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Amor & guerra (11)

por cheia, em 12.04.21

Amor & guerra (11)

 

Em 1963, o país estava muito atrasado. Só tinha Universidades em Lisboa, Coimbra e Porto

O ensino estava dividido em ensino: Liceal, Industrial e Comercial

Uma década depois, (1973) as empresas continuavam a não ter, no mercado, trabalhadores com as qualificações de que necessitavam

Algumas grandes empresas tinham escolas próprias, para formarem os seus quadros, fora do horário de trabalho, dando preferência aos adolescentes, que contratavam a partir dos doze anos

Assim, como também tinham colónias de férias, para os filhos dos seus trabalhadores

No litoral Sintrense havia três grandes colónias de férias, para os filhos dos trabalhadores das empresas: Caminhos de Ferro Portugueses, Shell e Companhia União Fabril

Tínhamos, como hoje, bons técnicos, mas que não sabiam falar línguas, o que causava problemas às empresas portuguesas, representantes de fabricantes de eletrodomésticos e outros equipamentos, que pediam, aos seus concessionários, técnicos para estagiarem nas suas fábricas

Os institutos de língua inglesa tinham como alunos, muitos técnicos, que precisavam de saber inglês, para fazerem formação nas fábricas dos produtos, que os seus patrões vendiam

O país consumia uma grande parte dos seus recursos, nas guerras de Angola, Guiné e Moçambique

O Carlos tinha a perna esquerda, abaixo do joelho, esmagada, transferiram-no para o Hospital Militar, em Lisboa, onde lhe amputaram a perna, abaixo do joelho

Os pais foram informados de que o filho tinha sido ferido em combate, mas que estava livre de perigo e internado no anexo do Hospital Militar, em Lisboa

A Miquelina não foi informada, porque o nome dela não constava na informação, pedida a cada militar, para indicar quem queria que fosse informado, caso acontecesse algum problema grave

Estava desesperada, já tinha passado mais de um mês, e ele não dizia nada:” teria morrido, estaria ferido, como é que poderia saber?”

Já tinha pensado em pedir-lhe os nomes dos pais, a sua morada, o seu contato. Mas esperava que fosse ele a tomar essa iniciativa, porque os acidentes acontecem, mas não queremos falar neles, com medo, porque somos surpersticiosos

Os pais aconselharam-na a telefonar para o Quartel-General. Quem a atendeu disse-lhe que era muito difícil ajudá-la, porque o nome dela não constava no documento que  foi apresentado ao Carlos, para escrever quem é que queria que fosse informado

Mas, a Miquelina não se deu por vencida, contou a quem estava do outro lado do telefone, o que tinha acontecido: que era namorada dele, que tinha ficado grávida dele na véspera do embarque, que tinha um filho dele quase com dois anos, e tinha cartas onde ele dizia que aperfilharia o filho

Aconselharam-na a ir ao Quartel-General, com as cartas, para ver se conseguiriam ajudá-la.

Continua

 

 

 

 

 

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publicado às 08:22


16 comentários

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De imsilva a 12.04.2021 às 10:31

Não foram tempos fáceis, não senhor.
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De cheia a 12.04.2021 às 15:14

É bom que saibamos que as guerras nunca trazem coisas boas.
Boa semana!
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De MJP a 12.04.2021 às 11:21

Grata por mais esta partilha, José! :))
Dia Feliz!
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De cheia a 12.04.2021 às 15:10

Muito obrigado, Zé!
Boa semana!
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De João-Afonso Machado a 12.04.2021 às 11:30

Sabe que a colónia de férias da CUF me faz lembrar o início da vida profissional da minha Mãe, bem com as escadinhas na pedra até ao areal da Praia das Maçãs...
Um abraço
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De cheia a 12.04.2021 às 15:08

As colónias de férias proporcionaram bons momentos a muitas crianças.
Boa semana!
Um abraço.
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De Corvo a 12.04.2021 às 13:30

Bom dia, José.
Tantas recordações através da sua escrita, quase palpáveis.
O Liceu em Luanda, Salvador Correia de Sá e Benevides, no alto da Maianga, onde chegávamos em grupos ruidosos de rapazes e raparigas, ...até à porta, que lá chegados mudava tudo.
Vá, meninos e meninas, respeitinho como Nosso Jesus quer. Meninas para a direita lá para cima, rapazes para a esquerda cá para baixo.
Que vida a nossa. Que vida.
É um prazer lê-lo. Aguardo ansioso a continuação.
Grande abraço, amigo.
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De cheia a 12.04.2021 às 14:59

Grato pelas suas amáveis palavras!
Desejo-lhe uma boa semana!
Um grande abraço, amigo.
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De Luísa de Sousa a 12.04.2021 às 13:38

Retratos de um país dos anos 60
Ainda tenho uma vaga ideia de tudo isto José

Beijinhos
Feliz Dia
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De cheia a 12.04.2021 às 14:55

Felizmente, o país mudou muito! Mas, poderia estar muito melhor, se não fosse a corrupção e outras maleitas.

Feliz resto de dia, Luísa!
Beijinhos.
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De Francisco Carita Mata a 12.04.2021 às 15:31

A história está a sair muito bem. Baseia-se no seu conhecimento da realidade da guerra, certamente. Os meandros da narrativa estão a criar suspense. Parabéns e Saúde. Para si e melhoras para o Carlos!
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De cheia a 12.04.2021 às 17:35

Muito obrigado pelas encorajadoras palavras! O Carlos agradece a preocupação com a sua saúde.
Boa semana!
Um abraço.
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De jabeiteslp a 13.04.2021 às 08:08

A burocracia já se fazia sentir

Bom dia pra vocês com alegria José.
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De cheia a 13.04.2021 às 09:46

Tem razão, João! A burocracia faz parte da nossa génese.

Também vos desejo um bom dia com saúde e alegria.
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De Daniela a 18.04.2021 às 16:02

Que horror!
Coitada da Miquelina, naquela altura devia ser tão dificil.
Agora as pessoas já ficam desesperadas ás vezes por horas sem saber nada, nem posso imaginar meses.
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De cheia a 18.04.2021 às 17:59

As comunicações mudaram muito! Antigamente, o telegrama era o mais rápido.

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