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Festejar!

por cheia, em 18.05.15

O futebol ainda é um desporto, ou tornou-se num combate de vinganças?

Não será um “desporto” violento, que só deveria ser visto por adultos!

Tanta violência: doméstica, desportiva, policial, entre miúdos e graúdos, velhos e novos.

Todos os dias as televisões nos enchem os olhos de violência, mas a semana passada foi particularmente dramática.

O rapaz de treze anos que foi espancado até à morte, por um de dezassete anos!

E, para terminar a semana, a habitual violência , dentro e fora dos recintos desportivos.

Mas, ontem, em Guimarães, a violência não poupou nada nem ninguém. Um pai foi brutalmente agredido por um graduado da PSP, porque estava a cuidar dos filhos.

Depois de terem passado duas horas de tensão a ver o jogo, e vendo que as comemorações, no interior do estádio não eram aconselháveis aos menores, pediu à policia para os deixarem sair.

Cá fora, quando estava a dar água, a um dos filhos, o senhor agente da autoridade parece ter estranhado a presença de quatro benfiquistas, naquele local, questionou-os.

Para além dos filhos e do pai, também o avô os acompanhou, todos queriam festejar o título de bicampeões. Mas, de repente as televisões mostram um idoso a querer falar com os agentes, e o graduado dá-lhe dois murros na cara, corre para o filho, puxa do cassetete e foi malhar até se fartar.

O neto mais novo, de nove anos, urinou-se pelas pernas abaixo, um dos policias rodeou-o, tentando que ele não visse mais aquele horrível cena de bastonadas no pai.

Foi um momento de extrema brutalidade, as câmaras e os écrans das televisões rebentaram –nos os olhos. Quem viu, não esquecerá a violência com que são comemorados os títulos, no futebol!

Desde a destruição do Estádio, do apedrejamento dos agentes da autoridade, à c arga de bastonadas em país e avós, à frente de filhos e netos, há de tudo!

 

José Silva Costa

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publicado às 22:31

A luta das mulheres

por cheia, em 17.05.15

Baleizão, 19/05/1954

Catarina Eufémia

O dia parecia de calma, com o mercúrio a passar o quarenta graus centígrados

Mas, de repente tornou-se num inesquecível dia de terror

As espigas já estavam douradas, segá-las era uma oportunidade para enganar a fome

Porque com trabalho sazonal: monda e ceifa, a fome era endémica.

Querias, para os teus filhos, pão

Querias, ao patrão, expor a tua razão

Com a força de quem tem filhos para criar

E, para melhor a aflição demonstrar

Decidiu, nos braços, o terceiro filho, levar

Quem poderia adivinhar, o que os podia esperar?

Quando, com a realidade não conseguimos conviver

É às armas que, os fracos, costumam recorrer

Não é isso que, no Mediterrâneo, estamos a fazer?

Com a convicção de que te iam entender

Porque, certamente, não quereriam ver

Os teus filhos, à fome, morrer!

Enfrentaste o tenente da GNR, que não teve pejo em te abater!

Com três tiros: um por cada filho !

Uma crueldade exemplar!

Para que mais ninguém tivesse a ousadia de falar

Cego, pelo poder, nem viu o que estava a fazer

Uma dor! Um horror! Que o Mundo nunca vai esquecer!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 18:47

Mãe

por cheia, em 03.05.15

Mãe, mãe, mãe

Palavra tão doce

Toda feita de amor

Com perfume de flor.

O teu colo é um andor

Onde embalas o futuro

Em segurança e com calor

Acalmas toda a dor.

Mãe, Mãe, mãe

Como me sinto tranquilo

No teu regaço!

Protegido pelo teu braço

Que melhor aconchego?

Onde sonho com o cansaço

Que te dou

Que só superas

Com a ajuda do brilho das flores!

Mãe, mãe, mãe

Como tu não há mais ninguém

Porque , só tu, me embalaste

Ternamente, no teu ventre!

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publicado às 21:30


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