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Quingentésimo ano (50)

por cheia, em 19.02.24

Porque quereis, Senhora, que ofereça
A vida a tanto mal como padeço?
Se vos nasce do pouco que mereço,
Bem por nascer está quem vos mereça.

Entendei que, enfim, por muito que vos peça,
Poderei merecer quanto vos peço;
Pois não consente Amor que em baixo preço
Tão alto pensamento se conheça.

Assim que a paga igual de minhas dores,
Com nada se restaura, mas deveis ma,
Por ser capaz de tantos desfavores.

E se o valor de vossos amadores
Houver de ser igual convosco mesma,
Vós só convosco mesma andai de amores.

Luís de Camões

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publicado às 07:55

Quingentésimo ano (49)

por cheia, em 18.02.24

Depois de tantos dias mal gastados,
Depois de tantas noites mal dormidas,
Depois de tantas lágrimas vertidas,
Tantos suspiros vãos vãmente dados,

Como não sois vós já desenganados,
Desejos, que de cousas esquecidas
Quereis remediar mortais feridas,
Que amor fez sem remédio, o tempo, os Fados?

Se não tivéreis já longa exp’riência
Das sem-razões de Amor a quem servistes,
Fraqueza fora em vós a resistência.

Mas pois por vosso mal seus males vistes,
Que o tempo não curou, nem larga ausência,
Qual bem dele esperais, desejos tristes?

 

Luís de Camões

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publicado às 08:03

Quingentésimo ano (48)

por cheia, em 17.02.24

Quando da bela vista e doce riso
Tomando estão meus olhos mantimento,
Tão elevado sinto o pensamento,
Que me faz ver na terra o Paraíso.

Tanto do bem humano estou diviso,
Que qualquer outro bem julgo por vento:
Assim que em termo tal, segundo sento,
Pouco vem a fazer quem perde o siso.

Em louvar-vos, Senhora, não me fundo;
Porque quem vossas graças claro sente,
Sentirá que não pode conhecê-las.

Pois de tanta estranheza sois ao mundo,
Que não é de estranhar, dama excelente,
Que quem vos fez fizesse céu e estrelas.

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publicado às 07:55

Quingentésimo ano (47)

por cheia, em 16.02.24

Que pode já fazer minha ventura
que seja para meu contentamento.,
Ou como fazer devo fundamento
de cousa que o não tem, nem é segura?

Que pena pode ser tão certa e dura
que possa ser maior que meu tormento?
Ou como receará meu pensamento
os males, se com eles mais se apura?

Como quem se costuma de pequeno
com peçonha criar por mão ciente,
da qual o uso já o tem seguro;

assi de acostumado co veneno,
o uso de sofrer meu mal presente
me faz não sentir já nada o futuro.

 

Luís de Camões

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publicado às 07:55

Mulher e Amor

por cheia, em 16.02.24

Mulher e Amor

 

Cada mulher é uma flor, seja qual for a sua cor

Ninguém como ela sabe como expressar o amor

Mãe, mulher, companheira, avó: umas flores

Mulher que, em desespero, no beco escuro

Num quarto esconso, vendes prazer aos homens

Obtusos, que não sabem o que querem

Mas gostam de humilhar as mulheres

Tens filhos, pedem comer

Quem te os fez não quer saber

Como estão, se têm pão

Tens de vender o teu corpo

Para lhes dares de comer

Já bateste às portas das 101 instituições

Que ajudam as mulheres

Sempre a mesma resposta:

“Tomámos nota da sua situação

Depois, contatá-la-emos”

Como se não precisasses de uma ajuda imediata

Tens de continuar a vender prazer

Aqueles que o quiserem

Sonhas com quem te veja como mulher

Que não te queira como rameira, mas para a vida inteira

Enquanto isso não acontecer, vais ter de vender prazer

Com os filhos a crescer, cada vez, é mais difícil esconder o que fazes

Desesperas, mas ninguém te ajuda

Para muitos a vida é muito dura

Para as mulheres é ainda mais

São elas que ficam com os filhos

Quando os pais não são mais

Do que irresponsáveis

Nunca chegando a ser pais.

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

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publicado às 07:54

Quingentésimo ano (46)

por cheia, em 15.02.24

Correm turvas as águas deste rio,
que as do Céu e as do monte as enturbaram;
os campos florecidos se secaram,
intratável se fez o vale, e frio.

Passou o Verão, passou o ardente Estio,
üas cousas por outras se trocaram;
os fementidos Fados já deixaram
do mundo o regimento, ou desvario.

Tem o tempo sua ordem já sabida;
o mundo, não; mas anda tão confuso,
que parece que dele Deus se esquece.

Casos, opiniões, natura e uso
fazem que nos pareça desta vida
que não há nela mais que o que parece.

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publicado às 07:55

Quingentésimo ano (45)

por cheia, em 14.02.24

Cara minha inimiga, em cuja mão
pôs meus contentamentos a ventura,
faltou te a ti na terra sepultura,
porque me falte a mim consolação.

Eternamente as águas lograrão
a tua peregrina fermosura;
mas, enquanto me a mim a vida dura,
sempre viva em minha alma te acharão.

E, se meus rudos versos podem tanto
que possam prometer te longa história
daquele amor tão puro e verdadeiro,

celebrada serás sempre em meu canto;
porque enquanto no mundo houver memória,
será minha escritura teu letreiro.

Luís de Camões

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publicado às 07:53

Namorar

por cheia, em 14.02.24

Namorar

 

Namorar

Não se pode

Comemorar

Num só dia

Devemos

Fazê-lo

Todos os dias

É como respirar

Não se pode parar

Namorar é vital

Para a saúde

Para a mente

Para toda a gente

Ao amor

Ninguém fica indiferente

É fogo

É semente

É esperança

É dor

Namorar

Tem muito valor

Namorar

É como tratar uma flor

Precisa de muito carinho

De muito amor

De saber apreciar

O amor

Da sua perfumada flor

Em que idade for

O amor

Será sempre

O melhor da vida.

José Silva Costa

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publicado às 07:52

Quingentésimo ano (44)

por cheia, em 13.02.24

Com grandes esperanças já cantei,
com que os deuses no Olimpo conquistara;
despois vim a chorar porque cantara
e agora choro já porque chorei.

Se cuido nas passadas que já dei,
custa me esta lembrança só tão cara
que a dor de ver as mágoas que passara
tenho pola mor mágoa que passei.

Pois logo, se está claro que um tormento
dá causa que outro n’alma se acrescente,
já nunca posso ter contentamento.

Mas esta fantasia se me mente?
Oh! ocioso e cego pensamento!
Ainda eu imagino em ser contente?

Luís de Caões

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publicado às 07:59

Quingentésimo ano (43)

por cheia, em 12.02.24

Leda serenidade deleitosa,
Que representa em terra um paraíso;
Entre rubis e perlas doce riso;
Debaixo de ouro e neve, cor-de-rosa;

Presença moderada e graciosa,
Onde ensinando estão despejo e siso
Que se pode por arte e por aviso,
Como por natureza, ser formosa;

Fala de que ou já vida, ou morte pende,
Rara e suave, enfim, Senhora, vossa;
Repouso na alegria comedido:

Estas as armas são com que me rende
E me cativa Amor; mas não que possa
Despojar-me da glória de rendido.

Luís de Camões

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publicado às 07:53



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