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O último helicóptero

por cheia, em 25.09.20

As mazelas da guerra

Continuação

 

A queda do último helicóptero

 

Todos os azares vinham ter connosco

O último helicóptero, daquela série, avariou

Ficou sem leme, tendo o piloto conseguido imobilizá-lo num morro

Felizmente, não houve feridos: oficiais e piloto saíram ilesos

Para guardar o helicóptero, fomos mobilizados

A seguir ao almoço, um pelotão foi guardá-lo

Ao fim do dia pediram-nos, pelo rádio, para lhes levarmos água

A minha secção foi mobilizada para, ao nascer do sol, sairmos com os garrafões de água que conseguíssemos carregar

Quando chegámos, andavam a lamber o capim

Também tinham utilizado os componentes acrílicos do helicóptero, para durante a noite, captarem alguma água

Ninguém sabia como o tirar dali 

O Alferes responsável pela proteção estava preocupado, com aquela operação, e com razão

Do Batalhão só lhe diziam que estavam a estudar o problema

Respondeu-lhes com um ultimato, se não encontrassem uma solução, dentro de um prazo de que não me lembro, o helicóptero seria desmantelado de maneira a ser levado, pelos trabalhadores da fazenda, para as viaturas, que o levariam para o Batalhão

Como não recebeu nenhuma resposta, mobilizou homens e ferramentas para a destruição, do mesmo

Mas, não conseguiram dividir o motor, que era muito pesado

Ordenou que arranjassem paus, para colocarem debaixo de cada bocado, para ver se o conseguiam levantar

Tudo testado, o mais difícil foi gerir aquela operação, pelo morro abaixo, em que alguns não queriam fazer força ou já não aguentavam mais

Estava ultrapassado mais um pesadelo

O Natal estava a chegar, seria a noite mais longa do ano.

 

 

Continua

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 06:56

Santa Cruz dos Dembos

por cheia, em 24.09.20

Mazelas da guerra

Continuação

Fazenda SantaCruz dos Dembos

 

Um procedimento, que me chamou à atenção, foi o de que, quando caminhavam, nas picadas, e avistavam as nossas viaturas, as pessoas afastavam-se das bermas uns 10 a 20 metros

 Não consegui saber a razão, mas suponho que deve ter a ver com procedimentos menos corretos, no início da guerra

Para quem não saiba, quando a guerra começou, em 1961, no Norte de Angola, houve muita violência de parte a parte

Por isso, talvez, ainda, se lembrassem dos tempos negros do início da guerra

Durante os 9 meses que estivemos no Norte de Angola, acho que nenhum militar da minha companhia teve relações sexuais com as mulheres das povoações, ao contrário do que aconteceu, quando fomos para a zona de Nova Lisboa

Dizia-se que o avião que levava o pré, para Maquela do Zombo, também transportava as prostitutas

Durante os 9 meses que estivemos naquele acampamento, nunca lá vi nenhum civil, evitavam a nossa companhia

Mesmo assim tínhamos, todos os dias de içar e arriar a Bandeira Nacional, às 6 e 18 horas, para que aprendessem as suas cores, coisa que não fomos capazes de fazer em cinco séculos, tal como não lhes conseguimos ensinar a nossa língua

 

Antes do Natal de 1969, ainda estivemos 2 meses destacados na Fazenda Santa Cruz dos Dembos, uma fazenda de café, cuja variedade de cafeeiros tinha de ter sombra

Uma mata tão densa, que quase não se via o sol, desbastavam-na, deixando algumas árvores muito altas, para fazerem sombra aos cafeeiros

Na fazenda trabalhavam cerca de 70 trabalhadores vindos do centro de Angola, porque os do Norte só se dedicavam à construção de armadilhas para caça e pesca

Estes homens estavam a abrir uma picada, cortando arvores, que 2 homens não conseguiam abraçar, só com machados

Quem os comandava, um Cabo-verdiano, estava constantemente a dizer que queria ouvir a sinfonia dos machados

Nós tínhamos como missão dar-lhes proteção, como estavam destacados 2 pelotões, dia-sim-dia-não, lá íamos

Num dos dias em que ficámos de descanso, o outro pelotão sofreu uma emboscada, uma rajada atingiu 2 soldados, que tiveram de ser evacuados, para Lisboa, felizmente ficaram bem

A Companhia tinha um Furriel Miliciano com a especialidade de enfermeiro, coadjuvado por três ou quatro maqueiros, que sabiam dar injeções e fazer pensos

O maqueiro que estava connosco era louco por borboletas, passava o tempo todo a injeta-las, para as embalsamar

Um dia teve de dar uma injeção, ao Alferes do meu pelotão, a qual lhe causou uma grande infeção, teve de ser internado, porque a seringa não estava devidamente desinfetada

Já não me lembro se os trabalhos passaram a ser dia-sim-dia-não, o que me lembro é um dia estava com o outro Alferes, e depois do almoço, perguntou-me se era voluntário para ir com ele, porque queria saber para onde ia a picada, respondi-lhe que na tropa não era voluntário para nada

Ordenou-me que fosse com ele, mais dois soldados e um guia munido de catana, para abrir o caminho, para que pudéssemos penetrar naquele labirinto.

As horas foram-se passando, já não sabíamos como sair dali, começámos por marcar as árvores, não adiantou, a seguir foi por votação, quando três diziam para onde era, lá íamos, mas também não resultou

 Disse-lhe que o melhor era fazermos fogo para o ar, na esperança de que os nossos camaradas, que tinham ficado a dar proteção aos trabalhadores, nos respondessem

Felizmente resultou, conseguimos, antes de o sol se pôr, sair do labirinto

Caso estivesse por ali perto, algum inimigo, tinha-nos apanhado à mão, porque a nossa desorientação era total

Monangambé, que significa contratado, é um poema de António Jacinto, musicado em 1960, às escondidas, por Rui Mingas

Letra de Monangambé

Naquela roça grande

não tem chuva

é o suor do meu rosto

que rega as plantações;

Naquela roça grande

tem café maduro

e aquele vermelho-cereja

são gotas do meu sangue

feitas seiva

o café vai ser torrado

pisado,

torturado,

negro da cor do contratado

 

Negro da cor do contratado!

 

Perguntem às aves que cantam,

aos regatos de alegre serpentear

e ao vento forte do sertão:

Quem se levanta cedo?

quem vai à tonga?

quem traz pela estrada longa

a tipóia ou o cacho de dendém? 

Quem capina

e em troca recebe desdém

fuba podre,

peixe podre,

panos ruins,

cinquenta angolares

 porrada se refilares”?

Quem?

Quem faz o milho crescer

E os laranjais florescer?

- Quem?

Quem dá dinheiro para o patrão comprar

máquinas,

carros,

senhoras

e cabeças de pretos para os motores?

Quem faz o branco prosperar

ter barriga grande

ter dinheiro?

_ Quem ?

e as aves que cantam

os regatos de alegre serpentear

e o vento forte do sertão

responderão:

- “ Monangambééé…..”

Ah! Deixem-me ao menos

subir às palmeiras

Deixem-me beber maruvo  ( seiva de palmeira, retirada junto às folhas, como se faz para retirar a resina)

E esquecer

diluído nas minhas bebedeiras

Já tinha ouvido a canção dos contratados, mas nunca me tinha cruzado com eles

Quis o destino que primeiro visse o que faziam e como eram tratados, e menos de um ano depois, sem contar, assistisse ao seu recrutamento

Estava nos arredores de Nova Lisboa, quase pôr-do-sol, quando vi um grande alvoroço, numa das povoações dos arredores da cidade

Fui até lá, fiquei à distância a observar. Estavam todos reunidos, mulheres e homens, as mulheres agarravam-se aos seus homens, gritavam e choravam, o Soba ia correndo olhar por todos, de repente apontava para um, que imediatamente entrava no autocarro, que os iria levar, sem qualquer contestação

Assim que o autocarro ficou cheio, fecharam as portas. Disseram-me que partiriam na madrugada do dia seguinte

Diziam que aqueles homens, quando regressassem, os que o fizessem, pouco ou nada trariam, porque tinham de pagar a alimentação, o alojamento, etc.

 

Continua

 

 

 

   

 

  

 

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publicado às 21:36

O medo

por cheia, em 11.09.20

As mazelas da guerra

Continuação

O medo

 

Na primeira noite que dormimos no mato, o medo era de cortar à faca

No silêncio da noite, o mais pequeno ruído parece um furacão

Também tinha medo, mas estava mais à vontade por já ter dormido algumas vezes nas eiras

Um condutor preferiu dormir dentro da viatura, em vez da tenda

Noite dentro, contatou-me, dizendo que tinha uma cobra dentro da viatura

Lá fui, para ver a cobra, chegados à viatura, vi o limpa-para-brisas a trabalhar

Pedi-lhe para desligar o limpa-para-brisas, que a cobra se ia embora, e nós íamos dormir

Como o limpa-para-brisas era acionado manualmente, o que deve ter acontecido, é tê-lo ligado, ao mexer-se, possivelmente com o joelho

No dia seguinte voltámos ao acampamento, tendo tudo corrido bem

A primeira etapa estava concluída. A partir dali, os relatórios quinzenais seriam emitidos sem sairmos de casa, até porque, em breve, ficaríamos desfalcados, com dois pelotões destacados, para a zona do Quitexe

Antes de ir para o Quitexe, a minha seção e outra foram mobilizadas para darem proteção a uma coluna de camiões civis, entre Maquela do Zombo e São Salvador do Congo

Lá fomos, eu e o meu amigo Ramos, camarada de curso, que, infelizmente, viria a morrer, já depois de termos acabado a comissão, com as nossas seções montadas em duas viaturas equipadas com duas metralhadoras pesadas Breda, instaladas num dispositivo, em que as podíamos rodar trezentos e sessenta graus

No regresso vimos um elefante, que atravessou a picada à nossa frente, escondendo-se, imediatamente, na densa mata 

Foi a prenda que tive no dia dos meus 24 anos, uma prenda diferente e única, vimos um elefante, em liberdade, no seu habitat

Depois do reconhecimento da nossa zona de ação, fomos visitar uma povoação, onde nos receberam muito bem, e nós oferecemos-lhes alguns produtos das rações de combate de que não gostávamos

Tive oportunidade de falar com um homem, que tinha 20 mulheres, disse-me que todas se davam muito e que obedeciam, todas, à mais velha, eram elas que trabalhavam nas terras, a ele cabia-lhe fazer e colocar armadilhas para caça e pesca

Que os homens quanto mais mulheres tivessem, mais ricos eram, e que quando ficavam grávidas deixavam de ter relações sexuais até terem os bebés

As mulheres faziam as sementeiras, e no caso dos amendoins tinham de as guardar, para que os macacos não os comessem

Outra tarefa a que as mulheres se dedicavam era, com sachos, apanhar ratos, que eram muito apreciados.

Aproveitei para pegar num bebé, tiram-me uma fotografia, enviei-a para a minha mulher que, apesar dos poucos meses da chegada a Angola, não a apreciou, o que seria se já tivessem passado mais de nove meses!

 

 

Continua

 

 

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publicado às 07:18

A primeira baixa

por cheia, em 04.09.20

Mazelas da guerra

Continuação

A primeira baixa

 

Um soldado, ao não cumprir com o que lhe tinha sido ensinado: que nunca se desencravavam armas sem ser ao ar livre e com o cano para cima, disparou, sem querer, contra um camarada que estava sentado na cama, a escrever para a família

A bala acertou num porta-moedas, que estava no bolso da camisa, fazendo com que os danos tenham sido fatais

Na sede da Companhia, na Fazenda Costa, o tempo era queimado a fazer partidas uns aos outros

O Furriel de Transmissões, que tinha acabado de chegar à Companhia, foi convencido a ficar, num buraco, por duas horas, com um saco à espera dos gambuzinos

Também fiz parte de uma equipa formada, a pedido de uns soldados que nunca tinha visto ananases, para irmos aos ananases

Munidos de um carrinho de mão e uma enorme escada, partimos de manhã, para uma mata fechada, depois de duas horas e devido à dificuldade de manobrar as ferramentas, um dos soldados sugeriu que ficasse para outro dia, por estar muito cansado, a apanha dos ananases, com o que concordei

Uns dias depois, o meu pelotão foi destacado para a zona do Quitexe, numa patrulha atravessámos uma plantação de abacaxi, aproveitei para lhes mostrar a planta e fruto, a que muita gente chama ananás

Foi aí, que eles se sentiram, ainda, mais cansados por terem andado aos ananases com um carrinho de mão e uma enorme escada

No início, do Pelotão que estava destacado na fronteira, vieram à sede da companhia, quatro ou cinco, num jeep, penso que para levarem o correio entre outras coisas

Uns que se aperceberam do sucedido, aproveitaram para angariar uns trocos para a cerveja, dizendo-lhes que me tinham comprado uma bicicleta, mostrando-lhes uma bicicleta velha, que existia no acampamento, para lhe ir levar o correio, mas que tinham de contribuir. Ainda conseguiram arranjar cem angulares

Logo eu que, infelizmente, nunca tive tempo para aprender a andar de bicicleta.

Mas, não passámos todo o tempo a pregar partidas uns aos outros.

Tivemos de fazer uma operação, para sabermos como fazer os relatórios quinzenais

A primeira operação foi planeada com todo o cuidado, tudo era desconhecido, não sabíamos o que íamos encontrar

Levámos viaturas a gasolina, muito atentos à picada, por causa das minas anticarro, o que fez com que levantássemos uma enorme mina anticarro, já desativada, o que pressupõe que já teria muitos anos de enterrada.

Ganhámos o dia, já tínhamos um trofeu.

 

Continua

 

 

 

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publicado às 07:49

...

por cheia, em 28.08.20

Mazelas da guerra

Continuação

A falta de Oficiais Subalternos

 

O Capitão já tinha mais de trinta anos, e cumprido o Serviço Militar, como Alferes. Foi outra vez chamado, graduado no posto de Capitão, para comandar a Companhia

Com quase dez anos de guerra, o país estava exaurido, tanto de recursos financeiros, como humanos

A falta de Alferes era de tal maneira que, no fim da minha recruta, nos pediram, por votação secreta, que indicássemos três nomes de camaradas, que considerássemos aptos para transitarem para o curso de Oficiais Milicianos

Para completar a Companhia faltavam dez ou doze elementos, um deles o Furriel de Transmissões, porque o que era para ir connosco teve, poucos dias antes de partirmos, um acidente de carro.

Num belo dia, o nosso Capitão recebeu uma mensagem, dizendo que os elementos em falta tinham chegado ao Batalhão, para os irem buscar

Ficou tão contente, que começou a pensar na receção, que lhes iria proporcionar

Decidiu que se iria apresentar como condutor velhinho, por, infelizmente, haver muitos condutores, devido aos acidentes, em que se viam envolvidos, terem de ficar anos e anos retidos na colónia onde já tinham acabado a comissão, até verem os processos resolvidos

Assim, ordenou que tirassem os galões e as divisas, para uma receção espetacular

Com uma cajadada matámos dois coelhos: fomos no sábado, para aproveitar a cessão de cinema e trazer os nossos novos camaradas

Uma receção ao domingo, num país tão católico, nada melhor que uma missa, no refeitório

Como o Furriel Vagomestre, tinha andado no Seminário, faria de Padre, diria poucas palavas, como se estivesse a iniciar a missa, e de seguida com o autotanque, com que íamos buscar água ao rio, fariam o batismo

Mas, como o que sobrava em imaginação, faltava em responsabilidade, decidiram confessar e gravar as confissões dos colegas, coisa que não caiu bem a alguns

Mas, com o batismo, as boas-vindas e o almoço regado com vinho, parecia tudo ter corrido muito bem

Um dos pelotões esteve, durante os nove meses, destacado na fronteira entre Angola e o Congo

Um dia em que fizeram uma patrulha, um soldado deixou a arma cair num rio, o que fez com que ficasse encravada

O soldado, depois do almoço, contra tudo o que lhes tínhamos dito, centenas de vezes, no que diz respeito ao meu pelotão, desencravou a arma na caserna e sem que se tenha preocupado em manter o cano para cima. Sempre dissemos que as armas só se desencravavam ao ar livre e com o cano para cima, porque a qualquer momento a bala poderia ser percutida.     

Continua

 

 

 

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publicado às 07:50

A chegada

por cheia, em 21.08.20

Mazelas da guerra

 

Continuação

 

A chegada

 

Chegados ao porto de Lunada, entrámos num comboio que nos levou para o Grafanil, onde se localizava o quartel que nos acolheu até seguirmos para a nossa base

Depressa percebemos porque nos tinham dado uma rede mosquiteiro, os insetos pareciam enxames à nossa volta

No dia seguinte fui aos Correios, para me inteirar de como funcionava o Serviço Postal Militar (SPM) , que consistia na atribuição de um número, no nosso caso, à nossa Companhia, por se tratar duma Companhia independente, o que quer dizer que não fazíamos parte de nenhum Batalhão.

Bastava aos Correios saberem para que localidade tinham de enviar o SPM da Unidade com o número que lhe tinha sido atribuído

O Correio era muito importante para o moral das tropas, sem correio ficávamos nervosos, preocupados, desmoralizados

Tão importante que criaram o aerograma militar, um impresso carta, grátis, tanto o impresso como os portes

Ao fim de poucos dias seguimos para o nosso destino: Norte de Angola, junto à fronteira, perto de Maquela do Zombo

Foi um passeio de dois dias, dormimos no primeiro dia, na Base Aérea do Negage

No dia seguinte fomos recebidos com euforia, pelos camaradas que há muito nos esperavam, para quanto antes chegarem às suas terras e abraçarem os familiares.

No aquartelamento da Fazenda Costa, um acampamento construído, a seguir ao início da guerra, com madeira e chapas de zinco, sem qualquer povoação, por perto

E, a receção foi muito original, nas portas, entre abertas, tinham colocado alguidares de plástico, cheios de água, assim que empurrávamos as portas, ficávamos com o alguidar enfiado na cabeça e muito fresquinhos

Esta receção foi o ponto de partida, para que dali em diante, cada um refinasse as partidas a pregar

A imaginação atingiu tamanha proporção, que o Capitão teve de ordenar que o primeiro-cabo, que estava incumbido de desligar o gerador que iluminava o acampamento, dormisse numa camarata só para ele, porque todos os dias levava uma grande banhada, dormindo todo molhado, sem querer dar o braço a torcer, jurando que não estava molhado

Aos sábados, por escala, íamos a Maquela do Zombo, ao cinema. Quando chegou a minha vez, já sabia que a cama mudaria de lugar, e não me enganei, lá estava nas alturas, atada ao teto

Era uma Companhia de Cavalaria, formada no Regimento de Cavalaria nº7, em Lisboa. Eramos todos milicianos, com exceção de dois Sargentos, cujas mulheres, mais tarde, também se lhes juntaram, passando a viver no acampamento.

Continua

 

 

 

 

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publicado às 07:47

Mazelas

por cheia, em 14.08.20

As mazelas da guerra

Fui desafiado, pela amiga Alice Alfazema, para partilhar, o que chamo de  mazelas da guerra

Ainda que seja muito penoso, mesmo depois de meio século, das mazelas da guerra falar! Vou tentar, convosco partilhar, as peripécias, de que, ainda, me consiga recordar.

As mazelas da guerra será uma rubrica, que vou tentar publicar à sexta-feira

                                                              

  A Partida

 

Portugal desaguou em Lisboa, no cais da Rocha de Conde de Óbidos, o sol não raiou, a lua perdeu o brilho e a beleza, tudo estava coberto de tristeza

O monstro dormiu no cais, ao contrário dos de mais, que não dormiram em nenhum lado, tudo ficou acordado, à espera da partida, do último abraço, do último beijo, do último ai

Pais, mães, esposas, irmãs, namoradas, tias, tios, amigas, amigos, unidos no último adeus, para alguns, com a certeza e na incerteza de quem eram os que, nunca mais, voltariam aos cais

As mães apertavam os filhos, como que querendo escondê-los, novamente, no seu ventre

O monstro urrou, a avisar, para que desatassem as amarras e os militares entrassem para o seu interior, a maré subiu devido às lágrimas derramadas

As mães assustaram-se, abriram os braços, e os seus filhos correram para o barco

Desatadas todas as amarraras: as humanas e as materiais fizemo-nos ao mar

Perdemos o Tejo, deixámos para trás a formosa, bela e fresca Sintra

Entrámos no Oceano Atlântico

Passadas vinte e quatro horas entrávamos no porto do Funchal, para, também, da Pérola do Atlântico, os seus filhos, levar

Só permitiram que nos ausentasse-mos por quatro horas, enquanto acabavam de saciar o monstro

Só deu para pouco apreciar, daquele lindo jardim, no meio do mar, plantado

Depois de muito lotado, os soldados bem se queixavam, os que tinham as camas colocadas junto às chaminés, onde era impossível dormir, devido ao calor, voltámos ao mar

O paquete Vera Cruz tinha sido adaptado para que, a maior quantidade de carne para canhão, pudesse levar

De novo no mar, foi só acelerar, numa feroz competição com a NASA, para ver quem chegaria primeiro, se nós a Lunda, se os astronautas à lua para aterrar

Infelizmente, mais uma vez, perdemos.

José Silva Costa

                                                       continua

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publicado às 07:59

Perfume de verão

por cheia, em 11.08.20

 As flores

 

 

Como uma rosa perfumada

É a minha namorada

Os cabelos são uma brisa arejada

No meu corpo derramada

Os olhos são dois botões de rosa encantada

A boca, uma romã escarchada

Onde a minha fica atracada

As suas mãos são como uma guitarra

Que, quando dedilhada

Produz uma melodia

Que me incendeia todo o dia.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

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publicado às 07:51

As Mulheres

por cheia, em 07.08.20

As Mulheres!

As mulheres estão a assumir cargos muito importantes, o que é natural, por estarem em maioria, e nalguns países serem mais qualificadas

Três mulheres ocupam, atualmente, cargos importantes, que podem ajudar o Mundo, nos difíceis tempos que nos esperam

 Kristalina Gueorguieva, Presidente do Fundo Mundial Internacional, Christine Lagarde,    Presidente  do Banco Central Europeu  e  Ursula Von der Leyen,  Presidente da Comissão Europeia. Parecem estar de acordo quanto às políticas a seguir, para que o Mundo tente evitar uma catástrofe, quase certa

Defendem uma mudança no setor da energia, substituindo a energia de origem fóssil e nuclear por energia renovável

Também querem um forte reforço no digital, o que pode vir a ser muito útil, em tempo de pandemia, para que a sociedade não pare e se possa cumprir o afastamento físico

Acho que já ninguém dúvida que as alterações climáticas vieram para ficar, causando grandes catástrofes em muitos pontos do globo

O que fará com que tenhamos de modificar quase tudo: indústria, comércio, consumo, horários, transportes, etc.

Todas as mudanças se confrontam com a inércia, ou ainda pior, com a recusa em mudar

Parece que todos estão de acordo que esta pandemia só se vence com solidariedade

Mas, quando vemos o que se passa com a reabertura das fronteiras, na União Europeia, mais parece uma desunião

Não estão a dar mostras dessa solidariedade, que dizem ser tão necessária, ainda, por cima, os critérios, para a discriminação deste ou daquele, são baseados em resultados fraudulentos.

Se fazem isto para tentarem ficar com os poucos ossos, que restaram

do turismo, o que farão para ficarem com a futura carne!

Estamos endividados até ao último cabelo, temos o país parado, quando regressarem de férias, no privado, ficará quase tudo desempregado, como vamos dar conta do recado!

Ansiamos pela vinda do dinheiro da Europa, para ver se o barco não vai ao fundo

Mas, quem tem a chave do cofre, não o quer entregar, sem forte controlo

E, têm toda a razão, porque tem de ser aplicado naquilo, que julgam ser a nossa salvação

Para além de que se pode perder nos bolsos da corrupção, como todos sabemos, e para os que já se tinham esquecido, saiu um relatório, lembrando que nos últimos dez anos, as fraudes em subsídios europeus atingiu 2,3 mil milhões de euros, o dobro do que vamos enterrar na TAP

Minhas Senhoras! Deem, aos que sempre Governaram o mundo, uma grande lição, mostrando que nunca fizeram nada de jeito

Quem conseguir levar o vírus de vencido e equilibrar o mundo, merece todo nosso respeito

Estamos consciente do que aí vêm, mas estou certo de que as mulheres lhe conseguirão dar um jeito

Só elas sabem como nos criaram, com o seu peito

Todos temos o dever de colocar todo o nosso saber na construção de um mundo melhor, para todos!

Se há coisa que este vírus nos ensinou, é que somos todos vulneráveis, mesmo que tenhamos redomas de ouro

E que ninguém cá fica, nem, nenhum tesouro, leva

O melhor tesouro será ver um Mundo Melhor.

 

José Silva Costa

 

 

 

  

 

 

 

   

 

                         

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publicado às 07:42

Agosto!

por cheia, em 03.08.20

Agosto!

 

Este ano ficaste sem rosto

Ninguém te veio visitar

Não levantam os aviões

Nem os barcos podem navegar

Que mal-estar!

Cada um fechado no seu lugar

Sem ter contatos

Nem querer contatar

Não vá a peste, o contaminar

Não há abraços, nem beijos

Nem sorrisos, nem desejos

Está tudo parado e triste

Sem festejos, nem romarias

Que estranhos dias!

Mesmo com todos os condicionamentos

Não deixas de ser o preferido

Mais que não seja

Pelo descanso, o sol, o mar e a areia

 

 

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 07:56


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