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Antes

por cheia, em 24.04.20

Antes

Em Abril, a liberdade floriu

Em cada espingarda um cravo vermelho

Militares e povo nas ruas

Para festejarem a queda da ditadura

Que nos governou com mão dura

Com uma feroz censura

E uma assassina Policia Internacional de Defesa do Estado

Coadjuvada por uma rede de informadores

Que nos obrigava, de todos, a desconfiar

Fazendo com que não pudéssemos abrir a boca

Tudo era censurado, cortado, pelo lápis azul

Ninguém podia publicar, representar, fosse o que fosse, sem o exame prévio

Às mulheres estavam vedadas algumas profissões

Noutras, não podiam casar

Não podiam abrir conta no Banco, nem ausentar-se para o estrangeiro, sem autorização do marido

Não tinham direito a voto!

Só tínhamos estudos superiores em três cidades (Lisboa, Coimbra e Porto)

Tínhamos trinta ou quarenta por cento de analfabetos

A guerra, em três frentes ( Guiné,  Angola e Moçambique),  para além dos mortos e estropiados, era um  sugadouro  do erário público

Em 1974, tínhamos uma grande parte do país sem água canalizada, sem saneamento, por eletrificar

Não havia autoestradas, as estradas, só de duas faixas, no tempo das férias, as filas eram intermináveis.

O serviço telefónico era manual, concessionado a uma empresa inglesa, telefones de Lisboa e Porto (TLP)

O resto do país era servido pelos CTT

É necessário que os mais jovens se informem, para poderem comparar, o antes e o depois.

  No tempo da ditadura

 

Profissões femininas, cujo casamento das profissionais era proibido ou condicionado: enfermeiras, telefonistas, professoras, assistentes de bordo.

«O casamento das professoras não poderá realizar-se sem autorização do Ministro da Educação Nacional, que só deverá concedê-la nos termos seguintes:

1.° Ter o pretendente bom comportamento moral e civil;

2.° - Ter o pretendente vencimentos ou rendimentos, documentalmente comprovados, em harmonia com os vencimentos da professora.»

(Art. 9: do dec. n.• 27:279, de 24-11-936)

As interessadas devem requerer a Sua Excelência o Ministro com fundamento no artigo citado, e juntar ao respetivo requerimento documentos comprovativos

da idoneidade moral e civil, bem como dos vencimentos ou rendimentos do seu noivo.

Os processos respeitantes a pedidos de autorização para casamento de professoras de ensino primário devem ser acompanhados de parecer dos directores dos distritos escolares.

Também é condição indispensável ao deferimento que os pretendentes comprovem a data desde a qual se encontram na situação económica que torna possível a autorização do casamento, bem como a estabilidade que a mesma pode oferecer.

(Da circ. n.• 30-L. 2, de 7-4-937)

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publicado às 08:52

Abril

por cheia, em 17.04.20

A Chuva

 

São correntes de ouro a caírem do céu

Neste Abril chuvoso

Tão limpas como o amoroso

Quando as vimos contra os raios solares

São vida para plantas e animais

A Natureza está agradecida

Por tanta quantidade de água

Não posso ir ver se o rio vai alteroso

Mas, bem a vejo

Da minha janela

Quando a chuva passa

A espreguiçar-se, a sorrir, a esfregar os olhos

A beijar o vento de tanto contentamento

Abraçada ao sol, como se estivessem a combinar

Tudo fazerem germinar

Para todos alimentar

É na Primavera

Que os cereais costumam namorar

E, esta chuva, agora mais limpa, a todos vem abençoar

Num tempo em que só à janela podemos assomar

Devemos estar gratos por podermos continuar a ver

A chuva, o vento, o sol, a lua, todos juntos, na rua.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

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publicado às 08:28

Regresso às aulas

por cheia, em 14.04.20

O regresso às aulas

 

Hoje, alguns alunos voltaram às aulas

Mas, desta vez, com as salas de aula fechadas

O confinamento fez dar um salto no andamento

Todos receamos mandar as nossas crianças para a sala de aula

Todos tememos pela sua e nossa saúde

Mas há sempre quem ponha objeções

E do que mais falam são das desigualdades

Como se neste país nunca tivesse havido desigualdades

Como se só houvesse desigualdades na escola

No resto, são só igualdades

Todos temos boas casas, bons carros, bons empregos

Todos podemos escolher bons colégios, de onde saem a falar francês, alemão, inglês

É o que nos vendem os políticos, defensores do direito de escolha

Só não nos conseguem dizer, como o fazer, nos Concelhos do interior, onde a única escolha, que temos, é o ensino público

Foi preciso o Covid,19 forçar o ensino a distância, para todos notarem que havia desigualdades

Ainda bem que conseguiram concluir que há desigualdades, já que nas salas de aulas nunca ninguém tinha dado por elas!

As desigualdades começam, ainda, antes do nascimento

Depois, uns ficam com amas ou avós, sem interação com outras crianças

Enquanto outros vão para creches ou jardins-de-infância com todas as condições

Não façam das desigualdades um cavalo de batalha, para não fazerem nada

Aproveitem, este salto forçado, para tentarem reduzi-las.

 

José  Silva Costa

 

 

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publicado às 18:08

Bela

por cheia, em 13.04.20

Bela

Bela é a lua

Que ilumina a rua

Onde nasce e fica nua

 

Bela é a vizinha

Que me prende

Sempre que vem à janela

Mas nunca falei com ela

Na esperança de que um dia

Ela adivinhe o quanto  gosto dela.

 

Bela é a que encontra uma companhia

Com quem partilha a tristeza e a alegria

Cuja felicidade brilha mais que a luz do dia.

 

José Silva Costa

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publicado às 10:32

Vaidades

por cheia, em 10.04.20

Vaidades

O que é que levou o Governo a querer destruir um Serviço de referência, do Hospital Curry Cabral, querendo transferi-lo para o Hospital de Santa Marta, com o pretexto do Covi19?

Um disparate comparável ao que pretenderam fazer com a transferência do Infarmed, para o Porto, cujo recuo, só foi possível devido à resistência de trabalhadores e dirigentes

Sou a favor da descentralização, mas não à custa da destruição, para satisfazer as vaidades dos políticos

O que tem sido feito, para enfrentar o Covid19, é criar Hospitais de Campanha, ou utilizar instalações disponíveis, nunca destruindo o que levou tantos anos a construir

Mas, infelizmente, continuamos a ter políticos, que não se importam de destruir o que funciona, e bem, para imporem as suas vaidades.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

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publicado às 09:45

O sonho

por cheia, em 05.04.20

O sonho

A esperança não acabou

O Sol continua, todos os dias, a nascer

E, nós cá estaremos para o ver

Agora, não precisamos correr

O Mundo está unido

Como nunca esteve

Devido a um mau-olhado

Ainda que parado

É aqui que temos o passado

No longo corredor suspenso do tempo

Onde têm apartamento a Lua e o seu encantamento

Aí vivem também o Sol e o Vento

Quando o Sol beija a Lua nasce a madrugada

E, de um momento para o outro, de rajada

De repente o sonho ficou adiado

Mas não morreu nem morrerá

Porque o sonho comanda a vida

A Lua está muito sentida

Porque não pode ver os amantes, na rua, florida

Espera que a proibição não seja comprida

Para não ver a vida, por muito tempo, interrompida

Vamos no vento, de fugida

Procurar o outro lado da avenida

Num olhar da janela comprida

O mais longe que nos é permitido viajar

Mais de cinco não podemos estar

Não vá a multidão acordar a avenida

Da hibernação fora de tempo

E pôr a saúde de todos em perigo

Fazendo com que seja, ainda, maior o castigo

Mesmo com a Primavera enclausurada

Dormirei todas as noites sonhando contigo.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 16:44


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