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Terça-feira, 14.08.18

Chips!

Chips!

 

Para onde quer que nos viremos lá estamos, todos, com os chips na mão

Hoje, todos andamos de chip em riste, numa onda de navegação

Com um aparelho do tamanho de uma caixa de fósforos, temos toda a informação

Nos jardins, nos cafés, nos restaurantes, nos comboios, por todo o lado, um silêncio ensurdecedor

Acabaram-se as conversas, as discussões, a troca de opiniões, os dedos substituíram essas funções

Outrora, nos comboios da linha de Sintra, havia grupos de amigos, que viajavam sempre na mesma carruagem

Uns jogavam às cartas, outros discutiam os resultados dos jogos de futebol, falando, também, das agruras da vida

Faziam-se amizades, combinavam-se piqueniques, excursões, emprestavam-se livros

Naqueles bancos corridos, cabia sempre mais um, viajávamos como sardinha em lata

Durante as obras de duplicação da linha assistimos a muitas peripécias

Uma mãe arrancava o filho, da cama, às seis horas, apanhava o comboio em Sintra, para ser entregue à avó, na estação do Cacém

Como não se conseguia chegar à porta, porque os comboios circulavam de portas abertas, a abarrotar, a criança era entregue à avó, pela janela, por quem estivesse junto à janela

Numa viagem, no sentido de Sintra para o Rossio, na estação da Amadora, uma jovem, vendo que não conseguia chegar à porta, baixou a janela e saiu, o contato com o cascalho, foi um pouco violento, porque ela estava no lado contrário ao da plataforma

Também arrisquei um dia, na estação do Rossio, iniciar a viagem, no estribo da porta, apenas agarrado com uma mão, quando na plataforma começaram a procurar melhores posições, quase que me atiravam para a linha, já dentro do túnel

Nunca mais arrisquei, porque poderia ter perdido a vida, para ganhar uns minutos, ainda que me custasse esperar pelo comboio seguinte, pois, eram quatro horas perdidas, nos transportes.

 

José Silva Costa

 

 

 

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por cheia às 21:55

Terça-feira, 07.08.18

Peste grisalha!

Peste grisalha

 

A mortalidade, da “peste grisalha”, como foram cognominados, no auge da crise, tem vindo a aumentar

No dia mais quente, desta vaga de calor, morreram quase quinhentos!

Aqueles que defendem, que a solução seria uma injeção, atrás da orelha

Talvez não tenham muita razão

A Natureza parece ter encontrado uma solução mais aceitável

Acusados de deverem muitos anos à cova, foram uma almofada preciosa

Para filhos e netos, cujas famílias faliram, tendo, muitos, sido obrigados a voltarem para a casa dos pais

E, aqueles que esperavam uma vida mais folgada, aquando da reforma, viram-se, de férias e viagens, privados

Viram, nalguns casos, voltar a casa mais do que tinham saído

Mas, o que é que os pais não fazem pelos filhos?

Tristes por os filhos terem perdido a casa, o emprego, etc.

Confortados por voltarem a ter a companhia dos filhos e até de netos

As duas faces da moeda.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

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por cheia às 22:08

Segunda-feira, 30.07.18

Luar ao Sul

Luar ao Sul

                        

Ceifeiras: papoilas ao vento a esvoaçar

Trigueiras, a perfumarem a planície

Cantam, para espantarem as dores

De corpo e faces tapadas, para enfrentarem o calor

Sob um sol escaldante, de foices em riste

Para desafiarem o vento levante

Quantas canseiras, para ver o pão nas eiras!

Mulheres determinadas, que cortam o sol com o regaço

Que sabem todo o circuito do pão:

Alqueivar, gradar, semear, mondar, ceifar, debulhar, limpar, moer, peneirar, amassar, tender,

O forno aquecer, para o pão cozer

Se soubessem, as voltas que a mão dá, até fazer do grão de trigo pão!

Não o estragariam, dando-lhe muita mais atenção

Há multidões de esfomeados, que nunca, o pão, verão

Acabada a ceifa, chega a adiafa, para suavizar o cansaço

Um dos trabalhos mais duros, que mulheres e homens

Enfrentaram, nos campos do Alentejo

Sob um sol ardente, de cortar a respiração!

 

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

 

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por cheia às 21:34

Terça-feira, 24.07.18

Asas

Asas – A 380

 

O gigante dos ares aterrou, pela primeira vez, em 23/07/2018, no aeroporto de Beja, o único em território nacional, com capacidade para o acolher

Beja está a ganhar notoriedade, num país pequeno, onde muitos não conseguem ver para além da sua rua

Se temos uma infraestrutura, que faz a diferença, qual a razão para não aproveitá-la?

A mesma de sempre: está localizada no interior!

Senhores políticos deixem-se de provincianismos bacocos e complexos de inferioridade

Lisboa será sempre a capital, mas o resto não será só paisagem, se não continuarem a desfazer o que está bem, só para alimentarem as vossas vaidades

Não conseguiram encontrar melhor maneira de compensar o Porto, por não ter conseguido que a Agencia do Medicamento viesse para a Cidade Invicta, do que dar cabo do Infarmed?

Honrem a morte de mais de uma centena de pessoas, desenvolvendo todo o país, pensando no bem das pessoas, e não no vosso umbigo

Passam o tempo a cantar êxitos, mas continuamos na cauda da Europa!

Para além de sermos um pequeno, pobre, país, os políticos estragam o pouco que temos

Fazem, desfazem, ficam sempre com a maior parte

Para quando as mil vezes anunciadas leis, para dificultar a corrupção?

 

 

José Silva Costa

 

 

 

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por cheia às 22:12

Quinta-feira, 19.07.18

Verdes anos

No perfume e brilho dos primeiros dezoito anos, vividos

Todas as ambições e sonhos são permitidos

O Mundo é pequeno, para todos os ímpetos dos sentidos

Tudo parece eterno, quando, afinal, tudo é curto, fogaz, sem desmentidos

 

É o tempo de colher todo o vigor dos verdes anos

De construir castelos feitos de sonhos

De apanhar as nuvens e viver em todos os planos

Como se todos fossemos humanos

 

Adolescência, maior de idade, vaidade, a mais bonita idade

Tudo translucido e colorido sem adversidade

Na beleza da auria que circunda a longevidade

De um tempo sem limites, cheio de ansiedade

 

Um tempo promissor, cheio de luz, cor e furor

Em que em tudo empenhamos o nosso ardor

Como se estivéssemos a regar uma flor

Cujo crescimento vai depender da sorte e do amor.

 

 

 

 

José Silva Costa

 

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por cheia às 21:52

Sexta-feira, 13.07.18

O Sol

Domingo vai chover

 

As previsões dizem que Domingo vai chover

Graças à ciência e às novas tecnologias, podemos, com antecedência, saber como vai estar o tempo

No Domingo vamos dar descanso às férias, não correndo para as praias, para torrar

Vamos aproveitar para descansar, sabe tão bem descansar do cansaço das férias

Há sempre muito que fazer: ver um filme, ir ao cinema ou ao teatro, visitar uma amiga ou um amigo, mesmo que esteja detido

Proponho-vos um exercício muito mais difícil: tentar desconectar toda a família, sentá-la a uma mesa, para jogar às cartas, às damas, ao monopólio, etc.

Um ótimo exercício, para testarmos as reações, de cada um, quando se perde, ou quando se ganha

E, vão ver que nem se lembram que está a chover

Mas, se preferirem, também, podem ver a chuva a cair, regar e lavar tudo, com as plantas a sorrir

Na segunda-feira não se esqueçam de observar e saborear a frescura, o perfume, os efeitos, de o Verão, ter procedido à limpeza do que não fez, durante um mês de muitas desilusões

Nem ele sabe muito bem, por que razão não fez o Sol brilhar, aquecer a água do mar………

Tenho uma explicação: o Verão, este ano, no seu primeiro mês, foi de férias, para a Rússia, para ver o Campeonato Mundial de Futebol.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

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por cheia às 21:33

Domingo, 08.07.18

Curta, é, a vida!

Tanto trabalho, para tão poucos dias!

Estou de acordo com as trinta e cinco horas

Não nascemos, para, só, trabalhar

Também temos o direito de, o mundo, olhar

Por que razão só pensa em, os dividendos, aumentar?

Com as novas tecnologias, não está sempre a produção a aumentar!

Todos têm direito a um posto de trabalho

O desemprego só gera desigualdades

Quem é que não se sente inferior por não conseguir contribuir para a produtividade?

Portanto, menos horas de trabalho! Ocupação para todos

Já basta, quererem que nos reformemos aos cem anos!

A história da sustentabilidade está muito mal contada

Os jovens têm direito a sonhar com realizações, que só o trabalho lhes pode dar

Para quê, com trabalho, os velhos, matar?

Deixem-nos, ao menos, uns minutos descansar, quando já não podem andar

Ninguém cá vai ficar, mesmo que queira este e o outro mundo abarcar!

Vamos, o Planeta, ajudar, não estragando hoje, o que amanhã nos faltará

O desperdício é o nosso pior vício, com a fantasia de que isso, mostra ao outro que existo

Mais solidariedade, mais humildade, mais humanidade é o que precisamos, na realidade

Quanto mais o fosso entre ricos e pobres diminuir, mais a alegria nos vai unir

A alegria de ver mais gente feliz, faz um Mundo novo emergir

Ninguém encafuado, em muros, condomínios, arame farpado ou assustado, se sente realizado

Este pequeno e pobre espaço, de todos, por todos tem de ser bem dividido e administrado.

 

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

 

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por cheia às 23:00

Domingo, 01.07.18

As imagens!

As imagens

 

As imagens da televisão

Bem avisaram que não eram

Para que tem coração

Infelizmente, todos os dias morrem bebés!

Mas, não os mostram na televisão

As imagens destes três, vão-me atormentar

Durante muito tempo, a toda a hora, a todo momento

Olhos que não veem, coração que não sente

Como é que há gente?

Que se recusa a enfrentar este problema, de frente

O maior cemitério de sempre!

Não consegue incomodar, quem vive comodamente

Preso no egoísmo do seu ambiente

Cercado de uma realidade que não mente

Vai-se empanturrando de ódio, na mente

Tentando convencer-se que é feito de matéria diferente.

 

José Silva Costa

 

 

 

 

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por cheia às 17:12

Terça-feira, 26.06.18

Evolução

Evolução

 

Finalmente, na Arábia Saudita, as mulheres têm permissão de condução!

Ainda lhes falta muito, para um total emancipação

Continuam a depender de um tutor masculino

Não têm liberdade na escolha do vestuário

Estão dependentes de autorização para o casamento, abrir conta bancária

Falar livremente com o sexo oposto!

As novas tecnologias e a globalização deram um empurrão

Podemos ver diretamente, as mulheres sauditas, a expressarem a sensação

De experimentarem a condução, e com o brilho das estrelas, mostrarem

Quão grande foi a satisfação de darem liberdade à imaginação

Para elas, foi mais que as mil e uma noites: foi uma noite inesquecível

A liberdade de poderem voar sozinhas, ao volante de automóvel

Sem o habitual condutor e o respetivo controlo

Foi um sonho, tão grande como o de Colombo, colocar de pé um ovo

Os séculos vão rodando e a humanidade vai-se aperfeiçoando

Até o futebol, este ano, contribuiu para a grande alegria das iranianas!

Graças ao apuramento da seleção do Irão, para o Campeonato Mundial de Futebol

Puderam, pela primeira vez, depois da era dos aiatolas, entrar num campo de futebol

Para verem, através de um ecrã de televisão, os jogos da sua seleção

Foram poucos: três, os portugueses cortaram-lhes, maiores aspirações

Diz-se que foi uma autorização excecional, com muitas limitações

Espera-se que o tempo a torne definitiva, para que muitas mulheres não continuem a ser subjugadas a uma vida primitiva

Como o Mundo seria diferente, se houvesse colaboração e respeito mutuo, entre os sexos!

 

José Silva Costa

 

 

 

 

 

 

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por cheia às 06:58

Domingo, 17.06.18

17 e 15

Os incêndios

 

O dia dezassete de Junho e quinze de Outubro de 2017, não deviam ter existido

A Natureza, passado um ano, vai dando sinais de recuperar

Os rouxinóis voltaram a ouvir-se cantar

O verde, aqui e além vai rompendo, querendo o negro tapar

Mas, os humanos não conseguem recuperar

Há muito desanimo, muita tristeza, por apagar

Como recuperar a perda de um filho? Diz um pai

Para muitos sobreviventes, já nada conta

Tudo acabou com as labaredas, que tudo comeram

Nada, depois de tantas perdas, faz sentido

Apenas esperam que o tempo faça o seu trabalho

Em todos aqueles rostos há demasiada dor

As imagens mostram-nos o horror

Por mais,que todos as queiram esquecer

Elas teimam em permanecer.

 

José Silva Costa 

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por cheia às 20:31


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