
<p style="text-align: center;">Respirar o teu perfume, faz-me sonhar</p>
<p style="text-align: center;">Sozinhos, como no início!</p>
<p style="text-align: center;">Com os anos passados e os filhos criados</p>
<p style="text-align: center;">Temos a ilusão que voltámos aos tempos de namorados</p>
<p style="text-align: center;">Mas, o espelho desmente tudo o que tínhamos arquitetado</p>
<p style="text-align: center;">Os corpos, os rostos, os cabelos estão desfigurados</p>
<p style="text-align: center;">Como é que podemos ser os mesmos, dos vinte anos! Depois de tantos, passados</p>
<p style="text-align: center;">Acho que foram as nossas netas e neto, que guardaram os nossos rostos, dos vinte anos</p>
<p style="text-align: center;">Para os mostrarem aos nossos bisnetos, que nos vão ver como se fossemos, sempre, jovens</p>
<p style="text-align: center;">Enquanto vão vendo os seus pais a envelhecer</p>
<p style="text-align: center;">Como é bom, assim, ver o entardecer!</p>
<p style="text-align: center;">E, ao teu lado, adormecer.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p>José Silva Costa</p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:99551cheia2020-07-05T16:44:00Reavaliação!2020-07-05T15:55:32Z2020-07-05T15:55:32Z<div class="td-post-header"><header class="td-post-title">
<h1 class="entry-title">Em vez de censurar, não seria melhor debater o assunto!</h1>
<p> </p>
<h1 class="entry-title">RTP contestada por incluir “Baile dos Pretos” na corrida às 7 Maravilhas da Cultura Popular</h1>
<div class="td-module-meta-info">
<div class="td-post-author-name">
<div class="td-author-by">Por</div>
<a href="https://zap.aeiou.pt/author/zap" rel="noopener">ZAP</a>
<div class="td-author-line"> -</div>
</div>
<span class="td-post-date"><a href="https://zap.aeiou.pt/date/2020/07/04" rel="noopener"><time class="entry-date updated td-module-date" datetime="2020-07-04T15:00:13+00:00">4 Julho, 2020</time></a></span></div>
</header></div>
<div class="td-post-content">
<div id="attachment_333404" class="wp-caption aligncenter">
<p class="wp-caption-text top"><a class="ext-link" href="https://www.facebook.com/CorpoDeDeusFestasDaCidadeEDoConcelhoDePenafiel/photos/a.427392667286085.101254.423672670991418/587546791270671" target="_self" rel="nofollow external noopener noreferrer">Corpo de Deus-Festas da Cidade e do Concelho de Penafiel / Facebook</a></p>
<img class="size-kopa-image-size-3 wp-image-333404 td-animation-stack-type0-2" src="https://zap.aeiou.pt/wp-content/uploads/2020/07/518c3bc45aa64c536307322170f5766e-783x450.jpg" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" srcset="https://zap.aeiou.pt/wp-content/uploads/2020/07/518c3bc45aa64c536307322170f5766e-783x450.jpg 783w, https://zap.aeiou.pt/wp-content/uploads/2020/07/518c3bc45aa64c536307322170f5766e-451x259.jpg 451w" alt="" width="700" height="402" />
<p class="wp-caption-text bot">O “baile dos pretos” nas festas do Corpo de Deus de Penafiel em Março de 2013.</p>
</div>
<p><strong>Um grupo de deputados do PS pede explicações à ministra da Cultura e contesta a RTP por causa de uma das candidaturas finalistas ao programa “Sete Maravilhas da Cultura Popular” que vai começar a ser exibido no canal público a partir do próximo dia 6 de Julho. Em causa está o “baile dos pretos” que representa Penafiel.</strong></p>
<div id="inline-mrec"> </div>
<p>O “baile dos pretos” é um momento performativo que faz parte da actuação “Baile do Corpo de Deus – Cavalhada”, representativa de Penafiel. Os participantes neste momento dançam com o rosto pintado de preto e ao som dos seguintes versos:</p>
<p>“O Preto é o rei dos matos<br />Imperador de macacos<br />Não posso levar avante<br />Pretinho andar de sapatos<br />Trabalhai pretos cachorros<br />Trabalhai com devoção<br />Já que el-rei vos deixou forros<br />Ide-lhe beijar a mão”</p>
<p>Na <a class="ext-link" href="https://7maravilhas.pt/portfolio/bailes-do-corpo-de-deus-cavalhada/" target="_blank" rel="noopener nofollow external noreferrer">descrição</a> da candidatura de Penafiel, aponta-se que o “baile dos pretos” conta “a história de <strong>um grupo de escravos negros alforriados</strong>, que apresentam uma vistosa dança de fitas”.</p>
<div class="oembed oembed-video oembed-youtube-com oembed-video-youtube-com"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/sfRuAsd6M9E?feature=oembed" width="100%" height="394" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></div>
<p>Os deputados do PS Hugo Oliveira, Joana Sá Pereira, Rosário Gamboa, Bruno Aragão, Susana Correia e Cláudia Santos questionam a ministra da Cultura se tem conhecimento do teor desta candidatura e perguntam se não considera que deveria haver uma “reavaliação da participação desta suposta manifestação cultural no programa”.</p>
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</div>
</div>
<p>“É missão pública de quem tem o dever de informar promover actividades, eventos e iniciativas que se pautem pelo<strong> respeito entre todos</strong> e que combatam toda e qualquer <strong>prática discriminatória</strong>“, apontam os deputados.</p>
<p>“Estamos a falar de uma candidatura a um programa, em que a televisão oficial é a RTP e com <strong>o alto patrocínio do Presidente da República</strong>“, reforça em declarações ao <a class="ext-link" href="https://expresso.pt/sociedade/2020-07-03-PS-denuncia-associacao-da-RTP-a-conteudos-de-cariz-racista-temos-racismo-estrutural-em-Portugal" target="_blank" rel="noopener nofollow external noreferrer">Expresso</a> o deputado Hugo Oliveira.</p>
<p>“São comportamentos inadmissíveis que não cabem na sociedade actual”, acrescenta o deputado socialista, notando que “<strong>temos racismo estrutural em Portugal</strong> e as pessoas entendem-no como normal”. “É por isso que ouvimos <a href="https://zap.aeiou.pt/racismo-rio-nao-autorizado-manifestacao-329043" rel="noopener">Rui Rio dizer que não há racismo</a> em Portugal e é também por isso que assistimos à <a href="https://zap.aeiou.pt/centenas-manifestacao-chega-332191" rel="noopener">manifestação do Chega</a>“, considera.</p>
<p>Os portugueses “entendem que racismo é apenas quando existe violência contra uma pessoa de cor”, aponta ainda Hugo Oliveira, notando que “este tipo de manifestações, infelizmente, existem e <strong>são claramente racistas</strong>“.</p>
<p>Câmara de Penafiel assegura que tirou “partes ofensivas”</p>
<p>A <strong>Câmara de Penafiel</strong> já veio contestar a posição dos deputados socialistas, garantindo que foram “suprimidas partes potencialmente ofensivas das quadras” mencionadas, conforme nota enviada ao <a class="ext-link" href="https://www.publico.pt/2020/07/03/culturaipsilon/noticia/ps-questiona-graca-fonseca-inclusao-baile-pretos-corrida-7-maravilhas-cultura-popular-rtp-1922952" target="_blank" rel="noopener nofollow external noreferrer">Público</a>.</p>
<p>“O enredo do “Baile dos Pretos” consiste na apresentação de um conjunto de escravos alforriados que, depois de libertos e acompanhados pela sua realeza, apresentam os seus cumprimentos ao concelho e à comissão de festas, enquanto cidadãos livres”, explica a autarquia, frisando que executam “uma vistosa e colorida dança de fitas, que se entrelaçam num poste, celebrando-se assim a sua<strong> libertação do jugo da escravatura</strong> e a sua<strong> integração de igual direito na sociedade</strong>“.</p>
<p>A autarquia afiança também que “teve o cuidado de suprimir parte de quadras que pudessem conter alguma referência ofensiva”, garantindo que as quadras mencionadas no requerimento dos socialistas não fazem parte do “actual repertório do baile”.</p>
<p>“<strong>Penafiel orgulha-se de ser uma terra acolhedora e integradora</strong>, com inúmeros exemplos de parcerias com países africanos com quem mantém relações de cooperação”, conclui a autarquia.</p>
<p>A RTP não se pronunciou sobre a polémica até ao momento.</p>
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<p>ZAP //</p>
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<p> </p>
<p style="text-align: center;">Julho, que sejas bem-vindo!</p>
<p style="text-align: center;">Que tragas um novo brilho</p>
<p style="text-align: center;">A um Verão diferente</p>
<p style="text-align: center;">Para as férias de muita gente</p>
<p style="text-align: center;">Que precisa urgentemente</p>
<p style="text-align: center;">De sair do confinamento do apartamento</p>
<p style="text-align: center;">De manter o afastamento</p>
<p style="text-align: center;">E, a quem tu podes ajudar, com o tempo</p>
<p style="text-align: center;">Mostrando-lhe um outro segmento</p>
<p style="text-align: center;">O de conhecer todo o país</p>
<p style="text-align: center;">Que para além das praias, tem muito mais</p>
<p style="text-align: center;">Tem muitos patrimónios!</p>
<p style="text-align: center;">Um vastíssimo património cultural e monumental</p>
<p style="text-align: center;">Disperso por todo o país</p>
<p style="text-align: center;">Que, infelizmente, muitos nem sabem que existe</p>
<p style="text-align: center;">Que, para todo o saborearmos, muitos anos seriam precisos</p>
<p style="text-align: center;">Este ano é a ocasião de deixarmos as praias sossegadas</p>
<p style="text-align: center;">De partirmos à descoberta do resto do país</p>
<p style="text-align: center;">De mergulharmos nos nossos rios</p>
<p style="text-align: center;">De usufruirmos dos nossos sumptuosos monumentos e jardins</p>
<p style="text-align: center;">De afugentarmos o demasiado calor, no centro duma Catedral ou de qualquer outro monumento</p>
<p style="text-align: center;">De saborearmos a nossa riquíssima gastronomia</p>
<p style="text-align: center;">Por todos tão admirada!</p>
<p style="text-align: center;">Não nos faltariam argumentos</p>
<p style="text-align: center;">Para celebrarmos ao progresso do Interior</p>
<p style="text-align: center;">Para ver se somos capazes de criar um país mais harmonioso</p>
<p style="text-align: center;">Baseado no aproveitamento de todos os seus recursos</p>
<p style="text-align: center;">Para a sustentação de uma economia verde</p>
<p style="text-align: center;">Que é o que a Natureza quer</p>
<p style="text-align: center;">E os povos estão a escolher.</p>
<p> </p>
<p>José Silva Costa</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:98848cheia2020-06-29T09:34:00Festas e Romarias2020-06-29T08:49:54Z2020-06-29T08:49:54Z<p>Santos Populares</p>
<p style="text-align: center;">Meu Santo António, casamenteiro</p>
<p style="text-align: center;">Devido ao Covid-19, este ano, ficaste solteiro</p>
<p style="text-align: center;">Os casamentos de Santo António, não se realizaram</p>
<p style="text-align: center;">Este vírus provocou uma pandemia no mundo inteiro</p>
<p style="text-align: center;">O São João não teve arquinhos nem balões</p>
<p style="text-align: center;">Ficaram em casa, os muitos foliões</p>
<p style="text-align: center;">Ao São Pedro aconteceu-lhe o mesmo</p>
<p style="text-align: center;">Tempos difíceis, em que nemos Santos fazem milagres</p>
<p style="text-align: center;">Por este ano, as festas populares estão encerradas</p>
<p style="text-align: center;">Os festeiros levam o seu trabalho muito a peito, estão tristes e amargurados</p>
<p style="text-align: center;">Por não terem podido, as festas, organizar</p>
<p style="text-align: center;">Todos os anos, muito trabalham, para as suas cidades, vilas, aldeias engalanarem</p>
<p style="text-align: center;">Para os forasteiros encantar</p>
<p style="text-align: center;">As festas e romarias são momentos de encantamento</p>
<p style="text-align: center;">Por isso, é que os séculos não as desfazem</p>
<p style="text-align: center;">Os festeiros não se poupam a trabalhos, para que não se desfaçam</p>
<p style="text-align: center;">Procuram fazer o melhor que sabem, para os seus antepassados honrar</p>
<p style="text-align: center;">Ensaiam a Banda Filarmónica, para na procissão atuar</p>
<p style="text-align: center;">Enfeitam e carregam os andores, para à rua saírem</p>
<p style="text-align: center;">Organizam a quermesse, para fundos angariar</p>
<p style="text-align: center;">Para as despesas poderem pagar</p>
<p style="text-align: center;">Estes eventos procuram toda a comunidade envolver</p>
<p style="text-align: center;">Sentem-se orgulhosos por a ela pertencer</p>
<p style="text-align: center;">Sentem-se reconhecidos, quando são eleitos para as organizarem</p>
<p style="text-align: center;">Este ano, infelizmente, tudo ficou sem efeito</p>
<p style="text-align: center;">Esperamos que para o ano tudo seja diferente</p>
<p style="text-align: center;">Para a alegria podermos partilhar.</p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;">Bom São Pedro</p>
<p> </p>
<p>José Silva Costa</p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:98575cheia2020-06-26T08:16:00A Natureza2020-06-26T07:26:38Z2020-06-26T07:26:38Z<p>Novo</p>
<p style="text-align: center;">Os estranhos tempos</p>
<p style="text-align: center;">Que prendem o vento</p>
<p style="text-align: center;">Que não nos deixam sair do apartamento</p>
<p style="text-align: center;"> Que não permitem o casamento</p>
<p style="text-align: center;">Que acabaram com qualquer evento</p>
<p style="text-align: center;">Que não deixam viver o momento</p>
<p style="text-align: center;">Que obrigam a fechar o estabelecimento</p>
<p style="text-align: center;">Que não deixa apreciar o talento</p>
<p style="text-align: center;">Porque não há espetáculos ao relento</p>
<p style="text-align: center;">Nem visitas ao Parlamento</p>
<p style="text-align: center;">Vivemos no impedimento</p>
<p style="text-align: center;">Só podemos sair para ir trabalhar ou comprar alimento</p>
<p style="text-align: center;">Novamente, temos de ficar em confinamento</p>
<p style="text-align: center;">Por causa do ajuntamento</p>
<p style="text-align: center;">O covid-19 é contra o envelhecimento</p>
<p style="text-align: center;">Os idosos não cabem no internamento</p>
<p style="text-align: center;">Muitos morreram fora do hospital, em sofrimento</p>
<p style="text-align: center;">Houve que escolher quem tinha mais alento!</p>
<p style="text-align: center;">Quão difícil foi o escolhimento</p>
<p style="text-align: center;">Mas é compreensível o entendimento</p>
<p style="text-align: center;">Todos concordam com o fundamento</p>
<p style="text-align: center;">Como nos naufrágios, quando alguns têm de ser empurrados para o afogamento</p>
<p style="text-align: center;">Em Terra, infelizmente, também não há lugar para todos!</p>
<p style="text-align: center;">A ciência bem nos queria eternizar</p>
<p style="text-align: center;">Mas a Natureza não pode colaborar</p>
<p style="text-align: center;">Quando uns chegam, outros têm de abalar</p>
<p style="text-align: center;">Quando o equilíbrio começa a falhar</p>
<p style="text-align: center;">Manda um vírus, para nos empurrar</p>
<p style="text-align: center;">Portanto, a Natureza é que nos continua a governar.</p>
<p>José Silva Costa </p>
<p> </p>
<p> </p>
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<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:98333cheia2020-06-22T08:16:00Máscara2020-06-22T07:25:42Z2020-06-22T07:25:42Z<p>A Máscara</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">Por detrás da máscara</p>
<p style="text-align: center;">Que nos afasta</p>
<p style="text-align: center;">Há o desejo de um beijo</p>
<p style="text-align: center;">O ensejo de voltar a inalar o teu cheiro</p>
<p style="text-align: center;">Quanto mais tempo vamos ficar cada um para seu lado?</p>
<p style="text-align: center;">Com medo de nos contaminarmos</p>
<p style="text-align: center;">Só os olhos autorizam destapar</p>
<p style="text-align: center;">Porque eles conseguem à distância comunicar</p>
<p style="text-align: center;">Mas vamos ter que nos habituar</p>
<p style="text-align: center;">A, com os olhos outras mensagens, enviar</p>
<p style="text-align: center;">Já que os lábios, que tanto gostar de pintar</p>
<p style="text-align: center;">Para os realçar</p>
<p style="text-align: center;">Não os podes mostrar</p>
<p style="text-align: center;">Ah como gostaria de com isto acabar!</p>
<p style="text-align: center;">Dar mais apreço à liberdade de o rosto mostrar</p>
<p style="text-align: center;">Sem medo de que nos apontem o dedo</p>
<p style="text-align: center;">Ou nos mandem para casa de quarentena</p>
<p style="text-align: center;">Por causa da saúde pública</p>
<p style="text-align: center;">Que temos o dever de preservar</p>
<p style="text-align: center;">Seguindo os conselhos da Direção Gerar de Saúde</p>
<p style="text-align: center;">Há tantas coisas, que só lhes damos valor quando as perdemos.</p>
<p> </p>
<p>José Silva Costa</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:98279cheia2020-06-18T08:14:00O desgaste2020-06-18T07:25:53Z2020-06-18T07:25:53Z<p>Os anos</p>
<p style="text-align: center;">Foi como um sol que nasceu</p>
<p style="text-align: center;">Olhámo-nos, e em redor tudo estremeceu</p>
<p style="text-align: center;">O sol levantou-se e a manhã amanheceu</p>
<p style="text-align: center;">Abrimos a porta e o dia cresceu</p>
<p style="text-align: center;">Entrámos, foste minha, fui teu</p>
<p style="text-align: center;">Foi o sol que nos enlouqueceu</p>
<p style="text-align: center;">O mundo cedeu!</p>
<p style="text-align: center;">O sol beijou a lua</p>
<p style="text-align: center;">A alegria, os nossos corpos, unia</p>
<p style="text-align: center;">Deram-nos as boas-vindas</p>
<p style="text-align: center;">Ofereceram-nos uma lua-de-mel</p>
<p style="text-align: center;">Continuámos como se só houvesse uma noite incendiada</p>
<p style="text-align: center;">Mas, o desgaste dos anos mostraram-nos que também há dias de fel</p>
<p style="text-align: center;">Valeram-nos os nossos padrinhos: A lua e o sol</p>
<p style="text-align: center;">Mandaram-nos seguir em frente</p>
<p style="text-align: center;">Guiaram-nos até ao presente.</p>
<p> </p>
<p>José Silva Costa</p>
<p> </p>
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<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:97895cheia2020-06-12T07:55:00Vírus e vandalismo2020-06-12T07:27:53Z2020-06-12T07:27:53Z<p>Junho de 2020</p>
<p style="text-align: center;">Seis meses de pandemia, provocada pelo covid-19</p>
<p style="text-align: center;">O Mundo já estava conturbado</p>
<p style="text-align: center;">Mas, agora, está irreconhecível</p>
<p style="text-align: center;">Ficou tudo parado</p>
<p style="text-align: center;">Felizmente ou infelizmente, nem todos, ainda, se aperceberam da catástrofe</p>
<p style="text-align: center;">O constante anúncio de despedimentos tira-me o sono</p>
<p style="text-align: center;">Tal com aconteceu em 2008</p>
<p style="text-align: center;">Em que a ganância, que alimentou as pirâmides, na ilusão de alguns, de que todos podiam enriquecer facilmente, levou o Mundo à falência</p>
<p style="text-align: center;">Desta vez foi um vírus que, ao provocar a morte, o medo, o desespero, nos levou ente-queridos, abraços, beijos, convívios, empregos, empresas, a vida</p>
<p style="text-align: center;">O que devemos fazer para sair deste confinamento?</p>
<p style="text-align: center;">Ninguém sabe, porque tudo isto é novo</p>
<p style="text-align: center;">Mas uma coisa é certa, temos de respeitar a Natureza</p>
<p style="text-align: center;">Temos de tentar reduzir a pobreza</p>
<p style="text-align: center;">A tendência será reduzir o desperdício</p>
<p style="text-align: center;">O que vai fazer com que tenham de converter algumas empresas</p>
<p style="text-align: center;">Com esta pandemia, a alimentação ganhou outra atenção</p>
<p style="text-align: center;">A agricultura mais destaque e dimensão</p>
<p style="text-align: center;">É na terra e no mar que, o que comemos, nasce</p>
<p style="text-align: center;">Se todos fomos afetados!</p>
<p style="text-align: center;">Que dizer dos refugiados</p>
<p style="text-align: center;">Em campos superlotados</p>
<p style="text-align: center;">Crianças, mulheres, homens amontoados</p>
<p style="text-align: center;">Um WC para uma centena de pessoas!</p>
<p style="text-align: center;">Onde as mulheres estão, sempre, em perigo</p>
<p style="text-align: center;">Com receio de serem violadas</p>
<p style="text-align: center;">À noite, preferem usar fraldas, a saírem das suas débeis muradas</p>
<p style="text-align: center;">Estamos a assistir a coisas inusitadas</p>
<p style="text-align: center;">Os novos inquisidores querem apagar a História</p>
<p style="text-align: center;">Derrubando e queimando estátuas</p>
<p style="text-align: center;">Como se isso revertesse os erros cometidos</p>
<p style="text-align: center;">Quantos dos que hoje gritam contra o colonialismo, beneficiam ou beneficiaram com ele?</p>
<p style="text-align: center;">Não se emendam erros, destruindo o património!</p>
<p style="text-align: center;">Todos ficamos a perder.</p>
<p>José Silva Costa</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
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<p> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:97783cheia2020-06-07T12:07:00A magia da lua2020-06-07T11:14:28Z2020-06-07T11:14:28Z<p> </p>
<p>Lua Cheia!</p>
<p>Não encendeis a minha candeia</p>
<p>Há noite, depois da ceia</p>
<p>A tua magia aumenta a fantasia</p>
<p>Não durmo como dormiria</p>
<p>A tua luz os olhos fere!</p>
<p>Uma energia, que os impede de se fecharem</p>
<p>Sei que interferes nas ondas do mar</p>
<p>Como me impedes de, os meus sonhos, navegar</p>
<p>Tenho de esperar que te deites</p>
<p>Para poder, enfim, descansar</p>
<p>Lua de quatro fases e de outras tantas faces</p>
<p>Ao longo dos séculos, quantos encantaste?</p>
<p>Quem amaste!</p>
<p>Misteriosa, bela, encantadora</p>
<p>Todos te têm cantado</p>
<p>Inspiradora de almas noturnas</p>
<p>Que não obedecem à noite</p>
<p>Que não adormecem</p>
<p>Que se portam como se o sol nunca se pusesse.</p>
<p>José Silva Costa</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:97415cheia2020-06-01T08:54:00As mais belas flores2020-06-01T08:05:31Z2020-06-01T08:05:31Z<p style="text-align: center;">Dia Mundial da Criança</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">A criança, tão mal tratada!</p>
<p style="text-align: center;">Mesmo quando o mundo avança</p>
<p style="text-align: center;">O elo mais fraco do triângulo</p>
<p style="text-align: center;">Flor tenra e delicada</p>
<p style="text-align: center;">Por vezes, apanhada no turbilhão da vingança</p>
<p style="text-align: center;">Usada como arma de arremesso, pelos progenitores</p>
<p style="text-align: center;">Quando não estão à altura de assumirem a suas dores</p>
<p style="text-align: center;">Vítimas das guerras, nas mãos dos raptores</p>
<p style="text-align: center;">Condenadas a trabalhos forçados</p>
<p style="text-align: center;">Escravas sexuais, sujeitas a todos os horrores</p>
<p style="text-align: center;">Órfãos, deambulando, pelo mundo, à procura de alimento e lugar seguro</p>
<p style="text-align: center;">Felizes das que calham com progenitores, que todos os dias lhes dão carinho</p>
<p style="text-align: center;">Como quem rega uma semente, que com o tempo se torna numa flor florescente</p>
<p style="text-align: center;">Haja mais respeito por aqueles, que amamentam ao peito!</p>
<p style="text-align: center;">Não enjeitem a nobre missão de criar uma criança, com todas as mãos</p>
<p style="text-align: center;">Infelizmente, nem todos têm condições para escolherem, quando querem ter filhos</p>
<p style="text-align: center;">Mas, uma vez gerados, todos temos o dever de lhes prestarmos todos os cuidados</p>
<p style="text-align: center;">No primeiro dia Mundial da Criança, desta nova era, ajudemos as crianças, na dura aprendizagem, que as espera</p>
<p style="text-align: center;">O Mundo não volta a ser o que era!</p>
<p style="text-align: center;">Está nas nossas mãos, torna-lo melhor e mais humano.</p>
<p> </p>
<p>José Silva Costa</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:97033cheia2020-05-22T08:24:00Saiam de casa!2020-05-22T07:36:54Z2020-05-22T07:36:54Z<p style="text-align: center;">A escolha</p>
<p> </p>
<p style="text-align: center;">Abril não floriu</p>
<p style="text-align: center;">O cravo não riu</p>
<p style="text-align: center;">Está tudo vazio</p>
<p style="text-align: center;">Estamos em casa, confinados</p>
<p style="text-align: center;">Por causa do contágio</p>
<p style="text-align: center;">Que nos pode levar ao frio</p>
<p style="text-align: center;">Neste ano sombrio</p>
<p style="text-align: center;">Em que o Mundo está parado</p>
<p style="text-align: center;">Como que o sistema que o faz rodar</p>
<p style="text-align: center;">Se tivesse avariado</p>
<p style="text-align: center;">Há quem esteja desesperado</p>
<p style="text-align: center;">É duro estar enclausurado</p>
<p style="text-align: center;">Mais duro é estar internado</p>
<p style="text-align: center;">Mais duro, ainda, é ficar parado</p>
<p style="text-align: center;">Num local inesperado</p>
<p style="text-align: center;">Sem retorno, nem bailado</p>
<p style="text-align: center;">É fácil falar!</p>
<p style="text-align: center;">Mas quem tem, no dia-a-dia</p>
<p style="text-align: center;">De angariar dinheiro, para ir ao supermercado</p>
<p style="text-align: center;">Só pode estar angustiado</p>
<p style="text-align: center;">Não pode ouvir o meu recado:</p>
<p style="text-align: center;">Não se precipitem</p>
<p style="text-align: center;">Porque a procissão ainda vai no adro</p>
<p style="text-align: center;">Mas este conselho só serve para quem está instalado</p>
<p style="text-align: center;">Quem nada tem!</p>
<p style="text-align: center;">Tem de escolher entre sair ou ficar em casa</p>
<p style="text-align: center;">Uma escolha difícil</p>
<p style="text-align: center;">Porque o estômago não pode esperar</p>
<p style="text-align: center;">Assim, têm de arriscar a vida</p>
<p style="text-align: center;">Porque promessas não enchem barriga</p>
<p style="text-align: center;">Temos de manter a distância social</p>
<p style="text-align: center;">Menos nos aviões!</p>
<p style="text-align: center;">Onde podemos viajar uns ao colo dos outros</p>
<p style="text-align: center;">Os políticos um dia dizem para ficarmos em casa</p>
<p style="text-align: center;">No dia seguinte dizem para sairmos</p>
<p style="text-align: center;">Para gastarmos, porque a economia não pode parar</p>
<p style="text-align: center;">Em quem podemos acreditar!</p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;">José Silva Costa</p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:socieadeperfeita:96879cheia2020-05-18T08:51:00Bebes2020-05-18T07:54:46Z2020-05-18T07:54:46Z<p> </p>
<p>Bebes a 30 mil euros</p>
<p> </p>
<p>O Covid19 a todos tem incomodado</p>
<p>Ninguém lhe passou ao lado!</p>
<p>Transformou o mundo em prisão</p>
<p>De repente o céu fechou</p>
<p>Não por umas horas ou dias</p>
<p>Mas por meses!</p>
<p>Muitos estavam em trânsito</p>
<p>Ficaram impedidos de voltar para casa</p>
<p>Só o poderão fazer, quando os aviões derem à asa</p>
<p>Neste invisível turbilhão</p>
<p>Cerca de uma centena de bebes</p>
<p>Nascidos na Ucrânia, ficaram à espera</p>
<p>Que os aviões voltem a voar</p>
<p>Que os comboios voltem a andar</p>
<p>Que os carros possam, as fronteiras, atravessar</p>
<p>A Ucrânia, devido ainda às ondas de choque</p>
<p>Da desagregação da antiga URSS</p>
<p>Tornou-se num grande exportador de bebes</p>
<p>As ucranianas alugam as sus barrigas, durante 9 meses, por 15 mil euros</p>
<p>Os outros 15 mil são para as clinicas</p>
<p>Onde os bebes esperam pelos seus pais</p>
<p>Com este vírus ficaram retidos</p>
<p>Impedidos de irem para os seus lares</p>
<p>Receberem o carinho de que tanto necessitam</p>
<p>Para um crescimento feliz</p>
<p>Permanecem nos seus berços, alinhados</p>
<p>Sem a distância recomendada, para evitar a contaminação</p>
<p>Mais parecendo uma linha de montagem, do que um berçário</p>
<p>Não sei se as clinicas vão exigir juros</p>
<p>Devido ao atraso na entrega</p>
<p>Enquanto as suas futuras famílias desesperam</p>
<p>Os bebes vão crescendo na espera</p>
<p>De que nasça um risonho dia.</p>
<p>José Silva Costa</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
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<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
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