Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

socieadeperfeita



Terça-feira, 13.09.16

Mimosas de carne aérea

Sete Motivos Do Corpo

V

Mocinhas gráceis, fungíveis

Mimosas de carne aérea

Que pela erecção dos centauros

Trepais como doida hera!

Por ardentes urdiduras

De Afrodite que abonais

Passais como queimaduras

E tudo em fogo deixais.

 

Ofegar de onda retida

Na ocupação epidérmica

De serdes a exactidão

Florida da primavera,

Todas de luz invadidas,

Sois, porém, as irreais

Bonecas de sol sumidas

No fulgor com que alumbrais.

 

Lá do fundo dos desejos

Chegais macias e quentes

Com violas nos cabelos

Nas ancas, quartos crescentes;

Nas pernas, esguios confeitos

Na frescura, o vermelhão

De uma alvorada que rompe

Em seios de requeijão.

 

Enleais, mas se enleadas,

Ó volúveis, ó felinas!

Saltais fazendo tinir

Risadas de turmalinas;

E com as asas do segredo

Que vos faz misteriosas

- Pois sendo divinas, sois

Do breve povo das rosas -,

Adejais de beijo em beijo

Já que para gerar assombros

Vicejam as folhas verdes

Que vos farfalham nos ombros.

 

Ó doçaria que em línguas

Acres sois torrões de mel,

Quando idoneamente ninfas

Vos vestis da vossa pele!

Se a olhares venéreos furtar-vos

Em roupas não vale a pena,

Pois mesmo vestidas estais

Nuinhas de graça plena,

De esbelta nudez plantai

Róseos calcanhares nos dias

Fugazes, não vá Vulcano

Levar-vos para sombras frias;

Não sequem os anos corpinhos

De aragem que os deuses sopram,

Que os anos são os malignos

Sinos que pela morte dobram.

 

Mocinhas fúteis que sois

Da vida as espumas altas

Leves de não vos pesar

O peso de terdes almas;

Que essa força de encantar,

Ó belas! cria, não pensa.

Ser perdidamente corpo

É a vossa transcendência.

 

( Natália Correia)

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por cheia às 21:44

Terça-feira, 13.09.16

O quarto

Sete Motivos Do Corpo

IV

 

Vede o estádio em transe: é a oferta

À formosura em seu virtuoso sólio.

Como um espelho corre para o sol o atleta

Recomeçando a geração de Apolo.

 

Corpo garrido de seiva desabrida

Caudaloso a crescer no âmbar rijo

De carne indómita; músculo da vida

Na hora juvenil do seu prodígio.

 

No alor do prélio, tropel de anjos pedestres

Corre o ouro suado dos efebos;

Vai por cima do tempo e retrocede

A purpura sem fim de areais gregos.

 

Estreme, a beleza o jogo faz sagrado

E voam discos de clarões acesos

Por estátuas que giram. O estádio

Fica suspenso no limiar dos deuses.

 

( Natália Correia)

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por cheia às 20:39


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Setembro 2016

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930